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PAPO DE BAR: CACHAÇA - Você prefere a macia ou a irada?

Raio Gourmetizador
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Raio Gourmetizador

Por: Raio Gourmetizador

PAPO DE BAR: CACHAÇA - Você prefere a macia ou a irada?

Carnaval chegando e as águas vão rolando. Não só da chuva, dos alambiques também. Tem muita gente que gosta mais da cachaça branquinha, tipo rascante, que é destilada e logo em seguida engarrafada. Queima a garganta? Quase sempre, seus 40 graus definidos por lei não é para brincadeira mesmo. A moda atual é usar a madeira para “amaciar” essa água bem ardente, diminuindo sua acidez e lhe dando ares mais nobres no aroma e no gosto.

A madeira mais chique é o carvalho, que não tem no Brasil, por isso esse Raio Gourmetizador acha uma bobagem seu uso, já que nosso tropical país tem pau para toda obra. E, além disso, ela fica com um jeito ainda mais brasileiro (olha só: em 2013 deixou oficialmente de ser chamada de “rum” nos Estados Unidos – salve Barack! – e desde então orgulhosamente se apresenta lá como cachaça que é). Cada vez mais livre de preconceitos, a mais brasileira das bebidas é aprimorada com o uso de madeiras nativas como umburana, bálsamo, jequitibá, castanheira, amendoim, ipê, sassafrás, vinhático, louro freijó, louro canela, angelim, jatobá, ariribá e grápia. Elas são transformadas em dornas e barricas por talentosos artesãos em cidades do interior.

Para encerrar esse capítulo (vem mais cachaça depois), vamos à origem da palavra, mas sem nenhuma unanimidade por partes dos pesquisadores: ela viria do castelhano cachaza, vinho antigamente feito com borra de uva; poderia vir também da aguardente usada para amaciar a carne de porco (chamado de cachaço na roça) ou então da pinga azedada que restava nos tanques de fermentação e que era tomada pelos escravos aqui no Brasil, não sem razão chamada por eles de cagaça.

Vai uma pinguinha aí?