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A relação entre o limite de banda larga e a desigualdade social

Quebrando o Tabu
há 9 meses50 visualizações

O problema de limitar a banda larga fixa é como isso pode acentuar a desigualdade social em um país que já é tão desigual. Não dá pra comparar o impacto de uma medida dessa em países como o Canadá e o Brasil. No Brasil, limitar o uso de internet por pacotes - e quem puder pagar mais, navega mais - é mais ou menos como colocar uma área VIP na rede. Um lugar em que pouca gente tem dinheiro para pagar o acesso a essa área VIP.

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Beleza, ter que pagar a mais pra poder, em uma só noite, assistir uma temporada inteira no Netflix é um saco. Não tá certo e tudo bem você brigar pelos pacotes ilimitados com esse objetivo. Mas se você é de classe média e, mesmo que não seja justo, vai poder adaptar seu orçamento pra pagar mais, beleza. É zuado, mas bora. O problema é quando a gente leva em conta a parcela gigantesca da população que não tem mesmo dinheiro pra pagar o pacote extra quando a franquia mais baixa acabar.

Se a gente considerar que a internet foi a tecnologia mais revolucionária de democratização de acesso à informação que a humanidade criou no último século, baixar uma lei que diz que quem tem mais dinheiro acessa mais informação e quem tem menos acessa menos é replicar o modelo antigo, segregado, no último reduto que provê alguma igualdade de oportunidades - a web.

Num mundo que viu a cultura e até a educação serem globalizadas (pro bem e pro mal) e que todo mundo com banda larga, não importa a faixa de renda, pode baixar a mesma série, o mesmo livro, o mesmo filme e consumi-lo, você tá dando oportunidades semelhantes de consumo de cultura e de educação, pelo menos mais do que jamais a gente viu ser feito na história. Daí, limitar consumo de dados por valores é segregar. É assumir que uma grande parcela de usuários simplesmente não vai poder frequentar os mesmos lugares da internet que você. Isso é justo? Ok, muita coisa não é, mas é justamente por isso que é muito injusto mudar um dos únicos sistemas que não segrega.

Por isso, quando você estiver militando pelo direito de baixar quantas séries quiser por mês porque acha injusto pagar 30, 40 reais a mais por isso, faça isso. Mas faça isso sabendo que sua luta, na verdade, tem uma responsabilidade bem maior: a de impedir que gente em situação de vulnerabilidade social e econômica das mais diversas seja privada ainda mais do acesso à cultura e à a educação.

A Internet vai nos deixar loucos?

Quebrando o Tabu
há 9 meses49 visualizações

Por Fábio Chap

Vai. Vai nos deixar loucos e mostrar nosso pior. Mas também vai nos fazer muito bem e mostrar o nosso melhor.

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É inquestionável que a tecnologia tem sido extremamente aliada da humanidade no quesito informação, mas será que comportamentalmente e culturalmente a tecnologia tem nos permitido avançar positivamente também? Ou será que, em comentários de redes sociais, estamos regredindo para o posicionamento moral de uma era medieval?

Alguns, ao se depararem com o nível dos comentários de Internet, se perguntam:

'Meu deus, como é que chegamos a esse ponto?'

Eu faço outra pergunta:

Algum dia a gente já saiu desse ponto?

A gente costuma dizer que determinado comportamento é 'medieval'. Mas o lance é, algum dia deixamos de ser bons e maus ao mesmo tempo?

Já houve algum ser humano que não violou regras, que nunca descumpriu ordens, que não quebrou pactos, algum ser que nunca ofendeu ninguém? Bem, devoções religiosas à parte, em geral concordamos que nunca existiu tal pessoa.

E aqui não vamos ser desonestos: é muito diferente, sim, o ato de fazer gato de TV a cabo do absurdo que é assassinar uma pessoa. A corrupção é obviamente mais grave do que furar a fila. Mas é sabido que conforme a oportunidade é dada, é aí que a moral é verdadeiramente testada. E todos somos moralmente reprováveis em determinado momento da vida. Muitos delitos ocorrem quando a necessidade encontra a oportunidade, mas muitos outros delitos precisaram apenas da oportunidade para serem cometidos. Sem que haja necessidade real ou imposta, alguns cometem delitos. Outros delitos acontecem sob o sentimento da raiva quando surge uma oportunidade da vingança.

No documentário 'Os Delírios do Mundo Conectado' somos apresentados à história da Internet. De como ela começou como uma ferramenta de guerra, tornou-se prioritariamente uma ferramenta da informação e agora, nessa 2ªdécada do século 21, transforma-se novamente em ferramenta de guerra.

A conclusão que se chega assistindo a esse documentário é que a Internet ainda não é uma entidade separada de quem somos nós. Internet não tem moral própria. Prevalece a nossa: humana e errática. 

Não é só de caos que vive a Internet, porque não é só de caos que vivemos nós seres humanos. Também vivemos de progresso, altruísmo, cooperação. A Internet não é uma coisa avulsa com vida própria. A internet somos nós: eu e você.

Portanto, respondendo ao questionamento inicial:

Não acho que a Internet vá nos deixar loucos. Loucos já somos. Irresponsáveis já somos. Uns mais, outros menos. A questão é: o quanto a gente assume responsabilidade pela loucura e pela irresponsabilidade e viramos o jogo: retomando para a nossa geração o poder de construir uma internet que reflita com mais intensidade o melhor de nós e que nos ajude a controlar o pior de nós.

Temos o poder de ferir e temos o poder de construir: ambos vão sempre coexistir, mas a qual poder vamos dar mais espaço e prioridade?

Responder essa questão cabe a nós.

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quebrandootabu
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