ESPORTES

O esporte a ensinou a sonhar. Mas os EUA disseram 'não' ao sonho dela.

Sheila Vieira
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Sheila Vieira

Conheci Jaleska Mendes em fevereiro de 2014. A gaúcha era a mais nova das juízas de linha do torneio WTA de Florianópolis, aos 19 anos de idade. Ouvi falar que era de uma menina muito determinada, que conheceu o tênis pelo renomado projeto social WimBelemDon, de Porto Alegre, e tinha uma considerável chance de jogar tênis por uma universidade norte-americana.

O esporte a ensinou a sonhar. Mas os EUA disseram 'não' ao sonho dela.

Ao conversar com ela, confirmei tudo que me falaram. Jaleska é uma de muitas brasileiras inteligentes e talentosas, que viram no esporte o caminho para ter uma vida melhor. Foi juíza de linha em Florianópolis e também no Rio Open, um ATP 500, com desempenho muito bem avaliado nos dois torneios. Também deve estar na equipe de juízes das Olimpíadas do Rio.

Mas os obstáculos neste mundo de “meritocracia” em que vivemos são enormes. Para estudar nos EUA, ela precisava de um bom resultado no exame de proficiência em inglês, algo que dificilmente conseguiria com as aulas na escola pública. O WimBelemDon, fundado pelo fotógrafo Marcelo Ruschel, ajudou Jaleska a encontrar uma empresa de intercâmbio que cobriria os custos de um curso intensivo de três meses em Los Angeles. Porém, o visto dela foi negado pelo Consulado. A saída foi aprimorar o idioma em Londres, contando com crowdfunding online e outros doadores para as despesas do dia a dia. 

O esporte a ensinou a sonhar. Mas os EUA disseram 'não' ao sonho dela.

Após retornar ao Brasil, Jaleska obteve o convite de uma instituição de ensino do Kansas para ser atleta e bolsista, conseguindo o formulário I-20, exigido pelo Consulado para que o visto de estudante seja concedido. No entanto, mais uma vez, seu pedido foi barrado, sem explicações.

Para quem não sabe, o procedimento para conseguir um visto de não-imigrante para os EUA é o seguinte: você preenche um formulário em inglês, no qual basicamente conta toda a sua vida (inclusive renda mensal) e paga 160 dólares (no momento em que digito este texto, equivalente a R$ 656, 67). Detalhe: esta taxa não é devolvida caso seu pedido seja recusado.

Todos os solicitantes passam por uma entrevista, na qual o/a agente consular pode pedir seu (ou de sua família) extrato bancário, declaração de imposto de renda e outras informações a que nem policiais têm acesso. Se ele/ela desconfiar que você pretende imigrar para os EUA, mesmo sem nenhum indício forte (por exemplo, se sua família apenas não tem muita grana), pode negar o visto sem falar o motivo.

Neste caso, o azar é deles.

Jaleska me disse que ainda não sabe quais serão seus próximos passos. Se tentará novamente estudar nos EUA ou continuará cursando Educação Física em Porto Alegre. Ruschel contou que a direção da universidade norte-americana ficou revoltada com a decisão do Consulado e prorrogou a bolsa dela para o próximo ano letivo, que começa no segundo semestre no país.

Conheça o WimBelemDon, projeto que mudou a vida de Jaleska e de vários outros jovens no Rio Grande do Sul:

#tennis #projetosocial #EUA