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George teve seu primeiro dia na escolinha. E nós vibramos com tanta fofura!

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita

Um pouco sobre o método montessoriano

George teve seu primeiro dia na escolinha. E nós vibramos com tanta fofura!

Você lembra do seu primeiro dia na escolinha? Eu não, mas minha mãe disse que tentava a todo custo controlar o choro na entrada da casa que me serviria de educandário, enquanto eu dava uma mãozinha para a tia, toda serelepe, e com a outra dava tchauzinho feliz para minha pobre mãezinha de coração partido. Novas mamães do mundo: este dia chegará para você. Se já chegou, cada uma tem aquela experiência para contar sobre esse rito de passagem tão importante na vida dos nossos pequenos. Não sou mamãe ainda, mas sou aquela tia fã inconteste dos filhos das amigas. :) E sei que a socialização institucional é uma das fases mais importantes na vida de qualquer pessoa. Afinal, nossa existência inteira é uma sucessão de instituições.

Assim que vi a foto de Georgie (é como eu chamo o príncipe mais pop de todos os tempos), tive a certeza no olhar dele de que, apesar do medo que devia estar sentindo por estar entregue a pessoas estranhas pela primeira vez, percebi um lampejo de confiança necessária. Não a qualquer futuro rei, mas a qualquer pessoa. É certo que, diferentemente de outras crianças, o rapazinho aprendeu desde cedo a estar rodeado e pajeado por inúmeros empregados, enfermeiras, psicólogos, pedagogos, psicomotricistas, entre profissionais que nem sei o que fazem direito. No entanto, diga lá você: chegar a ambiente novo, com coleguinhas novos, sempre haverá de dar aquele frio na barriga. Ainda mais se a barriguinha for pequenininha mesmo!

A escola da jovem família real é a Westacre Montessori School, em Norfolk, no Leste da Inglaterra. Dista 172 km de Londres, o que dá uns 40 minutos de helicóptero. Certo que não é problema para o duque de Cambridge!

George teve seu primeiro dia na escolinha. E nós vibramos com tanta fofura!

A linha pedagógica de Westacre, como diz no próprio nome dela, é montessoriana. Esse tipo de educação foi concebido pela médica e educadora italiana Maria Montessori, na virada do século XIX para o XX. Curiosamente, foi o método da minha primeira escola. Confesso que não tive muita sorte com esse tipo de ensino nos meus primeiros anos, mas acredito que o insucesso se deva mais ao despreparo das professoras com essa linha, não muito comum no Rio de Janeiro dos anos 80. É preciso ter muito jeito e respeito com as criancinhas.

O método consiste em recepcionar os pequerruchos de igual para igual. Como se estivessem recebendo um amigo em casa, com apertos de mãos e eventuais abraços, de acordo com o jeito da criança. Em vez de igualar todas elas em um determinado comportamento, os professores dão liberdade para que cada uma aja de acordo com a própria personalidade no ato de cumprimentar. Assim, dá-se início à socialização de uma geração de pessoas capazes de pensar e agir de forma genuína.

Na sala de aula, são oferecidos materiais sensoriais, matemáticos, de linguagem, de ciência e de convivência social. Curiosamente, quando eu era pequena preferia sempre os geométricos e matemáticos. Fascinavam-me as formas. E talvez a falha com esse tipo de ensino na minha primeira escolhinha tenha sido fundamental para que eu me afastasse desse maravilhoso universo. Aliás: o "Material Dourado", aquela caixa de madeira com quadradinhos, barras, placas, etc, foi criado pela Dra. Montessori.

No trabalho com esses materiais, a concentração é fator de extrema importância. As tarefas são precedidas por uma intensa preparação, e, quando terminam, a criança se solta, feliz com sua concentração, comunicando então com seus semelhantes num processo de socialização. Os professores precisam entender, no entanto, que cada aluno tem seu tempo. Dessa forma, cada criança terminará a tarefa em momentos diferentes.

A livre escolha das atividades pela criança é fundamental. A ideia é estimular a personalidade dela, com respeito, para poder educar as tendências e dirigir o pensamento original, sem agressão ao "espírito" dos pequenos. Estimula-se, assim, o poder criador dos futuros adultos.