Luz e sombra
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A Escolinha do Professor Raimundo era arte

Um professor de cabelos brancos de corte Chanel diante de uma turma que parecia ser um mobral para pessoas com sérios problemas psicológicos. Esse era um dos programas de maior audiência da TV brasileira pela direção de Chico Anysio. Ele foi um dos maiores ícones brasileiros do entretenimento. Humorista, ator, comentarista, compositor, diretor de cinema, escritor, pintor, radialista e roteirista brasileiro, notório por seus inúmeros quadros e programas humorísticos na Rede Globo, emissora onde trabalhou por mais de 40 anos.

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Confesso que assisto no canal Viva quase todos os dias. É bobo toda vida, mas ainda traz aquele humor original de rádio, meio circense e meio ingênuo, levado nas infantis piadas de grandes mestres da comédia brasileira. Hoje, tive a grande satisfação de ver cenas que foram cortadas pelo alto conteúdo de palavrões. E que mostram que o clima de gravação era mais divertido do que aquilo que vimos em 38 anos de Escolinha. Deixou de ser um quadro para ser exibido como programa de 1990 a 2002, mas brilhou ainda em muitos outros shows de Chico, incluindo o Zorra Total.

Bordões e termos de grandes personagens passaram a fazer parte do nosso vocabulário. "Zé finí", "quando eu era criança pequena lá em Barbacena", "saúde é o que interessa, o resto não tem pressa", "só pensa naquilo", entre outras expressões eram comuns na boca do povo, provando que a arte da comédia brasileira estava tão viva quanto os velhos humoristas que nasceram no rádio.

Eu chorei com esses vídeos!

Passaram pelo elenco:

Antônio Carlos Pires (o pai da Glória Pires!), como Joselino Barbacena.

Antônio Pedro como Bicalho e depois como João Abrealas e Celso Piquete.

Brandão Filho, como Sandoval Quaresma.

Cláudia Jimenez, como Dona Cacilda.

Costinha, como Seu Mazarito.

Grande Otelo, como Eustáquio.

Jaime Filho, como o cacique Suppapau Uaçu.

Lúcio Mauro, como Aldemar Vigário.

Lug de Paula, filho de Chico Anysio, como Seu Boneco.

Marcos Plonka, como o impraticável Samuel Blaustein.

Mário Tupinambá, como Bertoldo Brecha.

Nizo Neto, outro filho de Chico Anysio, como Ptolomeu.

Orlando Drummond, como o inesquecível Seu Peru.

O genial Rogério Cardoso, como Rolando Lero.

Pedro Bismarck, como Nelson da Capitinga.

Stella Freitas, como Dona Cândida.

Walter D'Ávila, como Baltazar da Rocha.

Zezé Macedo, como a Dona Bela.

Não dá para esquecer, né?!

#Escolinha #ProfessorRaimundo #comédia #TVGlobo #televisão #ChicoAnysio

Frida

Pilar Magnavita
há 2 anos21 visualizações

Aquelas paredes de azul cobalto tão castigadas pela chuva de verão daquela manhã quente seriam o eterno abrigo de Madaglena. A menina era a sexta filha de Carl Wilhem Kahlo, um alemão-húngaro que largou tudo o que já não tinha nas terras prussianas para tentar a vida no mundo novo. Ele trabalhava com Matilde, mãe de Madaglena, numa joalheria. De início, não prestou atenção nenhuma nela, mas depois que o nascimento da sua terceira filha levou sua mulher Maria, ele se viu desolado e carente. E Matilda deixou de ser uma exótica mestiça de espanhóis e índios para se tornar a mãe de suas outras quatro meninas.

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Frida

Quando Madaglena nasceu, trouxe com ela toda aquela esperança de século que começa, em meio a tantas maravilhas científicas sendo inventadas. Trouxe ainda a veia artística do pai, que largou a joalheria para virar fotógrafo, ofício que aprendeu com o sogro Antônio nas praças da minúscula Coyoacán, no México.

Frida

Madaglena era a estrela daquela casa azul. Tinha tanto talento para o riso quanto para o choro escandaloso. Na confusão daquele casamento sem amor, ela se aproximava do pai mais do que da sua mãe.

Frida

Até o dia que pegou Pólio, aos seis anos. Ou ao menos foi o que os médicos disseram na época. Por um mês sofreu com a doença sobre uma cama e acabou por ver o pezinho direito minguar de tal maneira que não houve salvação. O pai fez de tudo para salvar a perninha da filha, mas não conseguiu muita coisa. Madaglena Carmen Frieda Kahlo y Calderón iria ser conhecida na escola por "Frieda Perna de Pau" e o bullying a levaria a uma mortal vergonha do próprio corpo. Mal sabia ela que a carne iria sofrer muito mais no futuro. Passou, assim, a usar calças. Abaixo, Frieda (à esquerda) posa com os pais, irmãs e primos, em roupas de homem.

Frida

Entre 1922 e 1925, Frieda Perna de Pau frequentou a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México. Ela é uma das apenas 35 meninas que estudavam na instituição, com esperanças de se tornar médica.  Nessa época, o governo passou a financiar renomados artistas mexicanos para pintarem muros em igrejas, escolas, bibliotecas e edifícios públicos. Ela conheceu assim o nome Diego Rivera, com o mural "Criação", estampado no auditório da própria escola. 

Frida

O coração inquieto a levou ao grupo Los Cachuchas, um grupo político que apoiava as idéias socialistas-nacionalistas e dedicou-se intensamente à literatura. Alejandro Gómez Arias, que mais tarde se torna noivo de Frieda, é o líder do grupo. Ela muda a grafia do seu nome alemão para algo mais nacionalista, tirando o "e" e passando a ser conhecida apenas como Frida. E, imbuída desse espírito, propagou aos quatro ventos ter nascido em 1910, no ano da Revolução Mexicana, reduzindo sua idade verdadeira em três anos.

Ela publicou poemas e passou a trabalhar no estúdio do pai, onde aprendeu a arte da Luz e da Sombra: a fotografia. Em 1925, ela passou a prestar seus serviços de gravura na gráfica de um amigo do pai. Ela tinha 18 aninhos.

E com essa tenra idade, sofreu outro grande baque na vida. Um dia deixou pegou um bonde da escola para casa. Uma máquina que iria ter como destino não o bairro de Frida, mas um trem em alta velocidade. O pára-choque de um dos veículos perfurou as costas de Frida, atravessou a sua pélvis e saiu pela vagina, causando uma grave hemorragia. Foram meses com a vida a fio, a beira da morte no hospital. Sofreu incontáveis operações para consertar o corpo totalmente retalhado. Novamente presa a uma cama, Frida encontrou na arte com a qual se pai sempre flertou nas horas vagas algum tipo de conforto para o espírito atormentado. O viço na juventude, que começava a desabrochar, já dava adeus. A menina-moça havia se transformado em um Frankestein.

Ela não poderia jamais ter filhos. E para o anjinho que nem chegou a ser concebido, ela criou uma certidão de nascimento. Leonardo teria nascido no hospital onde ela foi socorrida no acidente de bonde e teria como padrinho o noivo de Frida, Alejandro Gomez Aria.

Frida

Por anos ela usou coletes ortopédicos de diversos materiais, e ela chegou a pintar alguns deles (como o colete de gesso da tela intitulada A Coluna Partida').

Frida

Durante a sua longa convalescença, começou a pintar, usando a caixa de tintas de seu pai e um cavalete adaptado à cama.

Foi então que começou a pintar de verdade e seu primeiro trabalho foi o "Autorretrato em vestido de veludo vermelho", de 1926.

Frida

No ano seguinte, Alejandro parte para Paris e Frida, recuperada, se junta à Liga Jovem Comunista. É um grupo de jovens centrados em torno do comunista cubano Julio Antonio Mella, que estava no exílio no México. Um dos membros do grupo é a fotógrafa Tina Modotti, amante de Mella e uma conhecida de Diego Rivera.

Por Modotti, Frida conheceu Diego Rivera, seu amante, seu algoz, sua felicidade, seu par. Ela mostrou algumas de suas pinturas e ele, como um homem que vê uma moça encantadora, diz que ela tem talento. Frida deixa de escrever para Alejandro no velho continente e começa uma história de vida com Diego.

Frida

Diego incorporou um retrato de Frida no mural "Balada da Revolução", no Ministério da Educação Pública. Ela aparece em um painel ele chama de "Frida Kahlo Distribui os braços". Vestido com uma saia preta e camisa vermelha, e vestindo uma estrela vermelha em seu peito, ela é mostrada como um membro do Partido Comunista Mexicano, que ela de fato se une em 1928.

Frida

Em 21 de agosto de 1929, em uma cerimônia civil na prefeitura de Coyoacán, Frida se torna a terceira esposa de Rivera. Diego tinha 42 anos, 2 metros de altura e 135 quilos. Frida tinha 22 anos, 160 centímetros de altura e apenas 44 quilos. Dona Matilde Kahlo Calderón não aprovou. "Ele é gordo, velho, comunista e ateu!" O pai de Frida não se opôs. Ele teria condições de pagar tratamentos médicos para a filha amada. Os amigos de Frida ficaram chocados, mas quem a conheceu sabia que havia naquela união a chance de Frida avançar na própria carreira como artista.

Frida chegou a engravidar de Diego algumas vezes, mas as sequelas uterinas não permitiram que ela levasse a gravidez adiante. Ela perdeu bebês e precisou abortar com os médicos da época. O sonho mais primal de Frida era ter filhos e ser mãe de um filho de Diego, mas o artista não queria crianças. Sua impossibilidade de ter crianças foi a maior dor que carregou sua vida inteira.

Frida
Frida

Rivera fez alguns trabalhos para o governo, comissionado e acabou sendo expulso do Partido Comunista. Como resultado da expulsão de Diego, Frida também deixou a camarilha vermelha.

 Logo depois, em 1929, livre para pintar, Frida faz o segundo autorretrato, "O tempo voa", inaugurando o estilo "folclórica", ​​que se tornaria sua marca registrada, sua assinatura.

Frida

O casal não se afastou do "Comunismo". Quando Leo Trotsky se exilou no México, por exemplo, Frida teve um caso com o sessentão russo descabelado e símbolo da bandeira vermelha. Os biógrafos afirmam que foi retaliação a uma traição de Diego com a irmã de Frida, Cristina.

Frida

Diego era lascivo. Desses artistas geniais, com carisma incrível e lábia maior ainda, que sentia fluir a energia sexual como cataratas do Iguaçu. E com ele Frida também explorou a própria sexualidade com outros homens. E com outras mulheres.

Alma atormentada, tentou o suicídio algumas vezes e morreu com pneumonia em casa em 1954, aos 47 anos. Não se sabe ao certo se teve uma embolia pulmonar ou uma overdose de remédios, mas Diego sofreu demasiadamente a morte da companheira, abandonando este mundo três anos depois, deixando no mundo um legado inestimável da arte mexicana.

Oportunidade de conhecer a artista

"Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas no México" chega ao Rio de Janeiro neste sábado (30/01) no Caixa Cultural, no Centro do Rio. A exposição, que levou 600 mil ano passado ao Instituto Tomie Othake, em São Paulo, exibe 30 obras (20 óleos sobre tela e dez em papel, entre desenhos, colagens e litografias). A mostra vai  até 27 de março.

Com Frida haverá outros 100 trabalhos de 14 artistas mexicanas, nascidas e radicalizadas, como María Izquierdo, Remedios Varo, Leonora Carrington, Rosa Rolanda, Lola Álvarez Bravo, Lucienne Bloch, Alice Rahon, Kati Horna, Bridget Tichenor, Jacqueline Lamba, Bona de Mandiargues, Cordélia Urueta, Olga Costa e Sylvia Fein.

Como bem explica a matéria de O Globo, "são mulheres de uma mesma geração, que compartilharam os anseios e desafios estéticos da época. Como Maria Izquierdo, que, assim como Frida, também pintava muitos autorretratos."

É imperdível!

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pilarmag
Escritora, psicóloga de parentes e amigos, experimentada na cozinha e na Comunicação, já pipocou na chapa quente de grandes jornais e empresas, mãe de cachorro, esposa prendada e tirana, mulher sensível e chorona, teóloga meia boca, fã de Neil Degrasse Tyson. Namastê! Prazer em te conhecer.