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Logo você poderá ver em casa filmes que estão em cartaz. Se Hollywood deixar.

Sheila Vieira
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Sheila Vieira

Você quer conferir se o Leonardo DiCaprio realmente mereceu o Oscar, mas simplesmente não tem tempo de ir e voltar do cinema ou com quem deixar o seu filho? Se depender de Sean Parker, seu problemas acabaram.

Co-fundador do Napster e do Facebook, o cara que foi interpretado por Justin Timberlake em “A Rede Social” agora quer revolucionar a indústria cinematográfica. Parker e Prem Akkaraju criaram o Screening Room, um serviço que oferece filmes que ainda estão em cartaz no cinema na sala da sua casa, por US$ 50 cada longa (nem vou dar o valor em real, porque mudaria dramaticamente a cada 10 minutos).

Não se trata de um Netflix mais atualizado: você precisaria comprar o aparelho (anti-pirataria) que fornece os filmes por US$ 150 e teria 48 horas para vê-los. A iniciativa está obviamente causando muita polêmica em Hollywood entre os diretores, mas o Screening Room já tem o apoio de nomes como Steven Spielberg, Martin Scorcese, Peter Jackson, Ron Howard e J.J. Abrams, que já são acionistas do projeto.

“O Screening Room expandirá a audiência para um filme, não tirá-la do cinema para a sala de estar. Não coloca o estúdio contra o dono do cinema. Ele respeita ambos e é estruturado para dar suporte a longo prazo aos que exibem e aos distribuidores, resultando em uma sustentabilidade maior para a própria indústria”, disse Jackson, diretor da trilogia “O Senhor dos Anéis”, por comunicado.

Logo você poderá ver em casa filmes que estão em cartaz. Se Hollywood deixar.

No entanto, os diretores Christopher Nolan e James Cameron são totalmente contra o projeto. O produtor Jon Landau falou por eles: “Jim e eu permanecemos comprometidos com a santidade da experiência do cinema. Para nós, de um ponto de vista criativo e financeiro, é essencial que os filmes sejam oferecidos exclusivamente nos cinemas inicialmente. Não entendemos por que a indústria quer dar ao público um incentivo para pular esta maneira de vivenciar a arte que trabalhamos tanto para criar”.

Os diretores podem esbravejar o quanto quiserem, mas a verdade é que o poder está nas mãos dos estúdios. A AMC está interessada na proposta e a Universal e a Fox estão estudando para tomar uma decisão, segundo a Variety.

Vejo os dois lados da situação. Há realmente um público que simplesmente não vai mais ao cinema, como pais de filhos pequenos e casais mais velhos. Não deixá-los esperando por meses é atendê-los. Mas e os parentes dessas pessoas que seriam um público potencial de cinema? Provavelmente aproveitarão para ver com elas, já que US$ 50 é mais barato do que pagar os ingressos de umas seis pessoas. É um incentivo sim para que as pessoas deixem de ir. Mas como tudo que envolve a tecnologia, parece um caminho sem volta.

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