POLÍTICA

The Big Brother see for you

Roberto Lameirinhas
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Roberto Lameirinhas

Por Roberto Lameirinhas

The Big Brother see for you

É o sonho de todo déspota e o pesadelo da Humanidade desde que George Orwell lançou seu aterrador “1984”, no final dos anos 40. De acordo com nova denúncia do WikiLeaks, a CIA, principal agência de espionagem dos EUA, já é capaz de controlar não apenas toda a sorte de dispositivos de comunicação, como celulares e tablets, mas até mesmo smartTVs da marca Samsung, que enviariam dados e informações sobre hábitos de cidadãos em suas residências.

 Segundo o comunicado divulgado pelo Twitter, o WikiLeaks prepara a maior publicação de documentos secretos da CIA desde 2009, quando a ONG liderada por Julian Assange divulgou milhares de mensagens diplomáticas, incluindo informações classificadas como sigilosas do Exército, do governo e do Departamento de Estado dos EUA. O primeiro vazamento da organização causou a condenação de Assange pela Justiça dos EUA e o líder da organização está asilado na embaixada equatoriana em Londres desde 2012.

 O novo lote de documentos a ser divulgado ganhou o nome de “Vault 7” e, segundo o WikiLeaks, mostra o resultado da utilização de TVs Samsung como transmissores secretos de informações pessoais. É a concretização da “teletela” que aterroriza os personagens da obra de Orwell, sob supervisão constante do Grande Irmão - em inglês, o “Big Brother”, o verdadeiro.

 A CIA teria acesso aos dados confidenciais por meio de um conjunto de ferramentas cibernéticas de malware - ou programas maliciosos - e de ciber-armas. A primeira parte do vazamento “Year Zero” teria 8.761 documentos e arquivos de uma rede isolada de alta segurança, situada dentro do Centro de Inteligência Cibernética da CIA em Langley, no Estado da Virgínia. O pior, no entanto, seria que esse arsenal de espionagem eletrônica está em mão desconhecidas e totalmente fora de controle.

 “A CIA acabou perdendo o  controle da maioria dos programas usados por seus espiões, incluindo malware, vírus, trojans, ataques exploradores do ‘Zero Day’, sistemas de controle remoto de malware e documentação associada”, diz o texto do Wikileaks.

“Esse conjunto de instrumentos, que equivale a centenas de milhões de linhas de código, dá ao seu dono a capacidade de hackear no nível da CIA. O arquivo parece ter sido distribuído entre antigos hackers do governo dos EUA de maneira não autorizada, e um deles forneceu-o ao WikiLeaks.”

 A CIA não se pronunciou sobre as declarações do WikiLeaks. Mas o diretor do FBI, James Comey, foi enfático no dia seguinte ao dizer que os americanos “não devem ter a ilusão de que gozam de privacidade absoluta”. “Não há nada que esteja fora do alcance judicial”, afirmou, numa conferência sobre cibersegurança. Em outras palavras, como antecipou Orwell, “o Grande Irmão olha por você”.