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Merendas e peixe com camarão

Rodolfo Viana
há 6 meses6 visualizações

Desde fevereiro, quando foi publicada a resolução que alterou valores do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar), a merenda de cada aluno do ensino fundamental passou de R$ 0,30 para R$ 0,36 por dia letivo.

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Assim, considerando 200 dias no ano letivo, o MEC (Ministério da Educação) investe, por aluno, R$ 72 em alimentação anualmente.

Os reembolsos de gastos com alimentação dos deputados federais nos primeiros 90 dias deste ano totalizam R$ 258.002,93 em 4.093 pedidos de 251 parlamentares e seis lideranças. Esta cifra foi ressarcida aos políticos por meio da cota parlamentar, a antiga verba indenizatória a que todo deputado tem direito.

Em miúdos, o valor do primeiro trimestre de 2017 é equivalente à merenda de 3.583 alunos por um ano inteiro.

Entra na conta o filé de peixe ao molho de camarão que custou aos cofres públicos R$ 193,50, e que foi degustado pelo deputado Celso Jacob (PMDB-RJ) em março. 

Merendas e peixe com camarão

Também entra um certo "menu degustação" que saiu por R$ 275, consumido pelo deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) no mês passado.

Merendas e peixe com camarão

Na matemática simples, dá uma média de R$ 63,03 por reembolso -- ou seja, cada um dos mais de 4.000 pedidos equivale à merenda de um aluno por 126 dias letivos.

Os mais rodados na Câmara

De acordo com o Inmetro e sua mais recente tabela do Programa Brasileiro de Etiquetagem, de 2016, o carro a gasolina que mais bebe é o Lamborghini Aventador 6.5-­48V -- ao menos na cidade, onde faz meros 3,3 quilômetros por litro.

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Na primeira semana de abril, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o litro mais caro da gasolina no Brasil custava R$ 4,999.

Uma volta na Terra pela Linha do Equador -- caminho um pouco mais longo do que pelos polos -- tem 40.075,16 quilômetros.

O que tudo isso quer dizer? Bem, esses dados significam que, se o dono do carro mais beberrão usasse a gasolina brasileira mais cara para dar uma volta no mundo pelo caminho mais extenso -- ou seja, o pior cenário possível --, ele precisaria de R$ 60.707,80 para comprar 12.143,98 litros de combustível.

(Ah, ele também teria de esperar que o carro andasse sobre as águas dos oceanos, mas me permitam essa licença poética.)

E neste pior cenário, no primeiro trimestre de 2017, a Câmara Federal seria capaz de dar uma volta no globo a cada 32 horas e 15 minutos, aproximadamente.

O ressarcimento de combustível dos deputados nos primeiros 90 dias do ano totalizou R$ 3.585.668,51 -- média diária de R$ 39.840,76. Considerando que 491 parlamentares gozaram do benefício no período, o valor por cabeça deu R$ 81,14 a cada 24 horas.

Somados, os reembolsos dos dez deputados que mais pediram verba de combustível nos três primeiros meses de 2017 chegaram a R$ 179.395,25 -- quase três voltas ao redor do planeta:

1. Aníbal Gomes (PMDB-CE) - R$ 18 mil
2. César Halum (PRB-TO) - R$ 18 mil
3. Remídio Monai (PR-RR) - R$ 18 mil
4. Sinval Malheiros (PTN-SP) - R$ 18 mil
5. Flaviano Melo (PMDB-AC) - R$ 17.991,94
6. Nelson Marquezelli (PTB-SP) - R$ 17.981,23
7. Marco Tebaldi (PSDB-SC) - R$ 17.934,96
8. Enio Verri (PT-PR) - R$ 17.913,26
9. Átila Lira (PSB-PI) - R$ 17.824,18
10. Francisco Chapadinha (PTN-PA) - R$ 17.749,68

Cabe ressaltar: são dados apenas dos 90 primeiros dias do ano. Até o fim de dezembro o mundo ainda vai dar muitas voltas...

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rodolfoviana
Full-time journalist.