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Já é permitido odiar Felipe Neto em público?

Rafael P. P.
há 2 meses32.8k visualizações

Se você clicou no link do título acima, já sabe quem é Felipe Neto. Por motivos jornalísticos, devo explicar que ele foi um dos pioneiros dos vlogs no YouTube brasileiro ao lado de nomes como Ronald Rios, PC Siqueira e Cauê Moura. De forma bem resumida - leviana, portanto -, ele começou a carreira colocando óculos escuros e falando mal do que fazia sucesso, fez sucesso, virou empresário, não fez tanto sucesso, voltou às câmeras, revezou cores de cabelo, revelou o irmão Luccas Neto e, com ele, fez o canal que mais rápido chegou à marca de 1 milhão de inscritos. Bastou um dia.

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Já é permitido odiar Felipe Neto em público?

Reprodução da internet

No mês passado, os irmãos inauguraram o canal conjunto mostrando a mansão onde moram e bateram o recorde do YouTube brasileiro em número de acessos em uma transmissão ao vivo: 316 mil espectadores simultâneos. Juntos, os Irmãos Neto fazem vídeos como este:

Felipe Neto tem 14 milhões de inscritos, Luccas Neto tem 7 milhões e o canal dos dois, Irmãos Neto, tem 3,5 milhões, números que certamente estarão desatualizados quando você estiver lendo isso. E não é leviandade dessa vez. É que estão crescendo muito rápido.

Já é permitido odiar Felipe Neto em público? Nos bastidores da internet, Felipe Neto é odiado há anos por boa parte de seus pares. Seria leviano dizer que existe um grupo de WhatsApp exclusivo para seus detratores, todas figuras conhecidas da internet, chocados com seus métodos empresariais e sua personalidade ferina. Uma lenda urbana. De leviano já basta o resumo que fiz de sua trajetória na internet. O problema de seus detratores é que seu maior teto de vidro é contemporâneo de seu espetáculo do crescimento.

Já é permitido odiar Felipe Neto em público?

Reprodução da internet

Trata-se da promoção “Se liga nos Neto”. É um concurso para escolher felizardos que visitarão a Netoland, nome fantasia escolhido para a mansão dos irmãos e seus amigos.

O problema? Bem… Não há qualquer problema legal. O concurso dos Irmãos Neto utiliza expediente semelhante ao do programa infantil Bom Dia & Companhia, do SBT, por exemplo. Programa esse que é um dos últimos remanescentes da TV aberta desde 2014, quando o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente considerou abusivas as campanhas publicitárias direcionadas às crianças. A Globo encerrou a programação infantil em 2015. Como manter os programas no ar? Cadê o dinheiro? Está, em parte, em concursos culturais financiados por ligações telefônicas pagas.

O problema seria ético. O conteúdo e a identidade visual dos irmãos são totalmente voltados ao público infantil. As inscrições são feitas com ligações telefônicas que custam, em letras pequenas, R$ 3,99 mais impostos. O prêmio é participar com os irmãos de desafios como futebol de sabão, touro mecânico, briga de cotonetes gigantes na piscina, todas brincadeiras de criança. Criança não tem dinheiro. Só gasta dinheiro. E não tem consciência do tamanho de sua chance. “Quanto mais você ligar e participar, mais chances você tem de ganhar!” Só 12 serão contemplados. Boa hora de lembrar que o canal Irmãos Neto teve 1 milhão de inscritos em apenas um dia. Recorde do YouTube.

Hora de vir a público? Gabriel Dantas, do canal Mr. Poladoful (4 milhões de inscritos) e apresentador de um programa de calouros do YouTube no canal pago Multishow fez um post irônico, porém afiado, no Instagram.

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Reprodução da internet

E teve resposta instantânea de Felipe Neto, que reclamou da ausência de corporativismo. O post foi apagado tempos depois, como veremos acontecer novamente adiante. 

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Reprodução da internet

Marcela Tavares (mais de 500 mil inscritos) fez um vídeo de alerta aos pais. No meio do caminho, outra estrela do YouTube, Felipe Castanhari, resolveu “soltar os cachorros” contra Felipe Neto, mas por motivos anteriores à atual polêmica. Castanhari respondeu ao vídeo que Felipe Neto fez com Dani Russo, em que resgatou uma antiga polêmica entre os dois. No vídeo, Felipe afirma que Castanhari teria influenciado a opinião da comunidade contra ele nos bastidores. Dani Russo, aliás, fez uma brincadeira sobre o assunto logo na abertura: "Eu sou a única youtuber que não odeia o Felipe Neto, hein?"

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Reprodução da internet

Castanhari, uma das poucas unanimidades da internet, também teve resposta imediata. Os tweets seguintes foram posteriormente apagados por Felipe Neto.

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Reprodução da internet

Castanhari ainda ensaiou uma tréplica.

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Reprodução da internet

Seguindo o mote da revelação em livro, Victor Berriel, do blog Jesus Manero (identificado como “JM” no diálogo abaixo), divulgou uma conversa no WhatsApp em que Felipe Neto teria tentado acusar a Porta dos Fundos de plágio. A mesma Porta dos Fundos que era concorrente da Parafernalha, canal de esquetes de humor que Felipe ajudou a criar. Berriel brincou dizendo que também divulgaria os bastidores em um livro.

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Outras personalidades do YouTube seguiram os passos de Castanhari. Mas não foi uma adesão massiva. Longe disso. Algo parecido já tinha acontecido há um ano, quando Felipe Neto criticou o blogueiro Mauricio Cid, do Não Salvo, por divulgar artistas de funk e outras "merdas". Cid respondeu, também em vídeo, lembrando que foi ele próprio quem ajudou a divulgar os vídeos do Felipe Neto nos idos de 2010. Foi muito aplaudido na esfera privada, mas a adesão pública não foi tão estrondosa.

Sobre a atual polêmica das ligações telefônicas, talvez a comunidade concorde com a fonte de renda que, afinal, está dentro da lei. Uma oportunidade de negócios? Talvez tenha medo da horda de fãs mirins, cada vez maior. Marcos Castro, humorista e youtuber com mais de 2 milhões de inscritos em dois canais sentiu a ira dos fãs dos irmãos Neto. E não fez nada para isso, apenas um trocadilho com outros irmãos famosos da internet.

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Reprodução da internet

Acabou mal interpretado, talvez por um novo público que não sabe que ele comete trocadilhos diariamente na internet. Talvez por um novo público que não sabe quem são os Irmãos Piologo. Brincou com irmãos, usou subtextos… Só pode ser treta com os irmãos Neto.

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Reprodução da internet

E esse é apenas um dos inúmeros exemplos de revolta. A Marcos Castro coube apenas lamentar.

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Aliás, talvez seja bom para os Irmãos Piologo que eles não tenham sido reconhecidos, já que Ricardo e Rodrigo Piologo, que faziam vídeos de animação para a internet desde que a única divulgação possível eram os e-mails, fizeram um vídeo há um ano criticando Luccas Neto, irmão de Felipe, por ele ter arrumado polêmica com uma menor de idade. E só “passaram o pano” porque eram amigos do irmão Felipe. Na época, polêmicas, a raiz do sucesso de Felipe Neto, ainda eram o mote do sucesso de Luccas, muito antes da banheira de Nutella, da coxinha gigante colorida e do desafio de imitadores de foca. No YouTube, um ano é uma era.

Talvez não seja o melhor momento para odiar Felipe Neto em público. Além do sucesso estrondoso online, ele e o irmão estão sendo agenciados pela Take4 Content, agência habilmente comandada pelo ex-diretor da TV Globo João Pedro Paes Leme. Temos tudo para ver o conteúdo histriônico dos irmãos mais famosos do YouTube (só para avisar, não são os irmãos Piologo, infelizmente para eles e seus fãs) cada vez mais difundido em outras mídias.

Aos detratores, o alento é Rodrigo Magal, o Magalzão, diretor do Porta dos Fundos (mais de 13 milhões de inscritos no YouTube) e o mais vocal dos críticos de Felipe Neto no Twitter. Sempre caótico como uma barata voando, ele assume um tom ligeiramente mais sóbrio para cobrar uma posição mais explícita de seus pares.

Já é permitido odiar Felipe Neto em público?

Reprodução da internet

Mesmo quase sempre isolado como porta-voz da insatisfação, ele parece lidar bem com a vingança dos fãs dos irmãos Neto. Demonstra até certo prazer, sem medo de ser leviano.

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rafaelpp
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