TV

Eu consegui, você também consegue: Como parar de assistir ao BBB

Sheila Vieira
Author
Sheila Vieira
Eu consegui, você também consegue: Como parar de assistir ao BBB

Eu era uma daquelas pessoas. As que têm a transmissão ao vivo 24 horas PPV do Big Brother Brasil. As que xingam cada edição manipuladora de Boninho e companhia. As que ficam estressadíssimas no domingo tentando prever os votos do paredão. As que ficam de domingo a terça fazendo pequenas maratonas de votação morrendo de medo de que o seu favorito saia. As que gastam horas em chats discutindo os barracos. As que depois do fim do programa ficam assistindo ao bate-papo com todos no Globo.com.

Mas eu me libertei há alguns anos e venho dizer a vocês como fazer o mesmo. (Se você quiser, claro. Se você curte, é sua escolha e a intenção não é c**** regra)

Primeiramente, eu não acho o BBB um programa completamente horrível. Não cuspiria no prato que comi assim. É bem dirigido e editado (pensando no formato e não se a edição é justa com os participantes), divertido e tem interação com o público. Pedro Bial pode até enrolar, mas você sempre quer ouvir o que ele tem a dizer. E é um prato cheio para quem gosta de brincar de psicólogo.

Dá para fazer toda uma análise de comportamentos com a "situação Tina", por exemplo. Ou só rir muito.

O problema é quando deixa de ser divertido e se torna um sofrimento. Pior, um sofrimento por pessoas que não merecem seu sofrimento. E não é porque muitas delas são ‘burras’ (odeio este termo, mas não surgiu outro na cabeça) ou superficiais. Afinal, não se trata de um vestibular. É uma competição que premia quem consegue construir uma boa rede de AFINIDADE (hehe) em um ambiente de confinamento e ao mesmo tempo encanta o público externo, geralmente sendo alvo de alguma vitimização. Exige habilidades sociais bem avançadas, na verdade.

O que me faz pensar que eles não valem o seu sofrimento é ver o comportamento deles fora do programa. Sem a situação de confinamento e a pressão de precisar ser querido pelos brasileiros, eles todos viram amiguinhos. Até o cara que traiu (não só com beijos) a namorada eliminada em rede nacional se safa depois, conseguindo a garota de volta. Outros amores que parecem eternos na casa do Projac terminam no primeiro cachê dividido após uma aparição em festa.

Para quem acompanha o PPV, a maior angústia é ver alguns participantes claramente sendo prejudicados por cenas e contextos importantes que não vão ao ar na Globo, algo que influencia a maioria dos votantes. Mas a questão é que o BBB nunca teve ou terá a intenção de promover uma competição 100% justa. A ideia é somente apresentar a história mais atrativa e provocativa possível e se isso resulta em queimar a reputação de uma pessoa real, que seja. Ela sabia dos riscos quando entrou.

Como somos seres humanos com empatia (ou deveríamos ser), é difícil não ver um grupo de pessoas passando por uma situação extrema e não se identificar com um ou outro. Mesmo quando 95% deles são modelos sarados. Eles têm personalidades, histórias de vida, vontade de ganhar dinheiro e ter uma vida confortável. É o que os une a nós, nerds que achávamos que fazer faculdade resolveria todos os nossos problemas.

Então, a solução é simplesmente não se dar a chance de ter empatia por nenhum deles. Ou seja, não assista nas primeiras semanas. Arranje outra coisa para fazer. Estudar, viajar, ler, conferir se aquela série do Netflix é isso tudo mesmo, encontrar amigos e parentes, ver no cinema os filmes do Oscar, o que preferir.

Quando os grupos já estiverem estabelecidos e já houver ‘fandoms’ na internet, você já pode dar uma olhadinha (a tentação de escrever espiadinha aqui foi grande). Mas sempre na edição da Globo. Ela deixa as coisas muito desenhadas: quem é a vítima, quem é o vilão. Sua timeline do Twitter provavelmente dirá o contrário, então você não terá certeza de nada. Ótimo. Quanto menos certezas sobre os participantes você tiver, menos apegado você estará.

Se por acaso pintar aquela vontade de entrar no Globo.com para votar “só uma vez” em um paredão, automaticamente abra o YouTube, veja alguns vídeos de barracos engraçados (tipo Solange-Mama ou da Sunga Branca) e reclame de como o BBB era mais divertido no passado. Aquelas pessoas mereciam seus votos, não esses “who” da edição atual. Por mais contraditório que pareça, nostalgia pode te ajudar a deixar certas coisas para trás.