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O que acontece se Temer cair?

Ricardo Rangel
há 7 meses154 visualizações

Ainda que não haja — por enquanto — nada contra Temer pessoalmente, é virtualmente impossível negar que sua campanha foi beneficiada por dinheiro desviado, o que torna cada vez mais difícil para o TSE deixar de impugná-lo.

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Além disso, houve apenas uma delação, faltam 76: não há governo que consiga trabalhar numa uma crise de tamanhas proporções. A economia não reage, Temer titubeia, seu índice de aprovação é muito baixo e cadente, e, com base nisso, uma parte da oposição já começou a pedir sua cabeça (eta, turminha golpista, sô).

É cada vez mais difícil crer que Temer consiga chegar ao final do mandato. Se cair, seu sucessor será eleito indiretamente por um Congresso que terá um terço de seus componentes sob suspeita de corrupção. Haverá uma crise de legitimidade. Seria o caso de antecipar eleições diretas? Miro Teixeira acaba de encaminhar à CCJ uma PEC com esse fim.

Direta ou indiretamente, quem será eleito? Tirando Marina Silva, que não tem nem vocação nem talento para o cargo, todos os postulantes naturais estão com suas reputações manchadas. Conseguiremos encontrar algum nome mágico de fora do Congresso?

Nesse nível de incerteza, não é difícil imaginar um hipótese crítica, em que os investimentos cairiam a zero, a recuperação econômica iria para o beleléu; a recessão se aprofundaria, a arrecadação despencaria, o deficit dispararia; o desemprego e a violência subiriam ainda mais; haveria corrida aos bancos e risco sistêmico no sistema financeiro; e, claro, convulsão social. É o cenário Grécia, sem a Alemanha e a França para ajudar —Meirelles faria bem de começar a conversar com o FMI imediatamente, por sinal.

Não, eu não sou a favor de uma operação-abafa para bloquear a Lava-Jato: como o Juiz Moro, continuo a favor da Lava-Jato, e espero que o Brasil sobreviva. Mas é bom saber onde estamos nos metendo. 

O que acontece se Temer cair?

NOHTAS sobre a infâmia de 7/12/2016

Ricardo Rangel
há 7 meses98 visualizações

Ontem, pressionando pelo Executivo, o Supremo preferiu o bom (manter a votação da PEC) ao certo (destituir um réu da presidência do Senado). São muito raras as vezes em que o bom é preferível ao certo (como na decisão sobre a prisão em segunda instância). Ontem não foi uma dessas vezes.

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Carmen Lúcia teve ontem seu batismo de fogo. E fracassou vexaminosamente.

Celso de Mello sempre foi o ministro mais bem fundamentado, que votava de acordo com sua consciência e que menos se deixava pressionar politicamente. Ontem, desmoralizou-se.

Teori Zavascki ia no mesmo caminho de seriedade de Celso de Mello, mas ontem seguiu-o no atalho da desmoralização.

Os três outros, Fux, Toffoli e Lewandowski não se desmoralizaram ontem porque não tinham como se desmoralizar.

Marco Aurélio é o principal responsável pela catástrofe de ontem, mas acertou quando afirmou que venceu o “jeitinho brasileiro”.

O Supremo, em que pesem todas as suas confusões, pairava um ou dos degraus acima da mixórdia que são o Executivo e o Legislativo. Não mais.

Quem afirma que não há problema porque não existe perspectiva de Renan suceder a Temer é cínico, pois sabe que a Constituição não se refere a momentos específicos, mas à eternidade, e esquece-se de que i) nos últimos seis meses, o Brasil livrou-se dos presidentes da república, da câmara, e, quase, o do senado; e ii) existe a perspectiva concreta de Temer ser impugnado, o que faria de Renan vice-presidente.

Estou quase torcendo para que a decisão acabe por fazer a presidência cair no colo de Carmen. Não, não porque Carmen seja melhor. Por vingança.

“Preferiram a desonra à guerra. E terão a guerra.”, disse Churchill acerca de Chamberlain e da curriola de aplacadores que tentaram comprar a paz sacrificando a Tchecoslováquia.

Benjamin Franklin foi mais abrangente do que Churchill: “aqueles que abrem mão de uma liberdade essencial em troca de uma segurança passageira, não merecem nem liberdade nem segurança.”

“Infeliz o país que precisa de heróis”, escreveu Bertolt Brecht. O que diria Brecht de um país que acha que precisa de um herói como Renan Calheiros?

Fernando Henrique perdeu uma excelente chance de ficar de fora do vexame.

NOHTAS sobre a infâmia de 7/12/2016
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