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VINHO CONTENDO LEITE, OVO OU PEIXE. E AÍ, VAI BEBER?

Raio Gourmetizador
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Raio Gourmetizador

Por: Raio Gourmetizador

VINHO CONTENDO LEITE, OVO OU PEIXE. E AÍ, VAI BEBER?

Muitos vinhos europeus começam a chegar ao mercado com novas expressões nos rótulos, além do já conhecido “contém sulfito”, ou anidrido sulfuroso, um antioxidante e fungicida poderoso – sem ele, o vinho iria para o vinagre rapidinho. Agora os rótulos também poderão trazer outras menções não muito atraentes, tipo “contém leite” ou “contém ovo”. Antes que você grite argh!, saiba que as autoridades sanitárias europeias estão com o copo cheio de boas intenções: querem alertar as pessoas alérgicas a esses produtos.

Isso será feito com um selo, para finalmente revelar uma prática bem antiga. Há séculos os vinicultores europeus utilizam a caseína do leite ou a clara de ovo para clarificar e estabilizar o vinho. E também o colágeno de peixe, entre outros. São matérias jogadas na superfície do líquido, formando uma camada gelatinosa que desce lentamente ao fundo da cuba de aço ou tonel de madeira aglutinando partículas, resíduos da casca, polpa e sementes. Elas não chegam à garrafa, apenas alguns traços permanecem e podem afetar as pessoas alérgicas. Daí a determinação da EFSA, órgão europeu que cuida da segurança dos alimentos.

E no Canadá entrou em vigor no ano passado medida semelhante. Mas enquanto na Europa a obrigação vale apenas para os derivados do leite e ovo, os canadenses serão informados também que o vinho “contém peixe”. E aí, vai beber?