Isso é tênis, amigo
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é tênis, amigo
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é tênis, amigo
ic-spinner
У каждого есть своя история
Находите лучшие истории и интересных людей. Вдохновляйтесь ими и начинайте писать самостоятельно либо вместе с друзьями.

O velho-novo escândalo de manipulação de resultados no tênis: negação e exagero

Tênis é o esporte ideal para um apostador que queira corromper jogadores. É uma modalidade individual em que os atletas costumam oscilar bastante dentro de uma mesma partida e abandonos não são raros. Tem jogo a todo momento, em inúmeros circuitos, em todos os continentes, a maioria deles sem transmissões de TV. Há 16 torneios profissionais acontecendo além do Australian Open nesta semana (um deles no Rio de Janeiro e outro no Guarujá, inclusive).

Рассказывайте о том, что вы любите, вместе с друзьями
Стать соавтором ▸

(Amei as ilustrações.)

Além disso, a maioria dos profissionais luta apenas para se manter. Os milhões de premiação que você vê nas matérias são reservados à elite. Junte um cheque pequeno a despesas que atletas de outros esportes não têm (como treinador, fisioterapeuta exclusivo e às vezes hospedagem) e o tenista tem três opções: largar tudo, continuar tentando com algum tipo de patrocínio (que às vezes é paitrocínio mesmo) ou se render à corrupção.

Neste domingo, pouco antes de o Australian Open começar, a BBC e o Buzzfeed publicaram matérias revelando que a ATP não puniu ninguém por diversas investigações feitas em 2008. Vou linkar a matéria do Buzzfeed porque é muito melhor que a da BBC (quem imaginaria):

Obviamente, eles só citaram nominalmente o caso do jogo de 2007 entre Nikolay Davydenko e Martin Vassallo Arguello (que foi amplamente discutido na época, com o argentino sendo o principal suspeito, mas a atenção da mídia indo toda para o Davydenko) e o banimento do Daniel Koellerer. Dificilmente vão nomear outros investigados, já que não há prova concreta contra nenhum deles e ninguém curte tomar um processo.

Como escreveu o Alexandre Cossenza, provar corrupção é algo particularmente difícil. Não basta apontar que os índices das apostas são extremamente suspeitos. É preciso provar diretamente a ligação do jogador com algum apostador:

O problema é que a falta de provas não indica necessariamente que elas não existem. É possível sim que a investigação não seja profunda como deveria ser. E aqui entra muito da negação das pessoas do *mundo do tênis*, que não querem ver manchada a reputação de um esporte que sempre se coloca como exemplo para os outros.

Os discursos de alguns jogadores no Australian Open, especialmente de Novak Djokovic e Roger Federer, dão a entender que a grande maioria dos nomes não revelados por Buzzfeed/BBC é de pessoas que não estão mais em atividade. Obviamente, nos vestiários de Melbourne, todo mundo deve saber quem eles são. 

O Buzzfeed cita campeões de Grand Slam de simples e duplas, sem revelar se estão aposentados ou não. Porém, em seguida, diz que há um top 50 competindo no Australian Open (deve estar bem perto do 50, já que, se não estivesse, teriam escrito top 40, top 30) que é repetidamente tido como suspeito de arranjar seu primeiro set. 

Você pode abrir o ranking e fuçar os resultados de cada um (devo confessar que tenho um chute), mas nada impede que seja um jogador de duplas. Outro caso conhecido recente foi o dos parceiros italianos Potito Starace e Danielle Bracciali, que foram inicialmente banidos por manipulação. Porém, a 'pena' de Starace foi retirada e a de Bracciali reduzida para um ano. 

Precisamos aceitar o óbvio: que há apostadores que aliciam jogadores constantemente e, quando quase ninguém está olhando, a grana está curta e a pessoa não se importa em se corromper, é fácil fazer isso.

Por outro lado, há gente tratando esse 'furo' como se fosse equivalente ao que a confissão do Lance Armstrong foi para o ciclismo. MENAS. Enquanto um jogador mundialmente conhecido (que não é o caso da maioria do top 50, devo admitir) não for comprovadamente condenado e punido, a imagem deste esporte para o mundo não estará totalmente manchada. 

Para quem acha que tênis se resume aos Slams, pouco importa se a primeira rodada do Future de Antalya foi arranjada, ou mesmo um jogo do qualifying de Wimbledon (a matéria não especifica se foi chave principal, hehe). Essas pessoas só se importarão se alguém perder um título de Slam (e de simples!) por isso. E eu ~aposto~ que isso não acontecerá tão cedo.  

Mas, para quem se importa com todos os níveis do tênis, esta pressão pode ser positiva, pelos menos para inibir jogadores que se sintam seduzidos por este dinheiro fácil. Afinal, se você quer uma vida fácil, querido, este definitivamente não é o esporte para você.

Wawrinka pegou a chave mais complicada no sorteio do Australian Open

128 jogadores em cada chave, quem vencer sete jogos levanta a taça: é assim que a maioria dos tenistas tenta encarar os Grand Slams. Mas a verdade é que os favoritos querem um caminho relativamente tranquilo nas primeiras rodadas (mas não facílimo, para não ficar sem ritmo), para chegar com gás aos grandes duelos das rodadas finais.

Рассказывайте о том, что вы любите, вместе с друзьями
Стать соавтором ▸

Pelo menos na chave masculina, Stan Wawrinka não se deu muito bem. O cabeça de chave 4 pode enfrentar o norte-americano Jack Sock (finalista nesta semana em Auckland) na terceira rodada e o campeão de Brisbane, Milos Raonic, nas oitavas. Para piorar, Rafael Nadal está em seu quadrante e pode encará-lo já nas quartas. A semifinal mais provável seria diante de Andy Murray. Sem falar na final, que pode ter Novak Djokovic ou Roger Federer.

Confira o quadro completo:

Wawrinka tem tênis para vencer todos esses jogadores, claro. Ele é um campeão do Australian Open (2014), afinal. Mas ele precisará de muita consistência (não é exatamente o seu forte) para derrubar todos esses nomes de forma consecutiva.

Murray, por outro lado, tem uma trajetória aparentemente mais calma. Os cabeças de chave de seu quadrante são João Sousa (terceira rodada), Fabio Fognini ou Bernard Tomic (oitavas) e David Ferrer ou John Isner (quartas). Tudo isso, obviamente, se todos os cabeças confirmarem o favoritismo, algo que raramente acontece. O britânico conseguiu fugir de Nadal antes da semi e de Djokovic/Federer antes da final. Quatro vezes vice-campeão em Melbourne, Murray não vê a hora de enfim segurar o troféu.

As chaves de Djokovic e Federer ficaram fortes o suficiente, com alguns percalços a mais para o suíço. Grigor Dimitrov (terceira rodada) e Dominic Thiem ou Marin Cilic (oitavas) não devem ser problema para o recordista de Slams, mas Tomas Berdych (quartas) tem a mania de incomodá-lo. O tcheco, porém, provavelmente terá que se resolver com Nick Kyrgios (terceira rodada) antes.

Mais favorito do que nunca, Djokovic tem Jo-Wilfried Tsonga e Kei Nishikori como destaques de seu quadrante. São jogadores que já deram muito trabalho ao sérvio em Slams, mas sofrem constantemente com lesões e não empolgaram muito nos torneios preparatórios.

Vamos olhar a chave feminina:

Serena Williams é favorita em qualquer torneio que disputar, mas a dúvida é se Serena realmente vai disputar o Australian Open. Ela jogou pouco e desistiu da Copa Hopman e largou as últimas semanas da temporada 2015, após perder na semi do US Open. A veterana tem uma lesão no joelho esquerdo, mas não gosta de dar detalhes sobre a gravidade dela. Se estiver 100%, a norte-americana pode fazer jogos chamativos e teoricamente fáceis contra a amiga Caroline Wozniacki e a NOT-amiga Maria Sharapova antes da semi.

O segundo quadrante, de Agnieszka Radwanska e Petra Kvitova, parece ser o mais "aberto". Sloane Stephens pode aproveitar a chance, após ter vencido em Auckland, assim como Dominika Cibulkova, vice-campeã de 2014, que não é cabeça de chave neste ano.

Três nomes brilham no terceiro quadrante: Angelique Kerber, Victoria Azarenka e Garbiñe Muguruza. Os melhores jogos do torneio feminino devem sair deste pedaço. Já o quarto é liderado por Simona Halep e Venus Williams, que têm Ana Ivanovic, Karolina Pliskova, Sabine Lisicki e Madison Keys como principais concorrentes a uma vaga na semi.

Caso Serena dê chance, o Australian Open tem uma boa chance de ter uma campeã inédita de Slam, como Flavia Pennetta no US Open.

Let the games begin!

Вы прочитали историю
Story cover
написанную
Writer avatar