Roberto Lameirinhas's story
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Outro fato alternativo

Por Roberto Lameirinhas

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Não há como escapar do vexame quando a pessoa - talvez a única do planeta - que tem acesso direto e imediato às mais poderosas e bem informadas agências de inteligência do mundo decide escolher como fonte de notícias sites da internet suspeitos, como o Breitbart News e outros boletins eletrônicos da extrema direita famosos pela divulgação de teorias conspiratórias. Na mesma semana em que dirigiu ao Congresso seu discurso mais ponderado desde que assumiu a Casa Branca, Donald Trump, à revelia até mesmo das instituições que comanda, lançou sua mais contundente acusação contra o antecessor, Barack Obama.

 Pelo Twitter, disse que Obama tinha ordenado a instalação de grampos na Trump Tower, em Nova York, de onde ele comandou sua vitoriosa campanha eleitoral de 2016. “Acabo de saber que Obama grampeou os telefones na Trump Tower pouco antes da vitória. Não achou nada. Aposto que um bom advogado conseguiria um grande processo na justiça”, postou Trump no microblog. “Como pôde chegar tão baixo?”, completou, em outra postagem.

 Obama rebateu em seguida. Por meio de um porta-voz, Kevin Lewis, emitiu uma nota oficial para afirmar que, durante seu governo, nem ele nem qualquer outro funcionário da Casa Branca mandou espionar nenhum cidadão americano.

 Em meio à acusação, Trump fez alusões ao escândalo Watergate, que, em 1974, resultou na renúncia de Richard Nixon - acusado de instalar escutas na sede do Partido Democrata, em Washington. A razão dos grampos na Trump Tower seria a busca por evidências de relações entre funcionários da campanha de Trump com funcionários russos. Suspeitas de laços entre assessores de Trump e a Rússia têm causado embaraços para o governo do bilionário, como a demissão do conselheiro da Casa Branca Michael Flynn e o afastamento do chefe do Departamento de Justiça, Jeff Sessions, das investigações sobre o caso.

 A verdade, porém, é que Trump não apresentou nenhuma evidência da acusação contra Obama e o FBI, a polícia federal americana, está exigindo do Departamento de Justiça uma declaração oficial que desminta as declarações do presidente - o que deve se converter, no mínimo, num claro constrangimento para o Executivo.       

Lava Jato à peruana

Por Roberto Lameirinhas

Lava Jato à peruana
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Conheci Alejandro Toledo em 2000, quando era apenas um economista de origem indígena considerado brilhante e ousava desafiar o poder de Alberto Fujimori - que, em meio a contestações legais, insistiu em se candidatar a um novo mandato à frente da presidência peruana. Graças a uma pouco disfarçada fraude empreendida pelo então chefe de inteligência e eminência parda do regime fujimorista, Vladimiro Montesinos, Fujimori venceu a eleição e adiou o plano do movimento que apoiava Toledo de reinstalar um indígena na liderança do Peru.

 No jogo do poder, Toledo usava a carta étnica, mas não só ela. Era também um respeitado egresso de Harvard, que tinha trabalhado na ONU e no Banco Mundial.

 Fujimori tinha como trunfo o fato nada desprezível de ter contido duas das maiores pragas do Peru dos anos 80 e 90: o terror do grupo maoísta Sendero Luminoso e a hiperinflação que passou dos 7.000% ao ano. Mas para isso teve de fechar o Legislativo, dissolver o Judiciário, restringir direitos individuais e ampliar poderes de militares e do serviço de inteligência - que criaram esquadrões da morte e acabariam por levar Fujimori à prisão anos mais tarde.

 Toledo prometia manter as conquistas de Fujimori sem extrapolar os limites da democracia. E teria uma nova chance de eleição depois que o rival se viu forçado a fugir do país, em novembro de 2000, após um escândalo que envolvia suborno de deputados por parte de Montesinos.

 A vitória eleitoral chegaria finalmente em 2001. O governo de Toledo não era de esquerda, mas procurava se afastar das normas neoliberais em voga do Consenso de Washington. Era algo “meio assim”... Não era ruim, mas também não era bom…

 Toledo havia estreitado contatos com empresas brasileiras, principalmente com a Petrobrás - que pretendia participar de consórcios de exploração de gás natural em Camisea, perto de Cusco - e a Construtora Norberto Odebrecht, envolvida em obras de corredores intermodais que visavam a ligar portos do Atlântico aos do Pacífico.

 Com a Lava Jato, Toledo foi posto sob suspeita de ter recebido US$ 20 milhões de propina da Odebrecht. Não é o único sob suspeita no Peru - outros políticos do país são investigados. As suspeitas se espalham também por outros países latino-americanos por onde a empresa brasileira passou.

 Hoje, nos EUA, onde dá aulas, pode ser extraditado para o Peru, onde teve prisão pedida. Sua mulher, Eliane Karpp, porém, faz ameaças ao atual presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski: “Não me faça falar”.

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