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Novas descobertas da ciência cofirmam: você pode mudar o mundo

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
Novas descobertas da ciência cofirmam: você pode mudar o mundo

Para mudar o mundo, basta que um conjunto de 600 milhões de pessoas no globo queiram. É preciso apenas que pensem juntas e que desejem, em suma, a mesma coisa (de preferência uma coisa boa). Isso significa que, se a maioria da população da União Europeia (com 700 milhões de pessoas) praticasse a caridade e o despreendimento, o mundo inteiro a seguiria cedo ou tarde. Ou se os habitantes da Região Metropolitana de São Paulo resolvessem praticar o desapego e o amor ao próximo, o Brasil inteiro poderia se modificar para se tornar a verdadeira Canaã.

Você acredita nisso?

Novas descobertas da ciência cofirmam: você pode mudar o mundo

Pode parecer muito doida essa teoria colocada nesses termos, mas cientistas do Rensselaer Polytechnic Institute, em Troy, no estado de Nova York (estados Unidos), descobriram que, quando apenas 10% da população tem uma crença inabalável acerca de um assunto, esse pensamento tende a se espalhar pela maioria da sociedade, provocando grandes mudanças de comportamento. Os cientistas, que são membros da Social Cognitive Networks Academic Research Center (SCNARC) em Rensselaer, utilizaram métodos computacionais e analíticos para descobrir o ponto no qual a crença de uma minoria torna-se a opinião da maioria. A descoberta tem implicações para o estudo e a influência das interações sociais que vão desde a disseminação de inovações para o movimento de ideais políticos.

É claro que ter 10% das pessoas praticando o bem em um único núcleo urbano não é suficiente para modificar populações nacionais e globais, mas se esse grupo estiver espalhado, as atitudes individuais são capazes de influenciar o meio muito significativamente. É a velha máxima: "o mal prevalece porque os bons são tímidos".

A internet facilitou ainda mais isso para a gente. É como se agora nós tivéssemos a faca e o queijo na mão para fazermos do local onde moramos um lugar melhor. 

Os resultados desse estudo, liderado pelo diretor do SCNARC, Boleslaw Szymanski, foram publicados em 22 de julho de 2011, no início edição online da revista Physical Review, em um artigo intitulado "Consenso social através da influência das minorias comprometidos". O autor titular é Jierui Xie, estudante do SCNARC na época.

Um aspecto importante da descoberta é que a percentagem necessária de detentores de uma única opinião, comprometidos para mudar o pensamento da maioria, mantém-se em cerca de 10%, independentemente de como ou onde começam a espalhar as ideias na sociedade.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas desenvolveram modelos de computador de vários tipos de redes sociais. Uma das redes tinha cada pessoa ligar a todas as outras pessoas na rede. O segundo modelo incluído certos indivíduos que estavam conectados a um grande número de pessoas, tornando-os pontos focais de opinião ou líderes. O modelo final deu a cada pessoa no modelo mais ou menos o mesmo número de conexões (lembram do Orkut? Que você estava de três pessoas a cinco pessoas para chegar a Kevin Bacon?). O estado inicial de cada um dos modelos foi um mar de líderes de opinião. Cada um destes indivíduos tinha uma visão, mas também tinham mente aberta a outros pontos de vista. O que é fundamental, certo?!

Quem estudou Comunicação sabe que esse comportamento das massas é algo que foi definido por Marshall McLuhan como "Aldeia Global". E que, nesse mundo interligado por redes de comunicação, sua frase "o meio é a mensagem" ganhou carne e rosto com a internet sendo a extensão atual do homem no ambiente.

Como agentes de mudança começam a convencer mais e mais pessoas, a situação começa a mudar. As pessoas começam a questionar os próprios pontos de vista em um primeiro momento e, em seguida, começam a adotar aos poucos a nova visão para espalhá-la ainda mais. Se os pensadores originais apenas influenciaram seus vizinhos, nada mudaria e a ideia morreria.

Não se parece com o que Jesus fez com seus 13 apóstolos e mais as tantas centenas de agregados que o seguiram? E quando morreu crucificado, pediu aos seus homens: "espalhem a boa nova". Está durando mais de 2 mil anos, né?! Sinal que dá certo.

Novas descobertas da ciência cofirmam: você pode mudar o mundo

Para os que quiserem compreender o estudo, a referência para pesquisa do artigo científico (para comprar) é: 

J. Xie, S. Sreenivasan, G. Korniss, W. Zhang, C. Lim, B. Szymanski. Social consensus through the influence of committed minorities. Physical Review E, 2011; 84 (1) DOI: 10.1103/PhysRevE.84.011130

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