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Todo mundo tem uma história para contar
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Espelhos

Ricardo Rangel
há 10 meses72 visualizações

Sou a favor do parlamentarismo, do voto distrital misto, da cláusula de barreira, da criminalização do caixa dois, e da maioria das propostas anticorrupção feitas pelo MP. Sou contra o voto obrigatório e contra o financiamento público das campanhas eleitorais. Essas medidas são importantes para melhorar a qualidade de nossos políticos, mas não acredito que façam milagres: o Congresso Nacional é um retrato fiel da sociedade brasileira.

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Conheço gente de tudo o que é tipo, a grande maioria inteligente e relativamente bem informada. E que rotineiramente anula o voto, que não lembra em quem votou na última eleição. Gente que defende intervenção militar (em alguns casos, "constitucional”), que vota em Jandira Feghali, em Bolsonaro, que votou em Eurico Miranda, e muita gente que até hoje pretende votar em Lula em 2018, a despeito do mensalão, do petrolão e da recessão. Em geral, recusa-se a reconhecer como elite (mas é) e reclama, com razão, que os políticos brasileiros não prestam.

Vimos um partido organizar e institucionalizar a corrupção no mensalão, de maneira a pôr o Legislativo na folha de pagamento do Executivo, num atentado à democracia, mas o reelegemos assim mesmo. Vimos esse partido fazer tudo errado na economia, mas nos enganamos achando que tudo ia bem, e o elegemos uma terceira vez. Vimos a cúpula desse partido ir para a cadeia pouco antes de a Lava-Jato desvendar um novo e ainda maior escândalo de corrupção ao mesmo tempo em que a recessão se mostrava grave e inevitável, mas optamos por acreditar em um amontoado de mentiras, e elegemos, pela quarta vez, o partido que nos levava à ruína.

Agora hostilizamos todos os políticos, e afirmamos que a culpa é deles. Parece que não temos espelhos em casa.

"Faria tudo outra vez"

Ricardo Rangel
há 10 meses49 visualizações

João Paulo Cunha, deputado federal pelo PT e presidente da Câmara no governo Lula, condenado no mensalão, ficou dois anos preso por peculato e corrupção passiva. Foi solto no início deste ano. Esta semana deu uma entrevista para a Veja contando das dificuldades que enfrentou na prisão e o que aprendeu. Um trecho:

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“O senhor se arrepende de algo?”

“Não.”

“Faria tudo outra vez?”

“Faria, porque não fiz nada de errado.”

Sem comentários.

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