POLÍTICA

O Teorema de Vampeta

Roberto Lameirinhas
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Roberto Lameirinhas

Por Roberto Lameirinhas

O Teorema de Vampeta

1.ª cena: O comandante da PM no quartel capixaba dirige-se às pessoas no portão da saída da unidade. “Os senhores permitirão que a gente saia para fazer a patrulha nas ruas?”, pergunta. “Nãããooo!!!”, respondem as dezenas de “manifestantes”, parentes dos policiais que pedem aumento de soldo.

 2.ª cena: O deputado cassado, escroque notório, presta depoimento no fórum em Curitiba. “Por que o senhor ocultou o fato de que sua mulher tinha contas no exterior?”, indaga o juiz. “Porque nunca me perguntaram isso. Perguntaram se eu tinha contas no exterior, não se minha mulher tinha”, responde o ex-parlamentar agora reduzido à condição de presidiário, antes de se declarar gravemente enfermo e portador de um aneurisma cerebral não reportado até então.

 3.ª cena: Sob a suspeita de ter recebido doações ilícitas, o presidente da República indica um subordinado para a mais importante instância do processo que ameaça sua posição - apesar das pesadas críticas que o mesmo subordinado tem recebido pelo desempenho questionável na função anterior.

 Sempre tive minhas reservas em relação ao discurso “êta, paisinho sem vergonha!”. Considero que ele embute a arrogância de quem se considera moralmente acima da média da população e, em razão disso, reivindica privilégios e benefícios dos quais se julga merecedor. Todos os países têm - em menor ou maior grau - sua cota de idiossincrasias bananeiras. Mas não consigo identificar exatamente em que ponto nos tornamos uma nação de cínicos.

 Chegamos ao nível da consagração do “Teorema de Vampeta”: A diretoria do clube finge que paga e a gente finge que joga.

 É isso. A diretoria finge que vivemos numa democracia e a gente finge que dá a eles legitimidade;  a diretoria finge que está ajeitando a economia e a gente finge que não fala em crise, finge que trabalha; a diretoria finge que governa e a gente finge que acredita.