A cidade não para
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É possível admirar e não gostar do Carnaval ao mesmo tempo

Sheila Vieira
há 2 anos48 visualizações

"Tinha que ser paulixxxta!"

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É possível admirar e não gostar do Carnaval ao mesmo tempo

Como jornalista, muitas vezes você encara um conflito interno entre o que você sabe que é certo e o que você sente. Isso aparece nos assuntos que você aborda, qual ângulo você escolhe, qual verbo vai para o título. Acho que venho conseguindo, na medida do possível, saber até onde vai meu gosto pessoal e onde começam os consensos e fatos.

Por exemplo: eu acho o Carnaval um negócio fantástico. Os desfiles das escolas de samba do Rio, que movimentam as comunidades e promovem o samba, os trios elétricos de Salvador tocando axé (meu ritmo ‘brasileiro’ preferido), os blocos de rua em Olinda etc. O Brasil tem que se orgulhar muito de ter uma festa tradicional tão forte e rica.

Mas eu confesso que fico um pouco aliviada quando preciso trabalhar durante o Carnaval (já aconteceu algumas vezes). Há coisas que me irritam um pouco e são extremamente pessoais. Primeiramente, nas cidades tipicamente carnavalescas, você quase só encontra paulistas. Nós invadimos o Brasil por alguns dias. A gente se reconhece em nossa caretice. E vemos a cara de preguiça de cariocas, baianos, pernambucanos e outros para o nosso esforço de ‘pertencer’ à festa deles.

O segundo motivo é extremamente egoísta e um pouco vergonhoso. Por ser uma festa essencialmente de rua (e tem que ser, apesar de camarotes, abadás e afins), o Carnaval envolve muito sol na cara, suor e AGLOMERAÇÕES.

Eu odeio aglomerações. Deve ser trauma de pegar metrô na Sé.

Além de ficar com pressão baixa, minha coluna começa a doer loucamente quando eu fico mais de meia hora em pé (talveeeez porque eu tenho três tipos de desvio na coluna) e eu sou uma pessoa muito fresca com banheiro. Aos 26 anos, ainda não tive coragem de usar um banheiro químico. Ou pago para alguém que mora no local deixar eu usar a privada (método que botei em prática no JUCA 2009) ou seguro por horas até voltar para minha hospedagem (o que faz mal para a bexiga).

Terceiro: eu não bebo muito. Na verdade, eu só comecei a beber um pouco depois da universidade. Não sei o motivo, talvez porque eu tenha medo de perder o controle do que eu estou falando e fazendo. Em festas de rua, quase todo mundo está completamente louco. E não tem problema, cada um tem o direito de beber o que quiser. Mas, quando você é uma das poucas pessoas sóbrias no local, gente bêbada é algo especialmente irritante.

Principalmente homens. Os que puxam braço. Falam merda na sua orelha. Te xingam quando você não responde. Fazem você se sentir vulnerável e insegura.

Mas, olha, você que ama pular Carnaval. Não estou *chovendo no seu desfile*. Que bom que você é alguém desprovido de frescuras. Eu gostaria de ser assim às vezes. 

#carnaval 

17 estações do metrô mais vitais para o paulistano do que qualquer cartão postal

Sheila Vieira
há 2 anos57 visualizações

O festival de clichês abunda em 25 de janeiro: parque do Ibirapuera, Av. Paulista, Catedral da Sé, Theatro Municipal, Copan, Pacaembu, e vários outros locais bonitos o suficiente para uma foto (ok, não são muitos). #MasAmamosSPMesmoAssim

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Porém, a verdade é que milhões de paulistanos passam muito mais tempo de suas vidas em locais "escondidos" das câmeras, mas fundamentais para as nossas vidas: as estações de metrô. Algumas são tão icônicas, que parecem ter personalidades próprias. São velhas conhecidas, com seus próprios atalhos, virtudes e defeitos. Foi difícil fechar esta lista, mas se você acha que alguma parada muito importante ficou de fora (ou que a CPTM merece também uma lista própria), os comentários são o seu palanque! 

Vamos lá:

Portuguesa-Tietê (Linha Azul, inagurada em 1975, média de 65 mil entradas de passageiros por dia útil)

O som mais ouvido na 'estação da Rodoviária' é o das rodinhas das malas. O Brasil inteiro passa por Tietê, provavelmente a parada mais diversa da rede. Quem chega a São Paulo por lá já sabe que é roubada comprar bilhete na hora (as filas são quilométricas) e é preciso prestar atenção para não pegar o sentido errado no metrô, já que cada plataforma tem uma catraca diferente (entrou na errada, perdeu a passagem). Por ser uma estação suspensa, dá para dar uma olhadinha em um pedaço da zona norte.

Luz (Linhas Azul e Amarela, inaugurada em 1975, média de 168 mil entradas de passageiros por dia útil, só pela Azul)

Uma das 567 saídas da estação da Luz.

Quem nunca 'camelou' da estação de metrô até a entrada para as três linhas da CPTM (onde fica aquela plataforma bonita que parece a King's Cross)? Parece que você está atravessando o Mar Vermelho. E ainda tem a parada da Amarela agora, que liga bem rapidinho quem vem da zona oeste mais extrema ao centro. Também não é raro ser guia momentâneo de algum turista perdido com tantas saídas, tentando achar qual é a certa para a Pinacoteca ou o Museu da Língua Portuguesa (RIP). Isso quando você mesmo não está perdido.

Sim, esta é a plataforma da CPTM. Mas quis colocar pois <3.

São Bento (Linha Azul, inaugurada em 1975, média de 85 mil entradas de passageiros por dia útil)

A estação da 25 de Março reflete bem o clima da segunda rua mais famosa de São Paulo: O CAOS. Sacolas gigantes, pessoas de todas as partes e classes da cidade desesperadas para comprar artigos de festa, muita gritaria de ambulantes e turistas perdidos no meio da situação. 

(Linhas Azul e Vermelha, inaugurada em 1978, média de 81 mil entradas de passageiros por dia útil)

É bem fácil achar fotos de milhares de pessoas esmagadas nas plataformas da Sé (todas são de lá), mas devo dizer que trata-se de uma estação até bem projetada. A fileira de catracas é grande, assim como o espaço para circular lá em cima. Há muitas escadas e as plataformas têm um tamanho adequado para a importância de uma parada no marco zero da cidade. O problema é que muita gente mora na zona leste e elas precisam da Sé para chegar em casa. O cruzamento da República com a Amarela é um começo para resolver o problema, mas a necessidade imediata é que a Verde cruze na Penha (projeto que existe desde o início dos tempos) o mais rápido possível.

Liberdade (Linha Azul, inaugurada em 1975, média de 30 mil entradas de passageiros por dia útil):

O público desta estação vai de senhorinhas filhas de japoneses que só compram produtos importados lá a jovens que lotam os inúmeros karaokês da região. Quem está de bobeira fica sentado na escadaria da praça nos fins de semana. Apesar de não ter um fluxo enorme, é uma das estações mais vivas da cidade.

Paraíso (Linhas Azul e Verde, inaugurada em 1975, média de 44 mil entradas de passageiros por dia útil):

CORREEEEEEEEEE!

Não é todo mundo que entra ou desembarca no Paraíso, mas uma grande parte dos usuários passa por lá diariamente. A baldeação da azul para verde (e vice-versa) é usada por pessoas das quatro zonas da cidade que querem chegar à avenida Paulista. E a pessoa que projetou a estação para que quem vem no sentido Jabaquara tenha apenas que andar reto para pegar a Verde sentido Vila Madalena (foto acima) merece um beijo na bochecha.

Ana Rosa (Linhas Azul e Verde, inaugurada em 1975, média de 46 mil entradas de passageiros por dia útil)

Uma das estações mais tradicionais da cidade, a Ana Rosa cumpre a mesma função do Paraíso, com o plus de ter um terminal urbano que leva muita gente aos bairros mais afastados da zona sul. Porém, o projeto da parada não é dos mais inteligentes. As plataformas das duas linhas ficam no mesmo andar, separadas por uma parede. Ou seja, para fazer a baldeação, você tem que subir uma escada e depois descer outra para voltar ao mesmo nível. O fluxo no andar das catracas é confuso no horário de pico, com gente se cruzando para passar para a outra linha, e ainda há muitas escadas normais, onde quem sobe e desce se tromba na hora do aperto. 

Corinthians-Itaquera (Linha Vermelha, inaugurada em 1988, média de 96 mil entradas de passageiros por dia útil)

A estação-terminal certamente ganhou uma vida nova com a Arena Corinthians, mas já era muito importante antes, já que liga o metrô a duas linhas da CPTM, recebendo muita gente de cidades conurbadas com a capital, além de habitantes de bairros afastados por ônibus. Ainda por cima, quem não consegue entrar de manhã nos trens nas estações seguintes costuma ir a Itaquera para entrar em uma composição vazia (de preferência, sentado). Junte tudo isso a um Poupatempo e a um shopping e o resultado é: gente que não acaba mais. Mas, hey, #VaiCurintia!

Tatuapé (Linha Vermelha, inaugurada em 1981, média de 91 mil entradas de passageiros por dia útil):

A estação que me dava medo quando criança, por ser muito mais escura que as outras (#ninguémperguntou). É uma das paradas mais ecléticas da cidade, porque recebe gente que vai viajar (pegando o ônibus para o aeroporto de Guarulhos), trabalhar e estudar na área mais nobre da zona leste e passear nos dois shoppings ligados à estação (cada um de um lado). 

Brás (Linha Vermelha, inaugurada em 1979, média de 96 mil entradas de passageiros por dia útil)

A estação de trem do Brás existe desde o século XIX e as três linhas da CPTM estão ligadas ao metrô pela Linha Vermelha. Quem vem de lá são geralmente pessoas que moram em regiões afastadas da cidade e trabalham no centro, geralmente com comércio. Haja sacolas gigantes e carrinhos! E a filosofia de que o metrô não respeita as leis da Física foi criada por alguém que foi esmagado quando o trem chegou ao Brás, mesmo achando que não havia mais espaço para uma mosca. Uma coisa bacana, porém, é que a plataforma é suspensa e tem uma vista legalzinha da cidade, inclusive da Serra da Cantareira. Por isso, é point de muitos casais que se encontram após o trabalho...

Anhangabaú (Linha Vermelha, inaugurada em 1983, média de 83 mil entradas de passageiros por dia útil)

Uma estação tão "povoada" quanto a Sé, só que com um quarto do espaço. Quem é claustrofóbico não pode nem pensar em embarcar nela no horário de pico. Está no coração da cidade (do lado do Viaduto do Chá, do Vale do Anhangabaú e do Theatro Municipal) e tem uma plataforma minúscula. Resultado: é normal ficar uns 20 minutos na fila fora da estação no fim da tarde para conseguir entrar, para depois ficar amontoado esperando os trens vazios que pulam todas as estações anteriores e param primeiro lá. E quando as portas abrem:

República (Linhas Vermelha e Amarela, inaugurada em 1982, média de 167 mil entradas de passageiros por dia útil, só na Vermelha)

Também em um local bem agitado da cidade (Praça da República, Av. Ipiranga), a estação pelo menos é grande (pois já havia desde os anos 80 o projeto de ligá-la com a futura Amarela). Há quatro andares e muito espaço para ficar esperando sentado caso esteja difícil embarcar. E a galera faz exatamente isso. É bem comum ver por volta de 18h30 muita gente *acomodada* no chão esperando a situação dar uma aliviada.

Palmeiras-Barra Funda (Linha Vermelha, inaugurada em 1988, média de 202 mil entradas de passageiros por dia útil)

Com uma linha de metrô, três da CPTM (que levam a cidades a oeste da capital), um terminal urbano e outro rodoviário (além da UNIP ali na saída e o Memorial da América Latina), a Barra Funda é a estação que mais tem entrada de passageiros na cidade. Não é à toa que é a primeira parada que os repórteres visitam quando há pane ou greve no metrô. A cidade depende muito que esta estação esteja funcionando corretamente. Até porque, se a coisa está ruim na primeira estação da Vermelha, isso só piora a situação na República e na Sé.

Consolação/Paulista (Linhas Verde e Amarela, inauguradas respectivamente em 1991 e 2010, média de 134 mil entradas de passageiros apenas na Verde)

Por algum motivo estranho, Consolação e Paulista são consideradas estações independentes, apesar de não haver cobrança de tarifa entre elas e o caminho de uma para a outra ser menor que no Brás, por exemplo. Vou considerar como uma só aqui. A saída da Verde fica na parte mais pop da Paulista, no cruzamento com a Augusta, perto do Conjunto Nacional. Ou seja, no fim de semana, você encontra centenas de adolescentes e jovens adultos esperando os amigos e peguetes para ir a cinemas e bares. Desde a inauguração da parte Amarela, virou também uma estação de baldeação, com aquele corredor da morte em que todo mundo se espreme e anda devagar (foto acima). O fluxo na parte Amarela é mal organizado, fazendo com que as pessoas que estão desembarcando e embarcando se trombem o tempo todo. É bem curioso que as estações mais novas sejam geralmente as mais confusas para andar.

Clínicas (Linha Verde, inaugurada em 1992, média de 34 mil entradas de passageiros por dia útil)

Praticamente todo mundo que vai e volta do complexo do Hospital das Clínicas passa por esta estação, além de quem trabalha na Av. Dr. Arnaldo e estuda na faculdade de Medicina da USP. Por muitos anos, era o ponto de encontro corintiano para os jogos no Pacaembu (descendo a ladeira do cemitério e subindo depois do jogo, com as pernas queimando #bonstempos). 

Pinheiros (Linha Amarela, inaugurada em 2011, média diária de entrada de passageiros não divulgada, mas certamente enorme)

A construção da gigantesca estação foi palco do maior acidente da história do metrô, em 2007, quando uma cratera matou sete pessoas e afundou diversas casas. Depois da inauguração, a parada acabou sendo uma vitória para quem trabalha às margens do Rio Pinheiros, já que liga diretamente o metrô à Linha Esmeralda da CPTM. As plataformas estão 30 metros abaixo do leito do rio, então você perde um ano de vida só descendo os seis lances de escadas. O maior problema, na verdade, é que são poucas escadas para um volume enorme de pessoas. E, justamente por isso, as suas plataformas deveriam ser maiores que as das outras estações da Amarela. Mas a ViaQuatro não pensou nisso.

Santo Amaro (Linha Lilás, inaugurada em 2002, média de 86 mil entradas de passageiros em dia útil)

A ligação da Linha Lilás com a CPTM mudou a vida de quem mora no extremo sul (especialmente em Capão Redondo), fazendo a ligação por trilhos desta região com a área mais empresarial e comercial da zona sul. A parte do metrô é bem pequena, mas interessante: a plataforma fica exatamente em cima do Rio Pinheiros, servindo também como passarela para quem precisa ir ao outro lado, mais perto da represa Guarapiranga.

PS: os dados da média de entrada de passageiros são do próprio Metrô (que não administra a privatizada Linha Amarela) e são de 2014. Você pode ver de todas as estações aqui:

#SãoPaulo #SP #metrô #transporte #urbano #cidade

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