POLÍTICA

Baixou o espírito baiano no TSE

Ricardo Rangel
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Ricardo Rangel

O TSE incorporou o espírito baiano (com todo o respeito) — aquele que diz que “não há dia melhor do que hoje para deixar para amanhã o que não se vai fazer nunca” — e deu mais prazos para as defesas de Dilma e Temer.

Os ministros não querem julgar, porque absolver Temer é absurdo, mas cassá-lo, e lançar o país na incerteza, justamente no momento em que atravessa a maior crise de sua história, com 13 milhões de desempregados, é, sem trocadilho, uma temeridade. O julgamento ficou para maio, mas, quando maio chegar, os ministros Napoleão Maia Filho e Admar Gonzaga pedirão vistas a perder de vista. 

Ainda que o julgamento ocorra este ano, os recursos no próprio TSE e, depois, no STF, jogarão a decisão final para o ano que vem. Os ministros do Supremo e enfrentarão o mesmo dilema que seus colegas do TSE e empurrarão o julgamento com a barriga o quanto puderem.

É provável que façam a gracinha de cassar a chapa lá para agosto ou setembro de 2018. Assim, ao menos, escapam do ridículo de determinar a cassação de um presidente cujo mandato já acabou. Nesse caso, o presidente da Câmara não precisará convocar eleições indiretas, já que as eleições diretas já estarão marcadas, mas Dilma será chutada para escanteio, tendo sua candidatura a deputada cassada (a esquerda vai gritar que foi golpe etc.).

Baixou o espírito baiano no TSE