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A beleza da alma

Pilar Magnavita
há 2 anos3 visualizações

Em um belo dia comum e normal, você está andando na rua a caminho do mercado e, de repente, sente um líquido cair em cima de você. Tudo é tão rápido que não há tempo de entender o que está acontecendo. Em segundos, após entender que alguém derrubou isso (por engano, certamente), você começa a sentir um frio intenso. E o olhar colérico de um homem que segura um recipiente a poucos passos de você. Ele assiste o espetáculo que você está prestes a dar. A pele começa começa a arder insanamente e surge a sensação de fogo. Você está em chamas, sufocado e desesperado. Não faz ideia de que o pesadelo está apenas começando para uma vítima de ataque de ácido. Por fim, você derreteu.

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Homens e mulheres sofrem com esse crime hediondo. São de países asiáticos, Reino Unido (pasmem!), Quênia, África do Sul, Etiópia e outros países africanos. O motivo dos ataques aos homens são motivados por disputa de gangues e, às mulheres, são crimes pelo gênero. Índia e Bangladesh, que possuem um abismo de desigualdade social entre moças e rapazes, têm uma proporção de vítimas mulheres muito maior. Na verdade, são cerca de 60%, de acordo com a Acid Survivors Trust International, sediada em Londres. Estimam que cerca de mil mulheres sofram com essa brutalidade inominável a cada ano, porque não há lei que determine punição aos agressores por esse crime.

Por causa disso, Viva N Diva, uma grife de moda na Índia, fechou contrato com a sobrevivente de um ataque com ácido e ativista Laxmi Saa, para ser o rosto da campanha da nova coleção da marca.

A beleza da alma

A ideia da marca era a mesma de Dove: de que a beleza está além dos atributos físicos. Rupesh Jhawar, um dos fundadores da grife, concebeu a ideia depois de um encontro com Laxmi, em que folheou um calendário com mulheres vítimas de ataque de ácido.

A história de Laxmi é a mesma de todas as guerreiras. Ela tinha 15 anos quando um homem de 32 anos se aproximou dela e jogou ácido sulfúrico no rosto da jovem, porque ela tinha rejeitado a proposta de casamento dele.

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De fato, Laxmi é uma dessas estrelas que nascem na terra e brilham acima de qualquer intempérie. Ela juntou 27 mil assinaturas e fez o governo indiano reavaliar as normas para o comércio de ácidos e acabou fundando a Chhanv Foundation, ONG que auxilia as vítimas e pressiona a sociedade por mudanças na mentalidade em relação às mulheres. Sua luta pelas vítimas rendeu, em 2014, o prêmio International Women of Courage, entregue pela própria Michelle Obama.

A beleza da alma

Em reportagem da BBC, Jahwar explicou que a primeira visão de Laxmi de perto foi perturbadora e inspiradora, porque o mundo dele na moda era imerso em modelos de corpos perfeitos e pele de cetim. Ele conta ter visto a beleza de uma forma muito diferente, pelo espírito de Laxmi, e buscou capturar esse sentimento sem submeter a imagem da jovem à um esteriótipo de "coitadinha".

Já a modelo disse à BBC que é uma oportunidade para mulheres como ela, que possam ser confiantes e terem coragem apesar de sua aparência. Especialmente, ela conta ter aceitado o convite para enviar uma mensagem clara aos criminosos, de que as mulheres não perdem a coragem mesmo depois de ser atacadas com ácido. Em geral, os algozes utilizam ácido nesse tipo de crime de gênero porque foram rejeitados romanticamente e, no capricho da vaidade magoada, fazem questão de que suas eleitas não sejam de mais ninguém.

Surpresa! (#not) Mulheres dirigiram só 9% dos filmes mais rentáveis nos EUA

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Mesmo após praticamente todas as pessoas de Hollywood terem respondido alguma pergunta sobre a presença pequena de mulheres na direção de filmes grandes, os números continuam risíveis. A Variety reportou nesta terça uma pesquisa nada animadora do Centro de Estudos de Mulheres em TV e Cinema da Universidade de San Diego.

Dos 250 filmes mais rentáveis nos EUA em 2015, apenas 9% foram dirigidos por mulheres. Vamos aumentar a amostra para ver se melhora? 500 filmes! 12%.

Pior: isso é um avanço de 2% em relação a 2014. Segundo a Variety, o Centro de Estudos tem realizado esta pesquisa há 17 anos e o ápice feminino aconteceu em 2000, quando 11% dos 250 longas mais populares tiveram diretoras. E durante todo esse tempo, não se vê uma tendência de aumento. Os 9% de 2015 são os mesmos de 1998, ano em “Titanic” ganhou o Oscar! A única outra coisa que provavelmente se manteve constante até hoje é a Kate Winslet sendo indicada.

Em outras funções do cinema, a participação feminina é maior, mas ainda longe do ideal. São 11% dos roteiristas, 20% dos produtores executivos, 26% dos produtores, 22% dos editores e 6% dos diretores de fotografia. O tipo de filme que as diretoras bem-sucedidas fazem geralmente não são os grandes dramas, que levam os prêmios mais prestigiados: elas se concentram na comédia (34% do total) e nos documentários (36%).

Ao olhar para o top 100, vemos que os filmes dirigidos exclusivamente por mulheres foram “A Escolha Perfeita 2” (comédia musical), “Cinquenta Tons de Cinza”, “Um Senhor Estagiário” e “Belas e Perseguidas”. Duas comédias que foram recebidas como feministas, como “Descompensada” e “A Espiã Que Sabia Demais”, tiveram homens na direção.

Outra curiosidade apontada pela pesquisa é que mulheres na direção costumam empregar uma equipe mais variada. Quando elas estão no comando, 53% destes filmes têm roteiristas mulheres e 32% possuem editoras. Já quando são homens dirigindo, os números caem para 10% (roteiristas) e 19% (editoras).

Obviamente sempre vai ter alguém para dizer que mulheres não estão lá porque não querem ou não gostam (como é conveniente a gente sempre *não gostar* de posições que dão mais poder e dinheiro, né?). A verdade é que um garoto que ama cinema sabe que um dia ele pode chegar lá, já que tem um bilhão de exemplos em que pode se espelhar, e uma menina quase sempre vai hesitar, achar que não está preparada o suficiente, porque seus modelos de inspiração são totalmente escassos. E se for determinada para ir atrás do seu sonho, ainda enfrentará maiores obstáculos e preconceitos.

Sheila, por que você colocou uma foto de “Que Horas Ela Volta?” nesta matéria?

Porque o melhor filme brasileiro de 2015, com folga, foi escrito e dirigido por Anna Muylaert.

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