POLÍTICA

No mesmo balaio

Roberto Lameirinhas
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Roberto Lameirinhas

Por Roberto Lameirinhas

Pelo que indicam os vazamentos, praticamente não há novidades na lista apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre os citados nas delações premiadas de executivos da Odebrecht no âmbito da Operação Lava-Jato. Traz um punhado de ministros do gabinete de Michel Temer, os dois presidentes que o antecederam - Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva -, nomes-chave da oposição a Lula e Dilma, como Aécio Neves e José Serra, e uma série de políticos de praticamente todos os partidos, incluindo dez governadores.

No mesmo balaio

 Senador Romero Jucá e ministro Eliseu Padilha, dois dos citados na lista de Janot

É notícia velha - bilhete corrido, como se dizia algumas décadas atrás. Mas seu efeito político não é desprezível, a julgar pela reação inicial de citados, aliados de citados e eventuais futuros citados. Toma corpo o “grande acordo nacional” para “estancar a sangria” e “delimitar tudo como está”, com a elaboração de uma espécie de anistia que separaria o “caixa 2 do bem” do “caixa 2 do mal”.

 A tese, defendida por personalidades tão diametralmente opostas como o ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-ministro da Justiça petista José Eduardo Cardozo, é a de que doações para o caixa 2 de campanhas políticas não devem ser consideradas corrupção, mas delitos eleitorais menores vinculados a estratégias partidárias para disputas que se tornaram cada vez mais custosas com o passar dos anos. Ignora-se, seletiva e convenientemente, que a prática do caixa 2 está inapelavelmente ligada à sonegação fiscal e eventualmente a crimes de lavagem de dinheiro.  

 Políticos favoráveis a esse argumento até propõem mecanismos legais para coibir a prática a partir de agora, num golpe de astúcia: se o caixa 2 for formalmente considerado crime, fica implícito que a atividade não poderia ser considerada criminosa antes disso. E há uma possibilidade enorme do golpe “colar”.

 Outra alegação é a de que políticos que receberam “recursos não contabilizados” de empresas como a Odebrecht para suas campanhas eleitorais não ofereceram a esses doadores nenhuma contrapartida. Deve-se entender, então, que essas empresas - das quais muitas mantêm contratos milionários com o governo federal e as administrações estaduais e municipais - encheram os cofres dos partidos e os bolsos dos políticos sem que tivessem nenhum interesse além do fervor ideológico e democrático.

 Eles falam. A gente acredita.