YOUTUBE

Maior youtuber do mundo causa revolta com comentário racista durante gameplay

Rafael P. P.
Author
Rafael P. P.

Quanto tempo ainda vai demorar até que os números de seguidores deixem de ser passe livre para falar m....? Calma, corujas e corujos. Não estou falando de Felipe Neto. Falo do maior de todos os youtubers em números, Felix Kjellberg, o PewDiePie, com quase 60 milhões de inscritos e 16 bilhões (bilhões!) de visualizações em seus vídeos.

Maior youtuber do mundo causa revolta com comentário racista durante gameplay

Durante uma transmissão ao vivo feita no domingo, 10 de setembro, enquanto jogava o game do momento, PlayerUnknown's Battlegrounds, ele chama um oponente de "fucking nigger", injúria racial gravíssima nos Estados Unidos. Se traduzida, é gravíssima em qualquer língua. Encheu a boca para insultar, mas logo percebeu a besteira que disse e tentou amenizar com um "fucking asshole" genérico. "Não falei por mal", disse, entre risos. Abaixo, a cena, eternizada por um de seus espectadores.

Já seria um absurdo se fosse a primeira vez. Não é. Longe disso. No começo desse ano, o jornal americano The Wall Street Journal fez uma investigação e descobriu que, num período de apenas seis meses, pelo menos nove vídeos do canal PewDiePie tinham piadas antissemitas ou reprodução de imagens nazistas, o que incluiu a exibição de um homem com uma placa em que se lia "Morte a todos os judeus".

A reportagem do WSJ e a péssima repercussão do caso provocaram uma reação dolorida em termos financeiros. A Disney, que tinha uma parceria com Kjellberg em um novo projeto de produção de conteúdo, tirou o youtuber do barco, apesar de todos os seus números impressionantes. O próprio YouTube, aliás, retirou-o do grupo de canais com propaganda premium, que reúne os melhores e mais rentáveis anunciantes da plataforma.

Já nessa ocasião não bastaram os pedidos de desculpa públicos que fez. Justificou-se dizendo que não tinha intenção de ofender ninguém e que estava sendo vítima de perseguição dos grandes grupos de mídia. Talvez tenha convencido boa parte de seus fãs, já que suas visualizações continuaram praticamente inalteradas. O problema é que, no mundo do entretenimento, não interessa muito o que a celebridade pensa, o importante é que ela guarde a parte ruim para si. PewDiePie falhou miseravelmente nessa regra não escrita, mais uma vez. Quais as consequências? 

A primeira delas veio de Sean Vanaman, fundador e diretor da produtora de games Campo Santo, responsável pelo jogo Firewatch. PewDiePie fez uma série de vídeos com o jogo, e o empresário deixou bem claro em sua conta no Twitter que não planeja mais ter suas marcas associadas ao youtuber. "Estamos mandando tirar do ar todo conteúdo gravado por PewDiePie usando o jogo Firewatch ou qualquer jogo da Campo Santo", afirmou. "Estou cansado desse moleque tendo mais e mais chances de fazer dinheiro com o que a gente produz." 

Ainda é pouco, já que a Campo Santo é uma produtora independente de games, não pertence a um grande estúdio. Mas a polêmica já chega nos fãs. Até o momento da publicação deste post, PewDiePie não havia se pronunciado publicamente sobre a nova ofensa. Ontem, republicou um vídeo sobre "deslizes em livestream" que, se não foi um recado, foi de uma ironia quase inacreditável do acaso. O segundo comentário mais curtido é o de um fã que parece ter se cansado dos absurdos que saem da boca do youtuber.

Maior youtuber do mundo causa revolta com comentário racista durante gameplay

Em tradução livre: "(Eu) te apoiei por anos mas não há desculpas para isso [o xingamento racista], Felix. Você precisa ser responsabilizado como qualquer um seria. Nós temos que parar de tentar desculpar racismo e intolerância. Muito desapontado, cara."