POLÍTICA

Nem pneumotórax nem tango argentino

Ricardo Rangel
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Ricardo Rangel

As pessoas de esquerda se dividem em duas grandes categorias.

1. Os “de raiz” são os que se politizaram cedo, formaram suas convicções ainda na adolescência, e tornaram-se (como tornamo-nos todos) de esquerda. Passaram-se 30 anos, o Muro de Berlim caiu, a URSS acabou, a China virou capitalista, mas eles mantêm as mesmas convicções e acham que o mundo continua a ser exatamente como era naquela época. A maioria diz que não é petista, mas defende, ainda que de maneira enviesada, Lula e o PT.

2. Os “neosolidários” são os que passaram a vida sendo apolíticos (ou “alienados” como dizíamos na época): nunca participaram de uma única discussão de bar sobre quem era o melhor ou o pior candidato numa eleição qualquer. Não se emocionaram na campanha das Diretas Já, nem na agonia de Tancredo, nem no impeachment de Collor. Até que ali pelos 40 anos de idade, descobriram, perplexos, que o mundo é um lugar injusto. E chegaram à conclusão de que o remédio para isso é o socialismo. A maioria diz que não é petista, mas defende, ainda que de maneira enviesada, Lula e o PT.

Para uns e para outros, não há pneumotórax nem tango argentino que dê jeito.

Nem pneumotórax nem tango argentino
Nem pneumotórax nem tango argentino