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"O Regresso": Crl+C e Crl+V em Tarkovsky

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
"O Regresso": Crl+C e Crl+V em Tarkovsky

Vi “O Regresso” (“The Revenant”, no original) nesta semana e realmente entendi porque Leonardo DiCaprio deveria levar o Oscar neste ano. E também compreendi porque Alejandro Iñárritu ganhou o Globo de Ouro como melhor diretor pelo mesmo filme. Toda essa grande obra cinematográfica foi buscar em grandes nomes do passado, da sétima arte, elementos que fazem de qualquer filme um filmaço. Um desses elementos fundamentais para transformar a narrativa em uma verdadeira poesia (seja de drama, ação ou romance) é a fotografia (e cinematografia, né!?). E caramba! Iñárritu humilhou nesse quesito!

"O Regresso": Crl+C e Crl+V em Tarkovsky

Nessa entrevista para o jornalista Jonathan Roomney, de “The Guardian”, ele explicou que preferiu buscar um processo roots, ou seja, sem tantos efeitos especiais. O ataque do urso ele não revela como fez (acho que foi um ator, hein...), mas a paisagem e a nevasca realmente são imponentes demais para serem irreais.

Esse estilo de filmar e os elementos fotográficos lembram demais um incógnito (para nós brasileiros!) diretor russo, da União Soviética, que ensinou o mundo a explorar pelas lentes essa batalha homem versus natureza de uma forma absurda de boa. O nome dele era Andrei Tarkosvsky, também citado na entrevista de Iñárritu ao jornal britânico.

"O Regresso": Crl+C e Crl+V em Tarkovsky

O super célebre Ingmar Bergman uma vez disse:

“Tarkovsky é para mim o melhor diretor, aquele que inventou uma nova linguagem, verdadeira para a natureza dos filmes, pela forma que ele captura a vida como uma projeção, como um sonho.”

O estilo tarkovskiano é matéria de estudo nas escolas de cinema de todo mundo (ou ao menos, nas melhores delas). É o exercício do olhar do diretor para buscar no íntimo do telespectador aquelas questões do inconsciente que são as mais profundas. Do tipo: quem sou, o que é Deus e como nos relacionamos. E isso você não se dá conta enquanto está vendo a historinha! O filme está lá passando, mostrando imagens fortes para você e indo lá fundo na tua alma, mas, ainda assim, não é possível identificar por que aquela imagem está mexendo contigo.

"O Regresso": Crl+C e Crl+V em Tarkovsky

Bicho... isso é arte!

"O Regresso": Crl+C e Crl+V em Tarkovsky

A obra de Andrei Tarkovsky é caracterizada por longos takes (tomadas), usando uma estrutura nada convencional dramática, com temas para a cinematografia que são meio espirituais e da metafísica. 

E o que é "O Regresso" se não a luta de Hugh Glass (interpretado por Leonardo DiCaprio) contra a natureza, do planeta e do homem? As cenas na igreja são símbolos dessa batalha espiritual dele.

Mais tarde, no diálogo com o índio pawnee, Hikuc, vemos também a mesma questão, quando o nativo diz que a vingança pertence a Deus.

"O Regresso": Crl+C e Crl+V em Tarkovsky

Alejandro Iñárritu pareceu ter copiado e colado cenas inteiras de filmes de Tarkosvy, apropriando-se da técnica em tudo. O diretor mexicano foi muito feliz na sua maneira de conduzir a narrativa sob esse aspecto, pois do contrário eu acho que a história ia ficar um saco! Afinal, não há uma excelente roteiro, embora a história seja muito boa.

Se quiser conhecer mais sobre a influência de Andrei Tarkovsky no filme "O Regresso" indicado ao Oscar, dá uma espiada no vídeo abaixo. E depois a gente conversa.

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