CURIOSIDADES

A Internet vai nos deixar loucos?

Quebrando o Tabu
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Quebrando o Tabu

Por Fábio Chap

Vai. Vai nos deixar loucos e mostrar nosso pior. Mas também vai nos fazer muito bem e mostrar o nosso melhor.

É inquestionável que a tecnologia tem sido extremamente aliada da humanidade no quesito informação, mas será que comportamentalmente e culturalmente a tecnologia tem nos permitido avançar positivamente também? Ou será que, em comentários de redes sociais, estamos regredindo para o posicionamento moral de uma era medieval?

Alguns, ao se depararem com o nível dos comentários de Internet, se perguntam:

'Meu deus, como é que chegamos a esse ponto?'

Eu faço outra pergunta:

Algum dia a gente já saiu desse ponto?

A gente costuma dizer que determinado comportamento é 'medieval'. Mas o lance é, algum dia deixamos de ser bons e maus ao mesmo tempo?

Já houve algum ser humano que não violou regras, que nunca descumpriu ordens, que não quebrou pactos, algum ser que nunca ofendeu ninguém? Bem, devoções religiosas à parte, em geral concordamos que nunca existiu tal pessoa.

E aqui não vamos ser desonestos: é muito diferente, sim, o ato de fazer gato de TV a cabo do absurdo que é assassinar uma pessoa. A corrupção é obviamente mais grave do que furar a fila. Mas é sabido que conforme a oportunidade é dada, é aí que a moral é verdadeiramente testada. E todos somos moralmente reprováveis em determinado momento da vida. Muitos delitos ocorrem quando a necessidade encontra a oportunidade, mas muitos outros delitos precisaram apenas da oportunidade para serem cometidos. Sem que haja necessidade real ou imposta, alguns cometem delitos. Outros delitos acontecem sob o sentimento da raiva quando surge uma oportunidade da vingança.

No documentário 'Os Delírios do Mundo Conectado' somos apresentados à história da Internet. De como ela começou como uma ferramenta de guerra, tornou-se prioritariamente uma ferramenta da informação e agora, nessa 2ªdécada do século 21, transforma-se novamente em ferramenta de guerra.

A conclusão que se chega assistindo a esse documentário é que a Internet ainda não é uma entidade separada de quem somos nós. Internet não tem moral própria. Prevalece a nossa: humana e errática. 

Não é só de caos que vive a Internet, porque não é só de caos que vivemos nós seres humanos. Também vivemos de progresso, altruísmo, cooperação. A Internet não é uma coisa avulsa com vida própria. A internet somos nós: eu e você.

Portanto, respondendo ao questionamento inicial:

Não acho que a Internet vá nos deixar loucos. Loucos já somos. Irresponsáveis já somos. Uns mais, outros menos. A questão é: o quanto a gente assume responsabilidade pela loucura e pela irresponsabilidade e viramos o jogo: retomando para a nossa geração o poder de construir uma internet que reflita com mais intensidade o melhor de nós e que nos ajude a controlar o pior de nós.

Temos o poder de ferir e temos o poder de construir: ambos vão sempre coexistir, mas a qual poder vamos dar mais espaço e prioridade?

Responder essa questão cabe a nós.