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Pilar Magnavita
há 2 anos9 visualizações
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Numa manhã, Mariazinha saiu de casa e, a caminho do trabalho, parou no café que gosta e resolveu comer um cookie, aquele biscoito (ou bolacha, vai...) com gotas de chocolate, para começar bem o dia. Mariazinha não tem hábito de comer esse docinho de manhã, mas com aquele café com leite e açúcar, o lanchinho caía muito bem. O que Mariazinha não sabia era que (além dos três quilos que ela ganhou) ela tinha mesmo o hábito de comer o tal cookie. Como, se ela não parava ali todos os dias?

A neurociência já comprovou que a maior parte das nossas ações são reflexos inconscientes (ou irracionais) de situações que nosso cérebro já se treinou para executar. A informação de que Mariazinha se recompensa com um biscoitinho ou com um docinho pela manhã nem fica registrada na memória dela. Esta é até capaz de identificar os alimentos que "costuma" comer, mas não processa facilmente informações como a frequência ou o comidas similiares. Se a nutricionista de Mariazinha perguntar a ela o que costuma comer, ela não conseguirá dizer a verdade. Aliás, é por isso que muitos se utilizam de diários para ter melhor noção daquilo que come.

Doido, né?

Isso é normal! E foi essa capacidade do cérebro de dizer para a gente "fica alerta aí que a gente cuida do trivial" é que fez a humanidade sobreviver as intempéries do inóspito planeta Terra. Serviu para que ficássemos de olho nos eventos que quebrassem certo padrão (o perigo!), enquanto a mente se voltava sozinha para aquilo que não representava risco à vida: ou seja, o hábito.

Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, responderam que 40% do que você faz no dia a dia é por força do costume. Todo esse percentual é processado no inconsciente neurológico, como automatismo. O que faz a gente pensar: o quanto, de fato, eu me conheço?

Ah! É aí que aparece o enigma da Esfinge.

A gente não se conhece. E é por isso que a quimera nos devora todos os dias. Talvez até o Alzheimer também, com o tempo. Pois já se sabe que o automatismo também pode desencadear males da cabeça.

Quem quiser melhor esse processo automático da mente, recomendo a leitura do livro do Nobel em Economia, Daniel Kahneman, "Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar", da Objetiva.

É no automatismo que mora o hábito. Bons ou ruins, eles são resultados da irracionalidade. São criados a partir de algum tipo de recompensa. Assim nascem vícios, escolhas erradas de alimentação e até mesmo sua comunicação com outras pessoas. Em geral, levamos dois meses para transformar uma ação rotineira em um hábito.

O assunto chamou atenção de Charles Duhigg, jornalista do New York Times formado em história e pós-graduado em Negócios. Para entender melhor sobre o mundo corporativo que escrevia, começou a estudar melhor o tema "hábitos". A princípio foi apenas para compreender o sistema produtivo de um funcionário e de uma empresa. Depois, com o avançar das pesquisas do MIT às quais teve acesso, trouxe ao público a obra "O Poder do Hábito", também da editora Objetiva, com os resultados dos 30 anos de pesquisa do instituto de tecnologia.

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Segundo o esquema que Duhigg fez no livro, hábitos são criados a partir de uma ação que tem como parceiro outro elemento. Tipo: ao sair de casa de manhã para o trabalho, tenho hábito de comprar o jornal. Eu estipulei um horário, um determinado tipo de roupa e o local onde compro o jornal é no caminho do trabalho. São três condicionantes. Meu hábito já terá elementos para se tornar automático, mas isso só vai acontecer se esse hábito me der uma recompensa. Ao ler o o jornal, consigo chegar no meu trabalho e conversar com as pessoas sobre o que está acontecendo. E com isso me sinto muito bem. Por isso que se viciar em exercício físico só acontece depois de alguns meses, quando os resultados da prática já são visíveis (recompensa) e passa a ser considerado pelo cérebro como algo automático, devido ao tempo de repetição.

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Na boa, acho que meu border collie é mais esperto do que eu. Três repetições e o bicho já pegou o automatismo da coisa!

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Pilar Magnavita
há 2 anos39 visualizações
Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI
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Gripe, cárie, unha encravada... E pensar que quase toda pereba era letal há um par de séculos, quando o homem ainda não tinha inventado propriamente a indústria farmacêutica. Dependíamos tão somente dos frutos que a natureza dava para curar qualquer tipo de mazela, das mais brandas às mais terríveis. Higiene era coisa ainda não inventada e quase tudo o que se não compreendia entrava na conta de Deus ou do Diabo. O único conhecimento permitido era o que vinha dos doutos e estudados homens universitários. Mulheres que dominavam o algum conhecimento de ervas terminavam seus dias, em geral, numa boa fogueira em praça pública.

Há que se concluir que não éramos muito espertos. Reis e rainhas, contudo, por mais que fossem devotos de Cristo e dos evangelistas, apelavam para a boa ciência (às vezes até de hereges como os sábios sarracenos que habitavam o sul da Europa) para escaparem das doenças. Tinham a melhor das desculpas: se não fossem exatamente os ungidos de Deus para governarem, eram os que mandavam. E pronto, acabou! A morte de um monarca dava um trabalho danado. Os nobres lutariam entre si pelo cargo, a Igreja era capaz de botar um bispo na Regência, os príncipes se desentenderiam, invasores se aproveitariam da situação... Dava uma novela!

Por isso valia tudo para curar um rei.

Nessa época, os médicos tinham uma teoria de que remédio era todo alimento ou a erva que se parecesse com o membro do corpo doente. A isso chamavam de doutrina das assinaturas. Coisa que veio da Grécia e acabou ficando porque ninguém foi muito incentivado a praticar ciência e medicina naqueles tempos.

Gengibre curava males do estômago porque era tortinho como o órgão. Coincidentemente (ou não), a danada da raiz é boa mesmo para tratar de alguns transtornos digestivos. Outra coincidência era a bolsa-de-pastor, com raminhos fininhos e fruto em formato de copas, usada para melhorar problemas de circulação do sangue e hemorragias.

A matéria é da BBC Brasil:

Rei Henrique VIII da Inglaterra

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Rei doido, rei paranóico. Todo mundo assistiu "A Outra" ("The Other Boleyn Girl") em que o rei inglês manda cortar as cabeças de todas as ex-esposas. Ou de Jonathan Rhys Meyers (tudo a ver com o monarca real, super bem escalado!...) na série "The Tudors". Lembra? Pois é.. nem sempre Henrique foi assim. Dizem que o moço mudou muito depois que machucou a cabeça em um torneio de justa em Greenwich, em 1536. A lança do oponente entrou rosto adentro e ele ficou inconsciente por horas, depois que o cavalo em que montava também caiu por cima dele.

Foi curado dos ferimentos, mas ficou com um parafuso um tanto solto. De homem generoso passou a ser um tirano assassino e maníaco depressivo. Enxaquecas e cefaleias terríveis atormentavam o pobre homem. E um Rei Henrique VIII com dor de cabeça ninguém na corte aguentava. Vai ver que era por isso que mandava decepar cabeças por qualquer motivo.

O remédio de Henrique era nozes. Muitas delas! Porque se assemelhavam a um cérebro.

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

A silhueta "esbelta" de Henrique, cultivada com 5,5 mil calorias diárias a base de muita carne (legume era coisa de pobre, que plantava) e seu hábito de cavalgar também renderam ao rei boas hemorróidas. Imaginem o pobre do servo tratando disso? Coisa super valorizada na época! O rapaz inspecionava as fezes reais em busca de alguma coisa errada. Tratou do reto real com muito orgulho, a base de raiz de ranunculus. Ra-nun-culus. Entendeu? Porque era igual ao aspecto varizento da região.

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Para o povo, o tratamento das hemorróidas era feito a ferro quente mesmo. Socorro!

Já naquela época os reis faziam lavagem intestinal. Historiadores viram a prática pela primeira vez datada em achados do Egito antigo. O que mudou até Henrique VIII foi o uso do tabaco misturado com água para "dar uma limpeza" no trato intestinal. A plantinha tinha sido recém descoberta com a América. O uso do tabaco já era comum entre os povos americanos.

Para curar uma sífilis (coisa que Henrique deveria sofrer, segundo historiadores) injetava-se mercúrio no pênis. O povo, especialmente marinheiros, só conseguia "curar" a moléstia na cova.

Elizabeth I da Inglaterra

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Conseguiu achar a mulher na foto? Essa é Elizabeth I da Inglaterra, uma das filhas de Henrique que batalhou para subir ao trono que tinha uma ninhada de candidatos elegíveis. Beth foi dessas mulheres porretas, mulher severina e guerreira, que transformou a tacanha Inglaterra no maior portentado do planeta no século XVI. Ela ganhou os mares e os ouros de quase o mundo inteiro, com a pirataria praticada por seus corsários oficiais.

Era muito frugal na vida (pois não quis saber de "cocotear" na riqueza e andar atrás de homem) e no seu paladar. Ah! mas quando o assunto eram doces, ela caía em tentação. Atacava com vontade qualquer guloseima adocicada. E esse vício rendeu aos dentes reais incontáveis cáries. Morreu quase completamente desdentada.

Em determinada ocasião, Elizabeth teve uma dor de dente tão forte que o médico real foi chamado às pressas para arrancar o molar. A rainha tinha pavor dessas coisas. E quem poderia culpá-la? Se hoje é ruim, imagine há 500 anos! Tiveram que arrancar um molar de um bispo na frente dela para mostrar que o procedimento não seria doloroso. Pobre bispo... Foi a única vez que tiraram um dente da rainha. Ela deve ter visto que esse papo de "indolor" era pura balela.

Enquanto o povo podia morrer de bactérias infiltrada nos dentes, a monarca utilizava Hyoscyamus niger, ou erva louca, como era chamada. Era uma planta venenosa, que dava um barato alucinógeno, e o usuário tinha que saber como extrair os benefícios da erva. Muitas mulheres foram queimadas por manjar isso. E, como a maioria do povo não sabia e tinha medo, deixavam os dentes apodrecendo mesmo.

Em 1562, Beth pegou bexiga (varíola). O corpo ficou inteiramente pipocado de verrugas. Na época, era praga que matava em poucos dias. Confinavam-se as pessoas e outras chegavam a ser enterradas ainda moribundas. A rainha se curou a muita custa dos seus médicos, mas as cicatrizes a marcaram para sempre. É igual cicatriz de catapora. E rainha não pode ter pele de pebleu seborrento, né?!

Foi por causa disso, ela passou a cobrir completamente o rosto com maquiagem branca. Na época não havia tom de pele e o branco dava um aspecto virginal, de pureza e santidade que a danadinha lutava para manter.

O remédio para suavizar as cicatrizes era a romã, pela semelhança da fruta com as marcas deixadas pela varíola. Se deu certo a gente não sabe, mas na época não havia muito conhecimento da arnica.

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pilarmag
Escritora, psicóloga de parentes e amigos, experimentada na cozinha e na Comunicação, já pipocou na chapa quente de grandes jornais e empresas, mãe de cachorro, esposa prendada e tirana, mulher sensível e chorona, teóloga meia boca, fã de Neil Degrasse Tyson. Namastê! Prazer em te conhecer.