CURIOSIDADES

Amor platônico: um filho do machismo

Quebrando o Tabu
Author
Quebrando o Tabu

Por Maria Goretti Nagime

Amor platônico: um filho do machismo

 

Vocês conhecem a origem do termo "Amor Platônico"?

Platão escreveu um diálogo chamado "O Banquete".

"O Banquete", em resumo, fala de uma festa na casa de um sujeito chamado Agatão. No dia seguinte todos estavam de ressaca. Pausânias, amante do dono da festa, sugere que ao invés de beberem mais, falassem sobre a definição de amor.

As mulheres não participavam desses diálogos. Aliás, as mulheres não tinham voz. Não eram consideradas seres pensantes, dotadas de intelecto. E é nesse contexto que Sócrates fala da definição de uma mulher sobre o amor.

E quem era essa mulher? Diotima de Mantineia, uma sacerdotiza que vivia isolada.

Chamam a atenção dois pontos nessa historinha:

1- Diotima não estava presente. Tratava-se de uma sacerdotiza, de corpo intocável, longe, no templo. Essa valia como dona de um discurso.

2- Essa mulher não aparece falando. A fala dela foi feita através de um homem.

Nessa fala de Sócrates, Platão conclui que o que se ama é somente aquilo que não se tem e não temos como desejar aquilo que temos. Eros, o amor, teria justamente a natureza da falta.

E é daí que surge o conceito de "amor platônico", do velho machismo que idealiza a mulher distante e pura e não a considera humana, com pensamentos e vontades. Você ama a mulher que não pode tocar. O consentimento dela ferraria tudo.

“Quando fotos de uma mulher nua vazam, todos ficam felizes. Quando uma mulher decide compartilhar fotos do seu próprio corpo, todos se revoltam contra ela. A nudez só é legal quando a mulher não consente porque a cultura do estupro é real.”  - Renata Pereira Amorim