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O que acontece se Temer cair?

Ricardo Rangel
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Ricardo Rangel

Ainda que não haja — por enquanto — nada contra Temer pessoalmente, é virtualmente impossível negar que sua campanha foi beneficiada por dinheiro desviado, o que torna cada vez mais difícil para o TSE deixar de impugná-lo.

Além disso, houve apenas uma delação, faltam 76: não há governo que consiga trabalhar numa uma crise de tamanhas proporções. A economia não reage, Temer titubeia, seu índice de aprovação é muito baixo e cadente, e, com base nisso, uma parte da oposição já começou a pedir sua cabeça (eta, turminha golpista, sô).

É cada vez mais difícil crer que Temer consiga chegar ao final do mandato. Se cair, seu sucessor será eleito indiretamente por um Congresso que terá um terço de seus componentes sob suspeita de corrupção. Haverá uma crise de legitimidade. Seria o caso de antecipar eleições diretas? Miro Teixeira acaba de encaminhar à CCJ uma PEC com esse fim.

Direta ou indiretamente, quem será eleito? Tirando Marina Silva, que não tem nem vocação nem talento para o cargo, todos os postulantes naturais estão com suas reputações manchadas. Conseguiremos encontrar algum nome mágico de fora do Congresso?

Nesse nível de incerteza, não é difícil imaginar um hipótese crítica, em que os investimentos cairiam a zero, a recuperação econômica iria para o beleléu; a recessão se aprofundaria, a arrecadação despencaria, o deficit dispararia; o desemprego e a violência subiriam ainda mais; haveria corrida aos bancos e risco sistêmico no sistema financeiro; e, claro, convulsão social. É o cenário Grécia, sem a Alemanha e a França para ajudar —Meirelles faria bem de começar a conversar com o FMI imediatamente, por sinal.

Não, eu não sou a favor de uma operação-abafa para bloquear a Lava-Jato: como o Juiz Moro, continuo a favor da Lava-Jato, e espero que o Brasil sobreviva. Mas é bom saber onde estamos nos metendo. 

O que acontece se Temer cair?