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Vivemos na Era do Plástico. E isso está nos matando

Pilar Magnavita
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Pilar Magnavita
Vivemos na Era do Plástico. E isso está nos matando

Quantas vezes você se deparou com plásticos no mar? Posso dizer, como carioca, que sempre mergulhei com isso no Posto 6, de Copacabana. E não é somente porque nosso povo é porquinho (somos exemplo de limpeza quando o assunto é banho, mas adoramos viver no chiqueiro). Também não é somente porque somos o décimo sexto país do mundo a jogar plásticos nos Oceanos, numa lista na qual nenhum outro povo latino-americano aparece no ranking dos 20 mais sujinhos. É isso tudo mais o fato de não sermos conscientes com nosso consumo. E quando falo de "ser consciente", quero dizer que não fazemos ideia, em pleno século XXI, de que tudo que vai volta. E que, pela nossa história sem grandes guerras e grandes fomes, desperdiçamos MUITO!

Em novembro de 2015, me encontrei com o psicólogo social Heinz Gutscher, da Universidade de Zurique, em evento da swissnex Brazil no Rio (uma espécie de consulado científico da Suíça no Brasil). Descobri na sua pesquisa que estamos entre os países que mais desperdiça comida, por exemplo. Aquilo que chamamos de "restos" de alimentos compõem mais da metade do nosso lixo. Só esse fato nos dá uma luz sobre o quanto jogamos coisas fora. E não reciclamos!

Nessa época, me encontrei no Rio (por meio da swissnex Brazil) com o time de pesquisadores suíços da Race for Water Odyssey, a primeira expedição no mundo para mapear o lixo plástico nos oceanos. Achei curioso o fato de uma equipe suíça, de um país que não faz fronteira com o mar, ter um dos maiores centros de estudo em oceanografia do mundo. Fiquei envergonhada de ter 9.198 quilômetros de chão do meu país banhado pelo Atlântico e absolutamente quase nenhum estudo sério dos oceanos aqui.

E os caras se despencaram lá de Bordeaux (França) em março do ano passado, a bordo de um trimarã de 70 pés, para dar a volta ao MUNDO só para identificar os cinco vórtices de lixo dos Sete Mares.

E você sabe o que são isso?

São zonas de convergência dos mares, para onde as correntes marítimas levam todo o lixo que é jogado no mar. NO PLANETA! Ou seja, meus amigos, sua escovinha de dente usada pode estar boiando lá em alto mar, a cerca 3 mil quilômetros de distância do nosso litoral. E sabe o que acontece com esse plástico? Se não mata tartarugas, peixes e pinguins, volta para sua mesa. Você sabia?

Gente, ao todo essas áreas somam mais de dois brasis de lixo plástico boiando na superfície dos oceanos, fora o que não há no leito e nos abismos! E que deve ser muito mais.

Sabia que 35% de produtos plásticos são consumidos uma única vez por apenas 20 minutos?

Sabia que o mundo produz quase 300 milhões toneladas desse material anualmente e que 10% disso tem como destino final o mar?

Sabia que se não fizermos nada, haverá uma tonelada de plástico para uma tonelada de peixe em 2050? Você estará vivo para ver e comê-los meu amigo! Isso se você não tiver o sangue contaminado pela química do polietileno.

Duvida? Olha só essas histórias de Francisco Picco, um expatriado em Páscoa, e de Piru Huke, uma das matriarcas de uma tribo Rapa Nui, na Ilha de Páscoa.

Parece um futuro terrível, se não fosse Papai do Céu mandar cá para baixo alguns espíritos empreendedores e idealistas como o do jovem holandês Boyan Slat.

Em 2013, Slat pensou sobre a iniciativa quando foi mergulhar na Grécia e viu um volume de plástico no mar maior do que de peixes. A diferença entre Slat e mim é que o rapaz criou um projeto de escola na época, que virou uma das soluções para o lixo marinho 

Com apenas 19 anos, o holandês encontrou, em 2014, uma possível solução para limpar metade do oceano Pacífico em 10 anos. O plano dele consiste em uma barreira flutuante que aproveita as correntes oceânicas fazendo uma espécie de trincheira que bloqueia o lixo encontrado nas águas.

Uma série de barreiras flutuantes, ancoradas no leito do mar, primeiro capturariam e concentrariam os detritos flutuantes. O plástico se moveria ao longo das barreiras no sentido de uma plataforma, onde seria, então, extraído de forma eficiente.

A corrente oceânica passaria por baixo das barreiras, levando toda a vida marinha flutuante com ela. Não haveria emissões nem redes para a vida marinha se enroscar. O plástico coletado no oceano seria reciclado e transformado em produtos ou em óleo.

O projeto de ciências do ensino médio foi premiado como Melhor Projeto Técnico da Universidade de Tecnologia Delft.

Agora, aos 21 anos, ele conseguiu reunir, via financiamento coletivo, US$ 2,2 milhões para começar a tarefa, e agora dá o primeiro passo da missão no Pacífico Norte, a maior área de detritos dos oceanos.

Para vocês terem uma ideia, no vídeo abaixo, da expedição Race for Water, um ONG local recolhe diariamente toneladas de lixos nas praias do Havaí, localizado no meio dessa sopa de lixo no Pacífico Norte. Acredita? TONELADAS!

Para compor este plano, Slat reuniu uma frota de 30 embarcações que percorreram no ano passado as águas entre o Havaí e a costa oeste dos EUA para quantificar a presença de resíduos ao longo de 3,6 milhões de quilômetros quadrados, segundo a The Ocean Cleanup, fundação que ele mesmo preside.

O conceito de Slat é: "Ao invés de buscar o lixo no mar, que seja o mar que traga o lixo", como ele afirmou em palestra na conferência anual TED. Para isso, ele propõe instalar em áreas estratégicas barreiras flutuantes que retenham o plástico atraído pelas correntes marítimas, com consequente economia de energia e sem prejuízo para a fauna.

Coletados, os resíduos seriam sugados por plataformas capazes de absorver 65 metros cúbicos diários de material, e posteriormente um navio o recolheria em 45 dias.

E você sabe como podemos ajudar Slat? 

Surge no design e na engenharia de produtos hoje um conceito bem interessante chamado de economia circular, em que um bem de consumo jamais encontra o fim do ciclo de vida porque ele jamais vira lixo. Depois de descartado, serve como matéria-prima para a indústria novamente. E sabem quem já faz largo uso desse conceito hoje no mundo? Pasmem, mas é a indústria de carpetes.

Uma das maneiras de fazer um produto voltar a ser matéria-prima é um sistema chamado cradle-to-cradle (do berço ao berço, na tradução livre). Os designers concebem uma escova de dente, por exemplo, para que ela possa retornar à fábrica como insumo. Isso é genial, né?! Aqui no Brasil já tem certificador para esse tipo de produto. Que é o Epea Brasil.

E nós podemos pensar duas vezes em consumir plásticos e optar por embalagens mais biodegradáveis. Como foi o caso da Califórnia...

E de uma minúscula ilha do Índico, chamada Rodrigues, próxima a Madagascar.

Vamos colaborar, meu povo! Não te custa dois minutos para salvar todo um futuro. Acredite.

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