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Será que meu filho é superdotado?

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
Será que meu filho é superdotado?

Esse aí da foto é o homem dito como o mais inteligente do mundo: o coreano Kim Ung Yon, hoje engenheiro (chupa, Sheldon Cooper!) da agência espacial americana Nasa. Com um QI de 210, começou a falar aos 6 meses, podendo conversar fluentemente com 1 ano de idade. Imaginem a mãe dessa criancinha, ainda de fraldas, fazendo cálculos cabeludos matemáticos? O que ela não deve ter pensado?

Acho que todos os pais acabam se perguntando se o filho é um gênio, quando nota essas excepcionalidade nas próprias crianças. Seja porque ele lê tudo aos quatro anos de idade. Seja porque já sabe escrever no computador aos cinco anos. Ou porque fala coisas de te deixar de cabelo em pé. Não quero jogar água fria no seu barato, mas isso tudo, embora sinais de inteligências em franca expansão, são normais para essa geração. Com estímulos cognitivos desde o útero materno (porque antigamente as grávidas ficavam isoladas da vida como se fossem doentes), as criancinhas hoje já nascem de mãos e olhinhos abertos, já celebrando a vida com todos os sentidos. Ela escuta vozes, músicas, sons de tráfego, sente ondas de celular (sim, e são muito fortes para uma gestação inicial) desde a barriguinha da mamãe... Quando chegam ao mundo, já sabem mais ou menos as coisas. Daí para mexer na tela do celular com aquela pontinha minúscula é um pulinho. E uma vez que ela vê o mundo inteiro em segundos, ela também é capaz de se desenvolver muito em tenra idade.

Eu sinto muito, Kanye...

Isso porque o desenvolvimento neural até os sete anos é tão incrível que jamais na vida teremos essa absurda capacidade que temos nessa idade. Aprendemos coisas novas a cada segundo! Observamos e imitamos, para aprender o certo em poucas repetições. Aos sete anos, já somos capazes de falar, construir discursos, concatenar a lógica de um pensamento, construir argumentos, fazer operações básicas da matemática, resolver equações simples, criar coisas novas. Somos pequenos gênios, todos nós, em sociedades mais ou menos avançadas.

Mas como saber quando a inteligência está, de fato, acima da média? Será que o tratamento deve ser diferente? E como medir esta facilidade de aprender?

Em geral, papais e mamães percebem a superdotação antes da fase escolar. A fase de questionamento, que geralmente acontece até os 3 ou 4 anos, aparece antes nestas crianças, e provavelmente jamais terá fim. A fala também pode ser precoce, mas o que deve chamar a atenção é a quantidade de palavras que esta criança domina.

No entanto, só um especialista poderá diagnosticar e confirmar se o seu filho é superdotado ou não, somente a partir dos 6 anos. Antes disso, é como falei: estamos em plena fase de expansão neural e fica difícil aplicar o teste com conhecimentos ainda parcos da criança. Não quero ser pessimista, mas a verdade é que pode ser bem difícil ter um diagnóstico positivo, porque não basta ter um QI acima da média ou desenvolver uma única atividade muito bem. E a maioria dos casos de crianças superdotadas requer pais com grande capacidade mental também. Nos indivíduos superdotados o QI é superior à 130, sendo que a média para a população geral é 100 a 110. Acreditem em mim que esse quoeficiente não é o bastante, porque eu, que aqui vos escrevo, tive o meu calculado na adolescência com 115, começando com um teste de Rorschach (aquele do papel com um borrão de tinta). E estou muito mais longe de ter uma super inteligência do que esses meros 15 pontos. Papai e mamãe foram muito (mas MUITO) exigentes comigo. No entanto, papais e mamães podem até levar o filho longe, mas não se enganem: a superdotação é inata.

O percentual no Brasil é tão pouquinho que a OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que entre 3,5% a 5% da população brasileira seja composta de superdotados.

Além do teste de QI, é preciso prestar atenção nessas características:

- Desenvolvimento neuropsicomotor precoce: a criança engatinha, anda e fala mais cedo do que o esperado, com vocabulário bastante avançado para a idade. As outras crianças não o compreendem;

- Habilidade superior para manter-se atento;

- Ótima capacidade de memória com elevada e rápida capacidade de aprendizagem;

- Persistência e motivação para a resolução de problemas;

- Aquisição precoce da leitura;

- Habilidade acima da média com números e aritmética;

- Curiosidade incomum, desejo de aprender e capacidade de elaborar questionamentos de forma ilimitada;

- Interesses em áreas específicas, podendo tornar-se especialista no assunto;

- Altamente criativo;

- Sensibilidade elevada, podendo apresentar fortes reações em relação a parte sensorial (ruídos, odores, dores), e especialmente à frustração;

- Comportamento de liderança;

- Energia elevada, o que pode ser confundido com hiperatividade, especialmente quando não estimuladas adequadamente;

- Aguçada percepção de relações de causa e efeito;

- Facilidade para estabelecer generalizações, ou seja, transferir aprendizagens de uma situação para outra;

- Elevado senso crítico: rapidez em identificar contradições e inconsistências;

- Pensamento divergente: habilidade em encontrar diversas idéias e soluções para um mesmo problema;

- Tendência ao perfeccionismo.

Os superdotados têm um nível maior de concentração, memória e raciocínio, maior capacidade de generalização e abstração, grande vocabulário e capacidade de fazer várias tarefas ao mesmo tempo. Tudo isso faz com que ela tenha mais facilidade para ler e escrever antes mesmo de entrar na escola (ou mais cedo que os colegas), e estar à frente academicamente dos colegas da mesma idade.

O cérebro

O funcionamento do cérebro destas crianças é diferente: o órgão consegue ser mais eficiente e gastar menos energia. Áreas específicas, como as que controlam a memória e as responsáveis pelo foco em uma atividade só, em geral desempenham a função muitíssimo melhor do que a maioria das pessoas. Não é uma algo sobre a ligação entre neurônios, como ocorre na dislexia. É... fazer melhor simplesmente.

É comum que o desenvolvimento cognitivo, ou seja, o desenvolvimento da capacidade de aprender, aconteça antes do que o motor (físico). Todas estas situações independem do ambiente externo onde a criança vive, mas ele pode atrapalhar ou ajudar, já que ela precisará de estímulos diferentes em casa e na escola.

As etapas de aprendizado de um superdotado e uma criança comum são as mesmas, a diferença está no tempo que elas levam para acontecer. O ritmo dos superdotados é mais veloz e, por isso, é comum que eles apresentem desmotivação na série em que estão, mas não se adaptem a um novo ano escolar ou apresentem problemas de relacionamento com os colegas da mesma idade.

Por isso a escolha da escola deve ser importantíssima! Você não quer que seu filho de sete anos frequente uma turma de crianças de 10 anos, que são maiores e mais maliciosos para a vida, não é mesmo? Não é porque seu filho é superdotado que ele é já um adulto! Vai ter medos, crises, necessidades, despertar da sexualidade e fases como qualquer outra criança e adolescente. Os professores que lidarão diretamente com a criança também devem estar preparados para todas essas questões.

Os profissionais da educação devem valorizar a criatividade, incentivar a experimentação de novas ideias, ser tolerantes com os acontecimentos não habituais e estar abertos a soluções não-programadas, além de estimular o pensamento independente e a crítica positiva. Mesmo com essa facilidade para aprender, as crianças superdotadas também precisam de estímulos, sejam por meio de elogios ou com jogos e brincadeiras.

É no campo emocional que se encontram algumas das maiores demandas dessas crianças, e dessa forma, os pais devem auxiliá-las a ter um desenvolvimento psicológico mais saudável possível. A superdotação só oferece vantagens se os aspectos psicossociais se encontram ajustados.

Fora do ambiente escolar, a criança superdotada só precisa de acompanhamento profissional caso haja problemas graves de socialização ou adaptação. Os pais devem ficar atentos a problemas de interação dos filhos com outras crianças e ter paciência: geralmente os superdotados são mais sensíveis e exigem mais atenção. Caso a situação interfira no relacionamento familiar, procurar um psicólogo seja a melhor saída.

Se quiser saber mais, esse artigo da Parenting é genial! ;o)

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