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A arte do Velho Chico

Pilar Magnavita
há 2 anos13 visualizações
A arte do Velho Chico
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Quem já teve a incrível oportunidade de visitar o rio São Francisco sabe que ele é a vida para habitantes de 521 municípios nos seus quase 3 mil quilômetros de extensão. Todo o sustento, cultura, arte e entretenimento dessas pessoas têm como origem essas águas. A produção e a criatividade de peças e objetos de arte encerradas nesse extenso ambiente é algo que nós, habitantes do Sul e Sudeste do Brasil temos que conhecer! Tanto pela riqueza da diversidade quanto pela qualidade que esses inventivos artistas desenvolveram, nas técnicas do bordado e das artes plásticas. E fico muito feliz quando descubro que projetos antigos de promoção dessa cultura local, com pouco investimento, conseguem sobreviver até hoje.

A arte do Velho Chico

Ampliando Saberes é um projeto incrível de promoção e ensino da arte e cultura dos povos do São Francisco. Ele consiste em um barco itinerante ao longo das águas do rio e que promove oficinas com artesãos locais especialmente para jovens e crianças. A embarcação, Santa Maria, também realiza exposições de artistas ribeirinhos, desfilando as peças às cidades vizinhas.

A arte do Velho Chico
A arte do Velho Chico

O projeto foi idealizado pela artista plástica Maria Amélia Vieira, de Maceió (Alagoas), para revelar talentos nas áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos. De povoado em povoado, o barco-museu vai cumprindo seu objetivo: espalhar a cultura ribeirinha para que, de mão em mão, ela atravesse mais e mais gerações.

Quando o barco atraca numa cidade ribeira do baixo São Francisco (Sergipe e Alagoas), a população é imediatamente atraída. Traz consigo exposições de arte popular e contemporânea, materiais e maquinários diversos como câmeras fotográficas, filmadoras, tintas, papeis, lápis de cor, argila. Isso tudo é gratuito e, por isso, cria condições ideais para o desenvolvimento e fortalecimento da cultura regional.

O mais interessante é que, nessas regiões, os moradores desenvolvem técnicas altamente modernas de design, como cradle-to-cradle (que é conceber uma peça para que tenha ciclo de vida quase infinito com reaproveitamentos), ensinadas atualmente nas grandes escolas de design de Zurique e Milão. É o caso da bonequeira Dona Morena (abaixo, com Maria Amélia Vieira), de 89 anos, que recicla bordados.

A arte do Velho Chico

Esse conhecimento é repassado para futuras gerações. As crianças aprendem técnicas da arte e da reciclagem com os mais velhos, nas oficinas promovidas pelo Ampliando Saberes.

A arte do Velho Chico

O artista urbano que conhece o Chico se encanta. O estilista fashion week, fotógrafo e mil em um Ronaldo Fraga realizou em 2011 uma grande mostra itinerante, por 12 cidades brasileiras, com diversos trabalhos inspirados no quinto maior rio do Brasil.

A arte do Velho Chico

 Bateu uma saudade de ti, Velho Chico! 

A foto abaixo, inclusive, tirei no delta do rio ano passado. Incrível.

A arte do Velho Chico

#SãoFrancisco #riosaofrancisco #saofrancisco #velhochico #arte #bordadeiras #ampliandosaberes #nordeste #projetosocial

"Salaam, Kabul"

Pilar Magnavita
há 2 anos14 visualizações

A paisagem estéril e montanhosa em nada parece acabrunhar o povo que ali vive. O vento seco que corta o interior das narinas não intimida os jovens, que se divertem em parques artificiais da capital, que representa a punjante esperança para o restante do reino. Falam e cantam em língua estranha, ocasionalmente metendo algumas palavras em inglês para efeito de conversa. Moças elegantemente trajadas em tubos bem geométricos de tramas grossas conversam animadamente com colegas sobre revistas de moda, relacionamentos e as aulas que acabaram de ter na universidade. Retocam o batom vez ou outra, aquietam os cabelos laqueados sacudidos por um vento fortuito e algumas registram na rolleiflex o idílico que toma a cena, ornada por edifícios cubistas tal qual expoentes do modernismo como Niemeyer costumavam arquitetar.

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Feirantes de turbantes povoam as ruas menores, com quitandas abarrotadas de frutas secas e legumes frescos, que parecem ter brotado por milagre de terra tão infértil. O cheiro de especiarias se eleva e se mistura com a nuvem de poeira que rajadas ocasionais de vento trazem dos arredores e levantam do asfalto meio bege. Fuscas, Kombis e Cadillacs disputam espaço com carroças em novas avenidas e calçamentos. Enquanto o imponente castelo do Xá desponta glorioso próximo ao rio Darya, o inóspito teima em tomar a civilização. O povo nem dá conta. Tudo é luz, música e esperança. Ninguém nota a fatal tempestade de poeira que vem de atrás das montanhas.

Essa é a Cabul de 1960. Parece inacreditável que a cidade tinha tudo para se tornar uma punjante capital, capaz de inspirar todo um país rumo à modernidade. A cultura tradicional do povo mesclada há séculos com a doutrina do profeta Mohammed parecia a combinação perfeita do ideal muçulmano: glória a Alah, razão e evolução eram as bases que o Xá Mohammed Zahir Shah, educado na França, tinha para sua gestão. O que ele não dimensionou foi que a rápida modernização da capital, iniciada por seu pai, o Xá Mohammed Nadir, começou a atrair o povo dos estéreis vales do restante do Afeganistão. A medida que chegavam à cidade, traziam na bagagem a esperança casada com a pobreza. Ela, mãe de todas as mazelas.

Aos desafortunados desatendidos, aos descrentes da política, a bandeira vermelha chegou em 1979, com 10 mil pares de botas marchando sobre Cabul e cobrindo de poeira toda a nação já engasgada com o pó provocado pela desigualdade. O Xá nada pode fazer. Quando acordou do seu sonho, o Afeganistão já havia se perdido no meio da ignóbil e pusilânime ambição bilateral da Guerra Fria.

Aqui no ocidente temos ideia do que foram os anos 60 para os moradores de Cabul.  Uma reportagem do Bored Panda revela da época, sob os olhos do professor americano Bill Podlich, expatriado em Cabul em 1967 a trabalho pela Unesco.

Ao todo, são 20 imagens que traduzem o espírito tranquilo e a desigualdade naquela época em que a modernidade começava a chegar no árido Afeganistão.

#1 Jovem fotógrafa nos Jardins Paghman

"Salaam, Kabul"

Após a guerra civil...

"Salaam, Kabul"

E hoje, restaurado:

"Salaam, Kabul"

#2 Estudantes em aula na Escola de Docência de Cabul

"Salaam, Kabul"

#3 Viagem de ônibus

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#4 Sala de aula mista

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Hoje:

"Salaam, Kabul"
"Salaam, Kabul"

#5 Colegiais

"Salaam, Kabul"

Hoje:

"Salaam, Kabul"

#6 Dança no jardim de infância

"Salaam, Kabul"

#7 Sala de aula das classes mais pobres (Aulas no jardim)

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#8 Um hound

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#9 Decorando Bolos

"Salaam, Kabul"

#10 Irmã mais velha

"Salaam, Kabul"

Família classe média baixa atual no mercado

"Salaam, Kabul"

#11 Hora do rush

"Salaam, Kabul"

Hoje:

"Salaam, Kabul"

#12 Compartilhando chá e música

"Salaam, Kabul"

Histórico concerto de rock só para mulheres em Cabul, em 2010, performado por Farhad Darya:

"Salaam, Kabul"

#13 Escola Americana Internacional em Cabul

"Salaam, Kabul"

#14 Comprando scarf

"Salaam, Kabul"

Comprando scarf hoje:

"Salaam, Kabul"

#15 Loira e afegãos

"Salaam, Kabul"

#16 Estacionamento da Escola Americana Internacional em Cabul

"Salaam, Kabul"

#17 Fritando a sobremesa (são bolos tradicionais afegãos)

"Salaam, Kabul"

Pastel!

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#18 Desfiladeiro em Cabul

"Salaam, Kabul"

#19 Motorista de ônibus

"Salaam, Kabul"

Atual ônibus municipal em Cabul:

"Salaam, Kabul"

#20 Túnel Salang 

"Salaam, Kabul"

Hoje:

"Salaam, Kabul"

#Bonus: Estudantes universitárias em Cabul

"Salaam, Kabul"

Estudantes universitárias de Cabul hoje:

"Salaam, Kabul"

"Salaam, Kabul!" (na tradução, "Siga em paz, Cabul")

"Salaam, Kabul"
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pilarmag
Escritora, psicóloga de parentes e amigos, experimentada na cozinha e na Comunicação, já pipocou na chapa quente de grandes jornais e empresas, mãe de cachorro, esposa prendada e tirana, mulher sensível e chorona, teóloga meia boca, fã de Neil Degrasse Tyson. Namastê! Prazer em te conhecer.