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E quando não há ciclofaixas? Pinte-as você mesmo, dizem os ciclistas de Roma.

Sheila Vieira
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Sheila Vieira

Esta é uma das coisas mais italianas que já aconteceram.

E quando não há ciclofaixas? Pinte-as você mesmo, dizem os ciclistas de Roma.

Frustrados com a falta de ciclovias em pontos importantes de Roma, um movimento que atende pela hashtag #anonimiattivist (ativistas anônimos) está tomando medidas mais extremas: pegando tinta e pintando faixas para ciclistas em vias da capital italiana.

O movimento fez sua primeira intervenção em 2014, no túnel de Santa Bibiana. Durante a madrugada, os ativistas demoraram 45 minutos para pintar uma faixa com símbolo de bicicletas dentro delas. A prefeitura apagou o “trabalho” e os jovens pintaram novamente. Ela está lá até hoje.

O #anonimiattivist voltou a dar as caras no primeiro semestre de 2015, fazendo uma ciclovia “pirata” na ponte Tuscolana. Eles voltaram a atuar nesta semana, em março de 2016, pintando uma faixa de ciclistas em uma rua em Porta Maggiore, portal remanescente da Roma Antiga e importante ponto turístico, com intenso trânsito.

E quando não há ciclofaixas? Pinte-as você mesmo, dizem os ciclistas de Roma.

Os motoristas ignoraram a ciclofaixa da Porta Maggiore e até estacionam nela, mas os ciclistas em geral aprovam a atitude do movimento. As faixas, que custam cerca de 50 euros para serem “produzidas” por cerca de 12 pessoas, costumam ficar tortas, já que são feitas o mais rápido possível, e são vistas mais como uma intervenção artística e política.

A atitude do #anonimiattivist é também um reflexo de um movimento de ocupação do espaço urbano. Diversos prédios abandonados foram ocupados por iniciativas sociais e viraram centros culturais sem fins lucrativos.

Segundo o jornalista Lucas Caram, a malha de ciclovias no norte da Itália é bem mais significativa do que no sul, onde andar de bicicleta é tão perigoso quanto nas metrópoles brasileiras. Por ser uma cidade com muitos monumentos antigos, o trânsito da capital é caótico pela falta de espaço, algo que acaba contribuindo também para a falta de ciclofaixas.

A ideia de fazer ciclovias por conta própria onde elas não existem por má vontade da prefeitura apareceu pela primeira vez na Cidade do México, em 2011. Em São Paulo, seria mais fácil ver alguém pegar tinta para desfazer as ciclofaixas, ou pintá-las da cor do partido da oposição à Prefeitura.

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