CURIOSIDADES

A relação entre o limite de banda larga e a desigualdade social

Quebrando o Tabu
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Quebrando o Tabu

O problema de limitar a banda larga fixa é como isso pode acentuar a desigualdade social em um país que já é tão desigual. Não dá pra comparar o impacto de uma medida dessa em países como o Canadá e o Brasil. No Brasil, limitar o uso de internet por pacotes - e quem puder pagar mais, navega mais - é mais ou menos como colocar uma área VIP na rede. Um lugar em que pouca gente tem dinheiro para pagar o acesso a essa área VIP.

Beleza, ter que pagar a mais pra poder, em uma só noite, assistir uma temporada inteira no Netflix é um saco. Não tá certo e tudo bem você brigar pelos pacotes ilimitados com esse objetivo. Mas se você é de classe média e, mesmo que não seja justo, vai poder adaptar seu orçamento pra pagar mais, beleza. É zuado, mas bora. O problema é quando a gente leva em conta a parcela gigantesca da população que não tem mesmo dinheiro pra pagar o pacote extra quando a franquia mais baixa acabar.

Se a gente considerar que a internet foi a tecnologia mais revolucionária de democratização de acesso à informação que a humanidade criou no último século, baixar uma lei que diz que quem tem mais dinheiro acessa mais informação e quem tem menos acessa menos é replicar o modelo antigo, segregado, no último reduto que provê alguma igualdade de oportunidades - a web.

Num mundo que viu a cultura e até a educação serem globalizadas (pro bem e pro mal) e que todo mundo com banda larga, não importa a faixa de renda, pode baixar a mesma série, o mesmo livro, o mesmo filme e consumi-lo, você tá dando oportunidades semelhantes de consumo de cultura e de educação, pelo menos mais do que jamais a gente viu ser feito na história. Daí, limitar consumo de dados por valores é segregar. É assumir que uma grande parcela de usuários simplesmente não vai poder frequentar os mesmos lugares da internet que você. Isso é justo? Ok, muita coisa não é, mas é justamente por isso que é muito injusto mudar um dos únicos sistemas que não segrega.

Por isso, quando você estiver militando pelo direito de baixar quantas séries quiser por mês porque acha injusto pagar 30, 40 reais a mais por isso, faça isso. Mas faça isso sabendo que sua luta, na verdade, tem uma responsabilidade bem maior: a de impedir que gente em situação de vulnerabilidade social e econômica das mais diversas seja privada ainda mais do acesso à cultura e à a educação.