POLÍTICA

Roubaram tudo. Até os ossos de Garrincha

Roberto Lameirinhas
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Roberto Lameirinhas

 

Roubaram os ossos de Garrincha. Ou, se não roubaram, negligenciaram, sumiram com eles. O fato é que eles desapareceram do cemitério de Magé, no Rio, onde estavam enterrados.

Roubaram tudo. Até os ossos de Garrincha

 O incidente é a mais perfeita tradução do Brasil de hoje. Acabaram com tudo. Roubaram tudo, até os ossos do Mané.

 Difícil entender o que alguém poderia ganhar violando uma sepultura e tirando dela os restos de um homem que encarnou durante toda a sua vida a ingenuidade, a alegria e uma certa inocência quase infantil do brasileiro mais humilde. No entanto é fácil perceber o quanto o simbolismo é forte: roubaram tudo, até a inocência.

 Ainda que não fosse pela gravidade das revelações sobre nossos costumes políticos, se ainda nos tivesse sobrado algum ânimo - uma última dose de disposição -, o sumiço da ossada de Garrincha seria motivo suficiente para que a gente parasse tudo, em todo o País, do Oiapoque ao Chuí, se armasse de baldes, vassouras e escovões e promovesse a grande e catártica faxina nacional antes de começarmos a fazer qualquer coisa outra vez.

 Mas isso não vai acontecer. Não sabemos que destino teve os ossos, incluindo os das pernas tortas. Só sabemos, resignados, que roubaram tudo. Até os ossos do Mané.