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Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Gripe, cárie, unha encravada... E pensar que quase toda pereba era letal há um par de séculos, quando o homem ainda não tinha inventado propriamente a indústria farmacêutica. Dependíamos tão somente dos frutos que a natureza dava para curar qualquer tipo de mazela, das mais brandas às mais terríveis. Higiene era coisa ainda não inventada e quase tudo o que se não compreendia entrava na conta de Deus ou do Diabo. O único conhecimento permitido era o que vinha dos doutos e estudados homens universitários. Mulheres que dominavam o algum conhecimento de ervas terminavam seus dias, em geral, numa boa fogueira em praça pública.

Há que se concluir que não éramos muito espertos. Reis e rainhas, contudo, por mais que fossem devotos de Cristo e dos evangelistas, apelavam para a boa ciência (às vezes até de hereges como os sábios sarracenos que habitavam o sul da Europa) para escaparem das doenças. Tinham a melhor das desculpas: se não fossem exatamente os ungidos de Deus para governarem, eram os que mandavam. E pronto, acabou! A morte de um monarca dava um trabalho danado. Os nobres lutariam entre si pelo cargo, a Igreja era capaz de botar um bispo na Regência, os príncipes se desentenderiam, invasores se aproveitariam da situação... Dava uma novela!

Por isso valia tudo para curar um rei.

Nessa época, os médicos tinham uma teoria de que remédio era todo alimento ou a erva que se parecesse com o membro do corpo doente. A isso chamavam de doutrina das assinaturas. Coisa que veio da Grécia e acabou ficando porque ninguém foi muito incentivado a praticar ciência e medicina naqueles tempos.

Gengibre curava males do estômago porque era tortinho como o órgão. Coincidentemente (ou não), a danada da raiz é boa mesmo para tratar de alguns transtornos digestivos. Outra coincidência era a bolsa-de-pastor, com raminhos fininhos e fruto em formato de copas, usada para melhorar problemas de circulação do sangue e hemorragias.

A matéria é da BBC Brasil:

Rei Henrique VIII da Inglaterra

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Rei doido, rei paranóico. Todo mundo assistiu "A Outra" ("The Other Boleyn Girl") em que o rei inglês manda cortar as cabeças de todas as ex-esposas. Ou de Jonathan Rhys Meyers (tudo a ver com o monarca real, super bem escalado!...) na série "The Tudors". Lembra? Pois é.. nem sempre Henrique foi assim. Dizem que o moço mudou muito depois que machucou a cabeça em um torneio de justa em Greenwich, em 1536. A lança do oponente entrou rosto adentro e ele ficou inconsciente por horas, depois que o cavalo em que montava também caiu por cima dele.

Foi curado dos ferimentos, mas ficou com um parafuso um tanto solto. De homem generoso passou a ser um tirano assassino e maníaco depressivo. Enxaquecas e cefaleias terríveis atormentavam o pobre homem. E um Rei Henrique VIII com dor de cabeça ninguém na corte aguentava. Vai ver que era por isso que mandava decepar cabeças por qualquer motivo.

O remédio de Henrique era nozes. Muitas delas! Porque se assemelhavam a um cérebro.

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

A silhueta "esbelta" de Henrique, cultivada com 5,5 mil calorias diárias a base de muita carne (legume era coisa de pobre, que plantava) e seu hábito de cavalgar também renderam ao rei boas hemorróidas. Imaginem o pobre do servo tratando disso? Coisa super valorizada na época! O rapaz inspecionava as fezes reais em busca de alguma coisa errada. Tratou do reto real com muito orgulho, a base de raiz de ranunculus. Ra-nun-culus. Entendeu? Porque era igual ao aspecto varizento da região.

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Para o povo, o tratamento das hemorróidas era feito a ferro quente mesmo. Socorro!

Já naquela época os reis faziam lavagem intestinal. Historiadores viram a prática pela primeira vez datada em achados do Egito antigo. O que mudou até Henrique VIII foi o uso do tabaco misturado com água para "dar uma limpeza" no trato intestinal. A plantinha tinha sido recém descoberta com a América. O uso do tabaco já era comum entre os povos americanos.

Para curar uma sífilis (coisa que Henrique deveria sofrer, segundo historiadores) injetava-se mercúrio no pênis. O povo, especialmente marinheiros, só conseguia "curar" a moléstia na cova.

Elizabeth I da Inglaterra

Remédios curiosos que Henrique VIII e Elizabeth I usavam no século XVI

Conseguiu achar a mulher na foto? Essa é Elizabeth I da Inglaterra, uma das filhas de Henrique que batalhou para subir ao trono que tinha uma ninhada de candidatos elegíveis. Beth foi dessas mulheres porretas, mulher severina e guerreira, que transformou a tacanha Inglaterra no maior portentado do planeta no século XVI. Ela ganhou os mares e os ouros de quase o mundo inteiro, com a pirataria praticada por seus corsários oficiais.

Era muito frugal na vida (pois não quis saber de "cocotear" na riqueza e andar atrás de homem) e no seu paladar. Ah! mas quando o assunto eram doces, ela caía em tentação. Atacava com vontade qualquer guloseima adocicada. E esse vício rendeu aos dentes reais incontáveis cáries. Morreu quase completamente desdentada.

Em determinada ocasião, Elizabeth teve uma dor de dente tão forte que o médico real foi chamado às pressas para arrancar o molar. A rainha tinha pavor dessas coisas. E quem poderia culpá-la? Se hoje é ruim, imagine há 500 anos! Tiveram que arrancar um molar de um bispo na frente dela para mostrar que o procedimento não seria doloroso. Pobre bispo... Foi a única vez que tiraram um dente da rainha. Ela deve ter visto que esse papo de "indolor" era pura balela.

Enquanto o povo podia morrer de bactérias infiltrada nos dentes, a monarca utilizava Hyoscyamus niger, ou erva louca, como era chamada. Era uma planta venenosa, que dava um barato alucinógeno, e o usuário tinha que saber como extrair os benefícios da erva. Muitas mulheres foram queimadas por manjar isso. E, como a maioria do povo não sabia e tinha medo, deixavam os dentes apodrecendo mesmo.

Em 1562, Beth pegou bexiga (varíola). O corpo ficou inteiramente pipocado de verrugas. Na época, era praga que matava em poucos dias. Confinavam-se as pessoas e outras chegavam a ser enterradas ainda moribundas. A rainha se curou a muita custa dos seus médicos, mas as cicatrizes a marcaram para sempre. É igual cicatriz de catapora. E rainha não pode ter pele de pebleu seborrento, né?!

Foi por causa disso, ela passou a cobrir completamente o rosto com maquiagem branca. Na época não havia tom de pele e o branco dava um aspecto virginal, de pureza e santidade que a danadinha lutava para manter.

O remédio para suavizar as cicatrizes era a romã, pela semelhança da fruta com as marcas deixadas pela varíola. Se deu certo a gente não sabe, mas na época não havia muito conhecimento da arnica.