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O fato é que a mídia esportiva e seu público não levam esporte feminino a sério

Sheila Vieira
há 2 anos89 visualizações

A cada 15 dias aparece uma capa de jornal ou seção esportiva com uma mulher seminua na capa ou um comentarista (pode substituir por dirigente ou jogador) dá uma opinião machista. A gente reclama, aponta o machismo e *problematiza*. O ciclo de todas as polêmicas. 

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O fato é que a mídia esportiva e seu público não levam esporte feminino a sério

Mas as fotógrafos continuam dando zooms desnecessários ao tirar fotos de jogadoras de vôlei e o Instagram da Jade Barbosa segue como maior vitrine da ginástica nos portais esportivos. O machismo está em toda parte, isso até os machistas já entenderam. Mas, no caso da cobertura esportiva, há algo que favorece este tipo de “ângulo”.

Se você perguntar para um editor por que eles perpetuam isso, ele provavelmente vai jogar a culpa no público, com certa razão. O que ele não vai dizer é que jornalistas não entendem, geralmente não procuram entender e muitas vezes não levam a sério as categorias femininas das modalidades.

Jornalistas gostam de dizer que sempre estão dispostos a descobrir novos mundos e histórias, mas a verdade é que a grande maioria prefere falar sobre o que já conhece, sobre a paixão que veio da infância. Eu admito isso. Você se sente mais seguro. Especialmente no mundo das mídias sociais, em que qualquer besteira que você falar pode virar o “meme do dia” em um post do Buzzfeed.

Na mídia esportiva há milhares de pessoas que vivem o esporte (praticado por homens) desde que se entendem por gente, mesmo sem nunca terem sido atletas. Coleções de Placar e almanaques são como bíblias em suas estantes. Mas como o esporte feminino vai fazer parte da vida de alguém que nunca o praticou? É praticamente impossível. Com exceção das ex-atletas que viram jornalistas, você tem que realmente caçar informação para falar com propriedade sobre isso. E os poucos que têm essa vontade vão esbarrar em um público com baixa receptividade.

Então vamos falar das modalidades coletivas que conseguiram de certa forma ter uma cobertura digna de suas categorias femininas: o vôlei e o tênis. A justificativa para o sucesso midiático destes esportes geralmente é justificado por um desnível menor entre as atletas e seus colegas do masculino.

Ano passado eu assisti pela primeira vez desde as últimas Olimpíadas a uma partida de basquete feminino, da WNBA. Não conhecia os times ou as jogadoras e isso prejudicou um pouco meu envolvimento no jogo. Porém, o que eu vi não foi muito diferente do que acontece nos outros esportes: mulheres saltam um pouco menos, são menos rápidas e fortes, mas igualmente determinadas e habilidosas.

O fato é que a mídia esportiva e seu público não levam esporte feminino a sério

Não consegui enxergar uma diferença de competência entre mulheres jogando basquete, vôlei e tênis em alto nível. Todas são extremamente talentosas e incríveis no que fazem. Isso me faz pensar em uma triste resposta para a diferença de cobertura entre estes esportes: as jogadoras de vôlei e de tênis geralmente se encaixam no padrão estético das mulheres que estão na mídia, em todas as áreas: altas, brancas e magras. Serena Williams é uma das melhores do mundo há 15 anos e ainda há quem discuta se ela é “forte demais”. Se praticasse basquete com o mesmo nível de brilhantismo, Serena praticamente uma desconhecida fora dos EUA.

O jornalismo não vai salvar o mundo do machismo. Mas pode influenciar significativamente o que ele consome e entende como importante. Meu pai jamais me perguntaria sobre premiação igualitária se um programa de debates do Sportv não tivesse tocado no assunto. Se quisermos realmente mudar o mundo, ao invés de só reproduzir o que já dominamos, temos que olhar para o espelho primeiro. Não ter medo de não saber. Não ter medo de aprender.

#sexism #womenssports #media #sportsmedia

Brinquedos de "menina" afastam as meninas de carreiras na ciência

Pilar Magnavita
há 2 anos11 visualizações
Brinquedos de "menina" afastam as meninas de carreiras na ciência
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A criança nem bem nasceu e o quarto já tem a cor rotulada do gênero. Os brinquedos vem de acordo com aquilo que as criancinhas trazem entre as pernocas. Bonecas, carrinhos, vestidinhos, shortinhos, tênis, sandalinhas... Não há dúvidas sobre a interferência desses estereótipos na construção da identidade de gênero, o que acaba influenciando também nas escolhas profissionais futuramente. O lugar das mulheres dentro dos laboratórios começa a ser cerceado ainda na infância. E o dos homens, incentivado.

Nessa matéria do jornal britânico The Guardian, a professora de física experimental e conselheira da Universidade de Cambrigde, Athene Donald, explica os brinquedos que damos às crianças e as habilidades que eles desenvolvem nelas definem muito cedo para que lado a criança vai tender: humanas, exatas, artísticas... e os brinquedos considerados femininos em nada estimulam o pensamento científico nas mulheres. Barbies, panelinhas, bonecas e a maioria dos brinquedos tidos como "femininos" não instigam a criatividade, o senso crítico e o desenvolvimento de habilidades motoras. Pelo contrário, são objetos atrelados à passividade, à vaidade e à subserviência.

Já brinquedos "de menino", como Legos, carrinhos, jogos de química, maletas de mecânico, dão mais oportunidades para a criança ficar exposta a brincadeiras que envolvam ciência e engenharia - e, claro, aumentam as chances de ser influenciada por esses conhecimentos desde cedo.

A pesquisadora, que estuda a física de sistemas biológicos, disse que os interesses acadêmicos das crianças começam a ser estimulados muito antes de elas escolherem qual deseja estudar no nível acadêmico: humanas, exatas, biomédicsa, etc. Encorajar as meninas mais nas áreas das ciências vai ajudar a construir uma sociedade informada e igualitária, que pode tomar boas decisões sobre questões tão variadas como vacinas, antenas de telefonia móvel e as mudanças climáticas e atender melhor o público feminino, em pé de igualdade. Para não acontecer isso aqui, em todas as áreas de conhecimento:

Athene Donald conta que há pessoas que pensam que aquilo que as crianças fazem aos quatro anos é irrelevante para a vida adulta, o que é um erro! O que somos hoje é um acúmulo de experiências ao longo de toda nossa existência. As evidências científicas sugerem que as crianças definem desde muito cedo o tipo de área que se sentem mais à vontade, pelos estímulos que recebem em casa e na escola, na maioria das vezes. Por isso as brincadeiras com panelinhas, bonecas e coisas consideradas totalmente femininas não encorajam curiosidade, resolução de problemas matemáticos (como Lego e quebra-cabeças), capacidade de construção (argila, jogo de peças) e o interesse pela física (como maletas de química e física para as crianças).

Curiosamente, eu sempre tive dos meus pais brinquedos que ultrapassavam a barreira do gênero como blocos de montar (meus preferidos), aquelas aeronaves de brinquedo que a gente tem que construir, bonecos do Lion e Jaspion, carrinhos, além das minhas Barbies. Curiosamente, sempre tive mais amigos meninos do que meninas, que me consideravam uma chatonilda e sem assunto para falar com elas. Confesso que a vida era difícil no aspecto social pelas diferenças (minhas amigas mulheres não têm nenhum nhém-nhém-nhém), mas isso realmente me ajudou muito profissionalmente.

Um estudo da Universidade de Washington reforça a teoria de Donald: antes mesmo de aprender as operações de divisão e multiplicação, as crianças já acham que "matemática é para meninos".

Brinquedos de "menina" afastam as meninas de carreiras na ciência

A pesquisa, conduzida pelo psicólogo Andrew Meltzoff, especialista em desenvolvimento infantil e co-diretor do Instituto de Aprendizado e Ciências do Cérebro da Universidade de Washington, mostra que o estereótipo de que as ciências exatas são para meninos aparece antes do 2º ano do ensino fundamental. Gente, isso é na infância ainda!

Brinquedos de "menina" afastam as meninas de carreiras na ciência

Um grupo de 247 crianças de 1ª a 5ª série participou de testes que associavam matemática e gênero. Foram avaliados três aspectos: identidade de gênero (se a criança se identifica como feminino ou masculino), associação da capacidade matemática a gênero e autoavaliação sobre habilidades matemáticas.

Em um dos testes, foi pedido às crianças que combinassem quatro tipos de palavras: nomes de meninos, nomes de meninas, palavras relacionadas à matemática e palavras comuns.

Como esperado, a maioria das crianças - tanto meninos como meninas - associou os termos matemáticos a nomes de meninos. Além disso, no teste de autoavaliação, mais meninos do que meninas se declararam identificados com perfil matemático.

Tá na hora de mudar, né?!

#gênero #crianças #ciência #segundosexo #feminismo #sociedadeigualitaria

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