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Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016

Pilar Magnavita
há 2 anos30 visualizações
Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016
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O drama de refugiados deu o tom do World Press Photos (WPP) 2016, um dos maiores prêmios de fotojornalismo da atualidade. "Esperança de uma vida nova" foi a imagem vencedora deste ano. É de autoria do fotógrafo autraliano Warren Richardson e trata-se de um bebê sírio sendo passado por uma cerca de arame farpado durante uma fuga do controle policial e de imigração na cidade de Röszke, na fronteira entre a Hungria e a Sérvia. A foto também venceu na categoria "Spot News".

De acordo com o depoimento de Richardson na própria página, essa foi apenas uma de uma série de fotos que ele tirou ao longo de cinco dias local, testemunhando cerca de 20 mil pessoas da Síria, Iraque, Afeganistão, África, Bangladesh, Irã e Nepal atravessarem a fronteira. Havia homens, mulheres e crianças, amputados, doentes, todos com histórias para contar sobre de onde vieram e para aonde eles queriam ir.

Tanto a imagem vencedora de Richardson quanto as outras da mesma série foram verdadeiro desafio para o fotógrafo. Não somente pela aventura a qual se dispôs a documentar, mas para conseguir registrar tudo em noites de grande movimentação e sem absolutamente nenhum tipo de luz para não chamar a atenção da polícia. A câmera full-frame precisou de obturador tão aberto que é possível perceber os borrões das fotografias, do movimento das pessoas.

O júri do prêmio qualificou a imagem vencedora de Richardson como clássica e atemporal, com enorme força na simplicidade, especialmente pela presença do arame farpado.

Além da foto fe Richardson, outras imagens sobre histórias de refugiados foram contempladas em categorias diferentes. Como a do fotógrafo italiano Francesco Zizola (camarada incrível!) que clicou um barco de pesca líbio que carregava mais de 500 imigrantes até a costa italiana, no Mediterrâneo. Eles foram resgatados pela organização Médicos Sem Fronteiras. A imagem levou o segundo lugar na categoria "Questões Contemporâneas".

Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016

Na categoria "Pessoas", o esloveno Matic Zorman venceu com a imagem de uma criança síria refugiada em Preševo, na Sérvia, com um plástico cobrindo o rosto. Como se estivesse sendo asfixiada atrás de grades, né?! Gostei muito.

Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016

Sergey Ponomarev, do New York Times, levou o prêmio de portfólio na categoria "Notícias", representado pela foto de um barco que transportava refugiados sírios atracando por um deles, na ilha de Lesbos, na Grécia.

Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016

Nessa mesma categoria, na modalidade Fotografia Única, o brasileiro Mauricio Lima venceu com a imagem de um rapaz do exército do grupo extremista islâmico Isis, do Iraque e da Síria, sendo tratado com unguentos por um médico.

Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016

Lima também ficou em segundo lugar na categoria "Cotidiano", com essa imagem de meninos pulando árvores em direção à água. Parecem que estão voando, né?

Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016

O Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, também foi destaque do concurso. O fotógrafo espanhol Sebastián Liste ficou com o terceiro lugar na categoria Cotidiano (Portfólio) com imagens do cotidiano de um grupo de amigos que vivem na favela e se juntaram para formar o Coletivo Papo Reto . Eles usam as mídias sociais para comunicar histórias da comunidade que são ignoradas pela mídia tradicional.

Imagem de bebê sírio refugiado ganha o World Press Photo 2016

O concurso World Press Photo é o prêmio de fotojornalismo de maior prestígio no mundo. Nesta edição, foram selecionados 15 vencedores de 82.951 imagens apresentadas por 5.775 profissionais de 128 países. Não só os primeiros prêmios são especiais. Ao menos, para mim, todas as imagens são vencedoras pelo impacto que nos causa e pelas histórias por trás de todas.

#fotografia #fotojornalismo #arte #vida #gente #histórias

Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily

Pilar Magnavita
há 2 anos23 visualizações
Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily
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Um dos maiores portais de notícia sobre arquitetura, o Arch Daily, elegeu uma pequena construção de Vila Matilde, zona leste de São Paulo, como a melhor do ano de 2016, na categoria "Casas". Concebida pelo escritório Terra e Tuma, a morada de Dalvina Borges Ramos, de 74 anos, foi realizada com apenas R$ 150 mil, que ela havia juntado na poupança desde 1966, trabalhando como empregada doméstica na capital paulista.

Sim... com essa idade, ela ainda acorda às 6h, se ajeita e se aperta no transporte público por horas para chegar ao trabalho. Viveu 50 anos assim e ainda diz que a vida hoje está melhor, em comparação ao tempo quando saiu de Brumado, no sertão baiano, em busca de uma vida melhor. Ela relatou à Casa & Construção em outubro do ano passado, em pauta divulgada pelo escritório, que o pai dela montava a cama deles com madeira e folha de coqueiro!

Gente! Madeira e folha de coqueiro de colchão!

Vinte anos depois da mudança para o centro econômico do país, morando em casa de patrões, teve a primeira conquista: adquiriu um cantinho só para ela e o filho.

E você aí reclamando que não consegue comprar uma almofada para o sofá! Tome tento!

Ainda que o "Building of the Year 2016" da ArchDaily tenha premiado apenas a construção, a história de Dalvina é que valhe o ouro.  A seleção reconheceu outras 13 construções ao redor do mundo em categorias diferentes, entre três mil candidatas, selecionadas pelos 55 mil leitores da revista. Mas ninguém conhece a história por trás de cada uma delas.

E a história que envolve a casa da diarista Dalvina (Dona Dalva, como prefere ser chamada) é uma história de resiliência e fé, e tem a ver com a determinação do filho dela, Marcelo Ramos. Depois que a casa, que estava quase em ruínas, ter parte do teto destruído por um poste que caiu sobre a construção, o rapaz, que vivia com a mãe no local, resolveu buscar o escritório Terra e Tuma para sondar o que seria possível fazer. Mãe e filho não tinham muito, mas como a casinha estava em frangalhos, de repente uma ajuda profissional poderia ser muito útil.

Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily

A primeira opção deles era vender o imóvel. O valor que somado a uma vida de economias daria para comprar um pequeno apartamento mais afastado e, provavelmente, sem elevador, situação complicada para os 74 anos de Dona Dalva. Vocês sabem como é o mercado em São Paulo, né?! Só não é pior do que o do Rio.

Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily

Em pouco tempo aclarou-se o óbvio: não mudar. Depois de uma vida construída em Vila Matilde, junto de familiares próximos, como se mudar para um local distante e sem o conforto de ter perto vizinhos que conhecia há décadas? O escritório de arquitetura aceitou o desafio e Dona Dalva e Marcelo chamaram uma rede de colaboradores para ajudá-los nessa empreitada. Lembrem-se: a aposentada só dispunha das economias de uma vida e que não davam para muita coisa numa capital como São Paulo.

Mãos à obra, então, com o time do Terra e Tuma, Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano, Bruna Hashimoto, Giulia Sofia Galante, Jéssica Zanini, Lucas Miilher, Zeno Muica.

Alguns tinham experiência na construção de moradas populares e puderam toda a casa de Dona Dalva abaixo!

O projeto, então, tinha que ser pensado em um lote com 4,8 metros de largura por 25 metros de profundidade. A casa nova precisava ser construída o mais rápido possível, caso contrário o aluguel que mãe e filho estavam pagando para morar, enquanto o lar se reedificava, comeria as economias todas.

A equipe utilizou, então, recentes experiências com estrutura e blocos aparentes, para viabilizar uma obra de baixo custo, com maior controle e agilidade. Depois de montado o projeto, o maior desafio foi a fase inicial. Foram quatro meses demolindo cuidadosamente a casa antiga, ao mesmo tempo em que se executavam as fundações e os arrimos que escoravam as casas vizinhas, apoiadas em seus muros de divisa.

A planta é uma casa térrea, com sala, lavabo, cozinha, área de serviço e suíte no térreo, a pedido de Dona Dalva. Uma articulação entre lavabo, cozinha, área de serviço e um jardim interno conectam a sala, localizada na parte frontal, e os quartos localizados na parte posterior. Na área central da casa, o pátio cumpre a função essencial de iluminar e a ventilar. Esta área, serve também como extensões da cozinha e da área de serviço. No pavimento superior uma suíte foi projetada para receber visitas, totalizando uma área de 95m². A área sobre a laje da sala foi apropriada como horta, e poderá ser coberta, ampliando o programa da casa a fim de atender a futuras demandas.

Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily

Seis meses depois de se iniciar a execução das alvenarias a casa foi, enfim, concluída.

Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily

E ficou um máximo, né, gente?!

Espia só:

Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily
Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily
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Casa de diarista em Vila Matilde ganha prêmio de arquitetura pela ArchDaily

Adorei!

Ficha Técnica

Arquitetura: Terra e Tuma Arquitetos - Danilo Terra, Pedro Tuma e Fernanda Sakano, Bruna Hashimoto, Giulia Sofia Galante, Jéssica Zanini, Lucas Miilher, Zeno Muica

Paisagismo: Gabriella Ornaghi Arquitetura da Paisagem

Estrutura: Megalos Engenharia

Construção: Valdionor Andrade de Carvalho e equipe

Fotografias: Pedro Kok

#arquitetura #design #construção #decoração #archdaily

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pilarmag
Escritora, psicóloga de parentes e amigos, experimentada na cozinha e na Comunicação, já pipocou na chapa quente de grandes jornais e empresas, mãe de cachorro, esposa prendada e tirana, mulher sensível e chorona, teóloga meia boca, fã de Neil Degrasse Tyson. Namastê! Prazer em te conhecer.