Roberto Lameirinhas's story
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Roberto Lameirinhas's story
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Roberto Lameirinhas's story
ic-spinner
У каждого есть своя история
Находите лучшие истории и интересных людей. Вдохновляйтесь ими и начинайте писать самостоятельно либо вместе с друзьями.

Lava Jato à peruana

Por Roberto Lameirinhas

Lava Jato à peruana
Рассказывайте о том, что вы любите, вместе с друзьями
Стать соавтором ▸

Conheci Alejandro Toledo em 2000, quando era apenas um economista de origem indígena considerado brilhante e ousava desafiar o poder de Alberto Fujimori - que, em meio a contestações legais, insistiu em se candidatar a um novo mandato à frente da presidência peruana. Graças a uma pouco disfarçada fraude empreendida pelo então chefe de inteligência e eminência parda do regime fujimorista, Vladimiro Montesinos, Fujimori venceu a eleição e adiou o plano do movimento que apoiava Toledo de reinstalar um indígena na liderança do Peru.

 No jogo do poder, Toledo usava a carta étnica, mas não só ela. Era também um respeitado egresso de Harvard, que tinha trabalhado na ONU e no Banco Mundial.

 Fujimori tinha como trunfo o fato nada desprezível de ter contido duas das maiores pragas do Peru dos anos 80 e 90: o terror do grupo maoísta Sendero Luminoso e a hiperinflação que passou dos 7.000% ao ano. Mas para isso teve de fechar o Legislativo, dissolver o Judiciário, restringir direitos individuais e ampliar poderes de militares e do serviço de inteligência - que criaram esquadrões da morte e acabariam por levar Fujimori à prisão anos mais tarde.

 Toledo prometia manter as conquistas de Fujimori sem extrapolar os limites da democracia. E teria uma nova chance de eleição depois que o rival se viu forçado a fugir do país, em novembro de 2000, após um escândalo que envolvia suborno de deputados por parte de Montesinos.

 A vitória eleitoral chegaria finalmente em 2001. O governo de Toledo não era de esquerda, mas procurava se afastar das normas neoliberais em voga do Consenso de Washington. Era algo “meio assim”... Não era ruim, mas também não era bom…

 Toledo havia estreitado contatos com empresas brasileiras, principalmente com a Petrobrás - que pretendia participar de consórcios de exploração de gás natural em Camisea, perto de Cusco - e a Construtora Norberto Odebrecht, envolvida em obras de corredores intermodais que visavam a ligar portos do Atlântico aos do Pacífico.

 Com a Lava Jato, Toledo foi posto sob suspeita de ter recebido US$ 20 milhões de propina da Odebrecht. Não é o único sob suspeita no Peru - outros políticos do país são investigados. As suspeitas se espalham também por outros países latino-americanos por onde a empresa brasileira passou.

 Hoje, nos EUA, onde dá aulas, pode ser extraditado para o Peru, onde teve prisão pedida. Sua mulher, Eliane Karpp, porém, faz ameaças ao atual presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski: “Não me faça falar”.

Entre unicórnios e propaganda

Por Roberto Lameirinhas

Entre unicórnios e propaganda
Рассказывайте о том, что вы любите, вместе с друзьями
Стать соавтором ▸

Kim Jong-un é um ditador sanguinário, a exemplo do que foram o pai e o avô, capaz de manter seu povo sob situação similar à de tortura, com comida escassa, vigiado constantemente e impedido de qualquer crítica ou tentativa de deixar o país. É muito provável que tenha realmente ordenado o assassinato do irmão mais velho, Kim Jong-nam, que caiu em desgraça no começo deste século ao ser flagrado com um passaporte falso com o qual tentava viajar para os EUA e visitar a Disneylândia.

 Mas uma dose extra de cautela é necessária em relação a todas as notícias que chegam da Península Coreana sobre a  Coreia do Norte. Pyongyang e Seul se mantêm tecnicamente em guerra - um armistício está em vigor há mais de seis décadas, mas nunca houve um acordo de paz entre as duas partes - e quase sempre os relatos de veículos de mídia da Coreia do Sul frequentemente merecem credibilidade parecida com a do Norte.

 Pouco depois de Kim Jong-un ter chegado ao poder, veículos sul-coreanos, como a agência de notícias Yonhap, apressaram-se a difundir informações que explicitavam a crueldade do novo líder. Uma dessas notícias era de que Kim tinha ordenado a morte de um irmão de sua mãe, lançando-o num covil de cães ferozes, que teriam devorado o cadáver. O líder teria ameaçado a própria mãe com o mesmo destino.

  Outra informação da Yonhap - amplificadas por jornais pouco confiáveis da região - era a de que o então novo líder tinha também sentenciado à morte uma ex-namorada de infância que o rejeitara anos antes. As notícias foram negadas por algumas fontes diplomáticas da Coreia do Norte no exterior, mas acabaram tomadas como líquidas e certas por veículos alinhados à propaganda sul-coreana ao redor do planeta.

 Agora, a informação é de que Kim Jong-nam teria sido morto em razão de sua militância por reformas no governo do irmão na Coreia do Norte. Se esse ativismo reformista existia, pouco foi dito a respeito dele.

 Quando ainda era o favorito para suceder ao pai na chefia do regime, Kim Jong-nam era retratado apenas como um playboy frívolo, apaixonado por carros importados e pela cultura do inimigo americano - como, aliás, também era retratado o Kim Jong-un.

 O problema é que a Coreia do Norte não é apenas um país miserável, governado por uma dinastia despótica que apresenta a seus cidadãos descobertas arqueológicas como fósseis de unicórnio e resultados esportivos como a edição de partidas da Copa do Mundo em que goleiam o Brasil. Mas se trata de um país nuclear que representa ameaça real principalmente a seus vizinhos.

  É provável que as geringonças atômicas que Pyongyang desenvolve sejam o exemplo mais acabado de força sem controle, capazes de explodir no colo de quem o transporte. Mas aquilo que, de fato, ocorre no interior do país só pode ser verificado, comprovado e eventualmente controlado pelo principal aliado da Coreia do Norte: a China. Boatos e propaganda barata só servem, neste caso, para distrair a opinião pública.  

  

Вы прочитали историю
написанную
Writer avatar