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Mentes brilhantes preferem a solidão

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
Mentes brilhantes preferem a solidão

Já dizia o ditado: “antes só do que mal acompanhado”. Especialmente quando viajamos com uma companhia desagradável ou quando nos vemos em pleno Carnaval ao lado de pessoas que escolhem aqueles programas super de índio que, talvez, os próprios caciques proibissem nas tribos. Aí desejamos muito estar sós! É ou não é?

O negócio se complica de verdade quando queremos ficar a sós com alguma frequência, porque achamos que a conversa um tanto besta...

... ou porque gostamos de fazer coisas que a maioria não curte muito.

E se você está quase aos prantos porque acha que companhias são coisa difíceis neste mundo de Deus, eu tenho uma boa notícia para você. Enxugue as lágrimas, porque a solidão é característica dos gênios.

Isso é porque pessoas muito inteligentes têm capacidade de resgatar conhecimentos gravados na memórias, fazer referências a diferentes áreas do conhecimento (abobrinhas também valem) e curtir conversas que debatem fatos e teorias em vez de falar de pessoas. Porque descobrir coisas novas ou ângulos diferentes de uma mesma questão as estimulam e dão certo barato. E vai encontrar isso no meio do populacho?

Na verdade, a solidão desperta o medo porque costuma ser associada ao vazio e à tristeza, especialmente quando é postergada longamente por uma atividade frenética e anestesiante.

O sociólogo Eric Klinenberg, da Universidade de Nova York, autor do estudo “Going Solo: The Extraordinary Rise and Surprising Appeal of Living Alone (“Ficando só: o extraordinário aumento e surpreendente apelo de viver sozinho”, em tradução livre), está convencido de que viver só significa, também, desfrutar de relações com mais qualidade, já que a maioria dos solteiros vê claramente que a solidão é muito melhor que se sentir mal-acompanhado. Há até estudos que asseguram que a solidão facilita o desenvolvimento da empatia.

As pessoas são seres sociais, mas depois de passar o dia rodeadas de gente, de reunião em reunião, atentas às redes sociais e ao celular, hiperativas e hiperconectadas, a solidão oferece um espaço de repouso capaz de curar. Uma das conclusões mais surpreendentes é que a solidão é fundamental para a criatividade, a inovação e a boa liderança. Estudo realizado em 1994 por Mihaly Csikszentmihalyi (o grande psicólogo da felicidade) comprovou que os adolescentes que não aguentam a solidão são incapazes de desenvolver seu talento criativo.

Se você sempre foi daqueles que prefere um bom livro em vez de má companhia, aqui vão cinco pensamentos para curtir a solidão numa boa:

1. Você é sua melhor companhia. A premissa básica é mudar a crença de que quem está acompanhado está melhor.

2. Uma oportunidade para nos conhecermos melhor e descobrir nosso rico mundo interior.

3. Em vez de se torturar, é preciso aproveitar a solidão para ler, pintar ou praticar esporte.

4. Escrever um diário. Ajuda a expressar sentimentos e a contemplar-se com mais conhecimento e carinho.

5. Como indica o psicólogo Javier Urra, com a solidão recuperamos “o gosto pelo silêncio e pelo domínio do tempo”.

Não tenha medo de ser você e se sentir sozinho. Tenha certeza de que suas relações serão muito melhores e mais qualificadas. E você terá muito mais prazer com isso. Até porque, embora estejamos cercados de gente e de muitos aparelhinhos para a gente se comunicar, há um alto grau de isolamento sendo estudado nos maiores centros universitários. Não existe sensação pior de solidão que aquela que se experimenta ao estar em casal ou com gente, né?

Para saber mais, recomendo a leitura do artigo na Contioutra

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