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Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

7 Documentários para abrir a mente em dias chuvosos

Quebrando o Tabu
há 9 meses2.3k visualizações

Por Fábio Chap

7 Documentários para abrir a mente em dias chuvosos
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GIRL RISING

Um documentário memorável sobre meninas de vários lugares do mundo. Na Índia, no Peru, Haiti, Etiópia, Camboja, Nepal, Afeganistão, Egito ou Serra Leoa; em todos esses países há garotas que vivem realidades as quais não sabemos nada sobre. Nesse documentário elas contam seu passado, seu presente e quais seus sonhos pro futuro. Prepare a pipoca e segure as lágrimas.

 

NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR

Cortante do começo ao fim. Esse documentário explica tim-tim por tim-tim como a marginalização leva à criminalidade.

"Enfim alguém nosso que pode ser gente. Alguém nosso que pode comprar um carrão. Alguém nosso que pode ter 5 mulheres. Um dos nossos conseguiu chegar e se dar bem na vida."

"Qual é opção que eu tenho? Se conseguir um emprego eu vou ter que trabalhador 8/10/12 horas por dia pra ganhar R$900,00. De repente, se eu me encaixo no tráfico, eu ganho R$1000 por semana. É negócio. Não é negócio? Só não é negócio pra quem nunca ficou desempregado, pra quem nunca passou fome. Pro miserável é negócio. O pessoal vai fazer fila pra querer trabalhar. Não é um emprego? É um emprego. Ganha mais que o pai."

 

TARJA BRANCA 

 "A máquina da sociedade organizada do jeito que está precisa que uma fatia considerável das pessoas tenha que, durante 8 horas por dia, tenha que fazer coisas que não gosta pra que o mundo funcione."

Um documentário belíssimo que fala sobre forjar a própria identidade, se reinventar, brincar e educar nossos filhos para o lúdico e não apenas para um mercado. "Brincar é urgente."

 

A 13ª EMENDA

Um documentário que choca pela quantidade de verdades por minuto. Séculos de escravidão deixaram feridas abertas que ainda não cicatrizaram. A maior prova disso é o sistema prisional norte-americano que, hoje, é um substituto tão cruel quanto o sistema escravocrata. Uma narrativa baseada em dados científicos e depoimentos de pessoas ligadas à segurança pública norte-americana que vai explodir a sua mente.

 

THE MASK YOU LIVE IN

O que é ser homem? A masculinidade é frágil? Se não é, porque o homem, ao longo dos séculos, tem precisado provar e afirmar essa masculinidade em todo lugar que passa? Esse documentário explica como as raízes da criação masculina estão diretamente ligadas ao sofrimento que o homem inflige às mulheres e a ele mesmo.

 

O COMEÇO DA VIDA

Os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento de uma criança. Para o futuro do planeta, também. Ser pai, ser mãe é formar a humanidade. Um documentário que explora depoimentos de pessoas de diversas nacionalidades, cores e classes sociais. Um documentário que vai te fazer rever o modo como enxerga o mundo das crianças e, por isso, como enxerga o futuro.

 

A EDUCAÇÃO ESTÁ PROIBIDA

Ninguém aguenta mais a escola como ela está. Crianças e adolescentes odeiam. Professores estão apavorados e mal remunerados. Diretores não têm liberdade para implementar novidades. Esse documentário cria um verdadeiro debate sobre qual escola queremos como sociedade. Queremos educar para o trabalho ou para a vida? Queremos uma escola que faça pensar ou que faça obedecer e decorar? Depois de assistir a essa obra-prima, você nunca mais irá pensar em escola do mesmo modo.

Nós, mulheres negras

Quebrando o Tabu
há 9 meses650 visualizações

Por Ana Paula Lisboa

“Eu sou uma contadora de histórias e gostaria de contar a vocês algumas histórias pessoais sobre o que eu gosto de chamar "o perigo de uma história única."” Assim Chimamanda Ngozi Adichie começa sua fala no TED Global em 2009.

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Eu sou mesmo uma contadora de histórias, com diploma e tudo, formada aos 15 anos. Assim como Chimamanda eu comecei a ler e a escrever cedo, não tão cedo quanto ela, é verdade. Ela é uma nigeriana, feminista, romancista consagrada aos 39 anos.

Engraçado que quem me atentou para Chimamanda foi uma amiga branca, também Ana. Ana tem o privilégio branco de ter um pouco mais de tempo para ler, ouvir, refletir e se identificar com escritoras como Chimamanda Ngozi Adichie e Alice Walker, e fazer delas a sua referência.

Voltei ao TED de Chimamanda para refletir sobre o que é ser uma mulher negra nesse momento histórico, ver nossas semelhanças e nossas diferenças.

Sim, é verdade que estamos mais representadas em números, é visível que as grandes marcas sacaram que não ter modelos mais “diversos” em suas propagandas, elimina em grande parte as possibilidades de chegar a esse público “diverso” e vender pra eles. E o que toda marca quer? Vender!

O capitalismo tá aí, pra se apropriar de discursos e ideias mesmo, todo mundo sabe. Ou deveria saber. Não nos enganemos.

Mas sabe o que realmente me irrita? Colocar todas as mulheres pretas no mesmo saco de personalidade, desejo, subjetividade e história de vida.

“Então, é assim que se cria uma única história: mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e será o que eles se tornarão”, diz Chimamanda.

O perigo da história única é nos “fantasiamos” de preta, com turbante, camisa de tecido africano, brinco com mulher usando turbante, trança, cabelo Black Power e punho erguido. A multiplicidade, individualidade e subjetividade de ser mulher e preta deve ser respeitada e não se pode entender sobre o que é ser uma mulher preta brasileira, conhecendo uma, duas ou três mulheres pretas.

Apesar de toda a admiração, gratidão e sei lá quantos adjetivos eu pudesse enumerar para mulheres como Karol Conka ou Taís Araújo, elas são “só mais” duas mulheres pretas num universo de milhões. E sim, vão existir as que não se sentem representadas por elas, e isso não é um problema, ao contrário, isso só quer dizer que a gente não vai dar conta de toda a nossa subjetividade e imaginário. Nem deveria.

Reforçar poucas representações, também é nos desumanizar e o negro é esse ser desumanizado desde a criação do mundo cristão. É só mais uma coisa sem subjetividade, sem desejo, levado pela força do braço ou pela lacração.

Chimamanda ainda diz que “a única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos. Eles fazem um história tornar-se a única história.”

Eu poderia dizer sobre centenas de mulheres negras que são quase que totalmente diferentes de mim, com desejos diferentes dos meus, com histórias parecidas ou não. Mas escolhi algumas. Somos nós.

A KAMILLA Santos tem 25 anos e se formou em Administração de Empresas na UERJ. Kamilla já arranjou muita treta por conta de racismo, inclusive vendendo brownie na universidade. Ela namora uma menina maravilhosa numa relação inter-racial há quatro anos, foi criada na igreja evangélica e está num momento de repensar a vida e suas escolhas.

Nós, mulheres negras

 

TAISA Machado, também conhecida como DJ Garota é a ariana mais derretida que que eu conheço. Mora na divisa do último bairro da zona norte do Rio, a Pavuna, e do município da Baixada Fluminense São João de Meriti. Tem 11 tatuagens e é uma das fundadoras do meu grupo musical feminino preferido, o Afrofunk Rio. O grupo surgiu da ideia de “brincar com os tambores, reconhecer a macumba dentro do funk e mostrar no corpo que todo funkeiro tem o pé e o quadril na macumba. Taisa e o grupo também dão oficinas pra “soltar o quadril e sambar na cara da sociedade”.

Nós, mulheres negras

 

TAI Barroso tem 28 e é facilitadora de processos de empoderamento social. Assim criou o “Lua em Mim”, um encontro de mulheres sobre menstruação e natureza cíclica feminina. A gente nunca se viu pessoalmente, mas eu fico observando ela daqui, ela fica me observando de lá e assim a gente vai se admirando. Tai me fez repensar um monte de coisas sobre meu corpo num momento importante, ela diz “gratidão” sua cor preferida é amarelo.

Nós, mulheres negras

 

DRÍADE Aguiar é cuiabana e a gente vive num “vamos marcar de se ver” que nunca acontece. Quando eu perguntei o que ela mais gostava do trabalho dela, ela respondeu que “no meu trabalho como Ninja, Fora do Eixo e mulher preta eu gosto do fato de que posso compartilhar com mais pessoas o fato de que existem pessoas foda no mundo. Seja numa matéria, num encontro Fora do Eixo, numa reunião trazer pessoas pra perto uma da outra e deixar que elas falem por si só”. Como eu, ela também acha que o mundo deveria começar depois das 11h da manhã e tem a noite como melhor hora do dia para ser o que quiser ser.

Nós, mulheres negras

 

Conheci LEKITA quando ela era uma menina de 16 anos. Depois de amiga, se tornou minha cunhada. Ela estava passando pela transição capilar e eu a levei no salão para fazer sua primeira trança. Hoje aos 21 ela estuda na Escola de Belas Artes da UFRJ e é meu maior orgulho.

Nós, mulheres negras

 

LUANA Bartholomeu é filha de mãe brasileira e pai angolano, viveu parte da vida aqui e parte lá, as vezes ela até se perde de saber onde está e eu acho bonito o quanto ela tenta me explicar esses dois mundos, entendendo a potência dos dois países. Ela é moradora de São Gonçalo, quase vegetariana e muito corajosa.

Nós, mulheres negras

 

KARINA Vieira eu conheci pessoalmente a pouco, ela era do Coletivo Meninas Black Power, um coletivo educacional que “consiste em incentivar a consciência do valor do cabelo crespo natural e outras características naturalmente pretas, mas, sobretudo, do valor que cada pessoa preta com quem nos comunicamos deve possuir aos próprios olhos.” É aquela pra quem eu envio mensagem quando preciso me atualizar nas series, especialmente as que tem pretas e pretos como protagonistas. Seu TCC foi sobre a “invisibilidade seletiva da mulher negra na publicidade brasileira” e hoje ela faz pós em Gestão em Políticas Sociais. Ama comer batata de qualquer forma e sua melhor viagem foi para Salvador.

Nós, mulheres negras

 

VITÓRIA Lourenço é companheira de um dos meus melhores amigos. Eu nunca imaginei Renato casado, caseiro e pai de uma menina linda, mas olha lá eles sendo família de comercial de margarina... Vitória é bruxa, está (enfim!!!) terminando Ciências Sociais e hoje faz parte do mandato coletivo da vereadora Marielle Franco. Ela vive fazendo aqueles testes loucos de internet, no último a profissão que ela deveria seguir era a de cantora. Libriana.

Nós, mulheres negras

 

Conheci PRISCILA Barbosa em 2012, na Escola Popular de Comunicação Crítica do Observatório de Favelas, na Maré. Fui entender depois que a gente estava no mesmo momento de vida: descobrindo o que queria realmente fazer da vida. Eu decidi me aprofundar mais ainda no que já fazia, ela deixou tudo pra se dedicar a ajudar outras mulheres a se reconhecerem e reconstruírem sua identidade emocional, com o blog Autoestima Diva.

Nós, mulheres negras

 

JACKELINE Oliveira é minha prima e o que eu queria contar é que ela acabou de se casar! Aos 40 anos e mãe de três filhos ela resolveu realizar o sonho de passar de branco, véu e grinalda por um tapete vermelho, com seis casais de padrinhos, pajens e daminhas.

Nós, mulheres negras

 

Eu admirava a Juliana LUNA achando aquelas minas inacessíveis, de uma rede totalmente diferente. Ela morou cinco anos na “minha” cidade: Nova York e tem na Nigéria sua segunda casa. Ela é dessas minas que tem patrocínio e 31k de seguidores no Instagram.

Imagina meu coração quando passamos a trabalhar juntas na Revista Azminas? Com Luna tive uma das conversas mais importantes da vida sobre racismo, em pleno gramado do Boulervard Olímpico, no meio da Feira Preta, as margens do Porto por onde chegavam os escravizados no Rio de Janeiro.

Nós, mulheres negras

 

Somos nós.

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quebrandootabu
Por um mundo mais inteligente e menos careta.