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Odebrecht e crise diplomática

Odebrecht e crise diplomática
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Em setembro de 2008, o Brasil registrava a situação diplomática mais tensa com um país do chamado “eixo bolivariano” desde a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, em 2002. O governo equatoriano de Rafael Correa havia expulsado trabalhadores de um canteiro de obras da Odebrecht, detido diretores da empresa brasileira que estavam em território do Equador e ameaçado não pagar o financiamento de uma obra - pelo BNDES - de US$ 240 milhões.

 Todo o contexto do imbróglio era bizarro. A Odebrecht tinha entregue a principal fase da obra da usina hidrelétrica de San Francisco, que visava a resolver o crônico problema de escassez de energia do país e tornar-se principal trunfo eleitoral de Correa - que poucos dias depois submeteria a referendo um novo projeto de Constituição. Mas às vésperas da consulta popular, um problema no rotor da usina lançou o país num apagão sem precedentes, despertando a fúria do presidente.

 Cheguei ao Equador para a cobertura do referendo na semana da votação e em pleno período de queda de braço entre Correa e a Odebrecht - que atribuía o mau funcionamento da usina ao projeto equatoriano, que não levou em conta a instabilidade do solo vulcânico do local da obra. Os engenheiros da empresa estavam presos e tinham a comunicação com a embaixada brasileira restrita. No calor da campanha eleitoral, o presidente equatoriano qualificava os donos da Odebrecht de “bandidos” e “mafiosos”. Na retórica de Correa não faltaram nem mesmo referências a “ações imperialistas” do Brasil.

 Pelo lado do governo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva tentava publicamente colocar “panos quentes” na disputa, mas, em Quito, ouvi de vários diplomatas latino-americanos que o Brasil se sentia traído pela retórica de Correa - e, em particular, nem mesmo a mãe do presidente equatoriano era poupada de pesados insultos em Brasília. Ao mesmo tempo, assessores “informais” da Odebrecht caçavam a mim e a outros repórteres brasileiros em Quito para apresentar a versão da empresa sobre o incidente. Em São Paulo, Marcelo Odebrecht em pessoa visitava redações de jornais para falar sobre o caso.

 A Constituição defendida por Correa acabou aprovada no referendo, mas a temperatura diplomática não dava sinais de arrefecimento. Até que uma cúpula previamente marcada de países da Unasul reuniria os presidentes da região em Manaus. O líder equatoriano foi recebido com frieza por Lula, mas, segundo diplomatas de várias nacionalidades que estavam no encontro, coube ao venezuelano Hugo Chávez e ao boliviano Evo Morales a tarefa de “enquadrar” Correa.

 Durante coletiva, Chávez chegou a qualificar a Odebrecht como “empresa modelo para a América Latina”. A construtora brasileira tinha executado, em prazo recorde, a reconstrução de um viaduto da estrada que liga o aeroporto de Maiquetía a Caracas - cujo desmoronamento, meses antes, alimentava grande rejeição ao presidente venezuelano.

 Após retornar do Brasil, Correa convocou a imprensa ao palácio do governo e anunciou ter chegado a um acordo com a Odebrecht, que se comprometera a refazer a obra da usina. A crise, enfim, se atenuava. Só agora, porém, com as delações da Lava Jato, os laços da Odebrecht com vários governos da região se tornaram mais claros. 

Na terra do pai do Estado Islâmico

Por Roberto Lameirinhas

Na terra do pai do Estado Islâmico
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Era janeiro de 2015 e a coalizão liderada pelos EUA já dominava o território iraquiano havia quase dois anos. O Iraque realizaria, poucos dias depois, as primeiras eleições legislativas em décadas sem que estivesse sob o domínio de Saddam Hussein e seu Partido Baath. Partimos, então, eu e o premiadíssimo repórter fotográfico Juca Varella na direção de Bagdá para cobrir o processo pelo “Estadão”. Antes, porém, havia uma escala de alguns poucos dias em Amã, capital da Jordânia, de onde partiria o voo da Royal Jordanian para o Iraque.

 A parada em Amã era necessária para que pegássemos os vistos de entrada no Iraque e para que fizéssemos uma rápida incursão à Zarqa, cidade natal do sanguinário líder radical islâmico Abu Musab al-Zarqawi - chefe do grupo Al-Qaeda da Mesopotâmia e do Levante, que nada mais era do que o embrião do Estado Islâmico.

 Zarqawi chamava a atenção por sua biografia, uma das mais curiosas entre os líderes de facções que espalhavam o terror na região naqueles dias. Ele havia aderido ao Islã radical depois da falência de seu estabelecimento em Zarqa, uma video-locadora. Não deixava de ser interessante a trajetória do fracassado microempresário que alugava fitas K7 até a liderança de uma milícia de inspiração religiosa que punia até com a morte quem promovesse qualquer reprodução da imagem humana - em filmes, fotos, pinturas ou esculturas.

 Zarqa fica a cerca de 30 quilômetros de Amã e Juca conhecia um motorista - vamos chamá-lo pelo nome fictício de Mohamed - que se dispunha a nos levar até lá. Juca tinha conhecido o motorista numa viagem anterior o que nos dava alguma segurança para a viagem.

 Na manhã em que partiríamos para Zarqa, porém, Mohamed apresentou-se no hotel receoso. Queria que desistíssemos da viagem alegando que ela seria muito arriscada. Obviamente, não desistimos. Falando algo parecido com inglês, Mohamed chorou - literalmente - a viagem toda. Dizia que o local estava cheio de agentes da polícia secreta, que ele poderia sofrer consequências depois que fôssemos embora, que poderia ser confundido com um terrorista, que tinha não sei quantos filhos pequenos, etc.

 Nos comprometemos a fazer a apuração no local o mais rápido possível. Na cidade de Zarqawi, conversamos com algumas pessoas que também não queriam falar a respeito do líder jihadista e ficamos sabendo que o edifício onde funcionava a locadora já não existia. Terminada a difícil apuração, retornamos ao carro onde Mohamed seguia chorando.

 E chorando continuou até o retorno a Amã. Mas agora o motivo não era mais o temor da inteligência jordaniana. “Tanto trabalho e o dono da companhia (de táxi) vai ficar com praticamente todo o valor que vocês me pagaram”, queixava-se. Lamentava-se tanto que várias vezes interrompia minha conversa com Juca a respeito da logística do trabalho. Ao chegar ao hotel, pensamos em dar US$ 10 a mais para ele, mas o choro só acabou quando o valor da gorjeta chegou ao US$ 20.

  

Hikayeyi okudun
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