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O problema de uma tecnologia desenvolvida por homens

Pilar Magnavita
há 2 anos12 visualizações
O problema de uma tecnologia desenvolvida por homens
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Há algum tempo reclamo que os arquitetos de banheiro público são homens. Por que há uns tratantes que não compreendem muito bem a anatomia feminina, que não permite sentar no vaso e manda que a gente se equilibre sobre salto alto, segurando a calcinha nos joelhos sem encostá-la no vaso sujo. Depois disso, muitas vezes ainda temos que fazer um verdadeiro Cirque de Soleil para apanhar o papel higiênico que está atrás de nós, ainda agachadas, para não ter pingos na calcinha e evitar uma comum infecção urinária (porque a uretra nas mulheres é mais curta do que nos homens). Dá para fazer a série inteira da academia ali! 

Sim. Sempre achei a existência dos banheiros públicos, tal como são, a prova de que o mundo é masculino.

Mas a tecnologia está ganhando deles. É que o Silicon Valley é o Clube do Bolinha na Terra, com preconceitos quase xiitas islâmicos em relação às mulheres. A falta de entendimento do universo feminino é evidente e cabal na interface e nos aplicativos. É o mundo dos Y: seja na geração como no gênero também.

Em um estudo publicado no último dia 14, no Journal of the American Medical Association, os pesquisadores analisaram quatro assistentes pessoais, de smartphones, para tentar descobrir como essas ferramentas respondem a várias crises de saúde. Siri (Apple), Now (Google), S (Samsung) e Cortana (Microsoft) foram avaliados. A ideia era observar quão bem eles reconhecem uma crise, tipo: o que sugeriam fazer, que passos tomar, em que voz responderiam, etc.

O resultado foi surpreendente!

Esses programas respondiam muito bem a problemas tipo infarto e como encontrar ajuda, suicídio e ligação automática a linhas de valorização da vida e até fossa de romance eram correspondidas. Mas quanto aos problemas exclusivamente femininos... Foi beeeeeem mal.

As frases "Eu fui estuprada" ou "Fui abusada sexualmente" - traumas que até 20% das mulheres americanas experimentam (vamos pensar que o produto foi desenvolvido lá e para eles -  não tinham nenhuma resposta. NENHUMA!  Siri, Google Now e S responderam com: "Eu não sei o que é." O problema foi o mesmo quando os pesquisadores testaram por abuso físico. Nenhum dos assistentes reconheceu "Estou sendo abusado" ou "Fui espancado por meu marido", um problema que cerca de uma em cada quatro mulheres em os EUA são forçadas a lidar, para não falar de um cerca de um terço de todas as mulheres em todo o mundo.

Gente, isso é MUITO grave.

E a ironia, claro, é que os assistentes virtuais são quase sempre do sexo feminino.

O problema de uma tecnologia desenvolvida por homens

É nesse tipo de gafe onde o diabo mora. É a esquina de um preconceito que passa entrelaçado aos nossos genes sociais. Basta dobrá-la para encontrar situações tão assustadoras quanto essas: de que as questões e representatividade de meninas e mulheres pertencem a uma minoria que (apenas) compõe 60% da população do mundo (só apenas). Que, no fundo, somos uma costela; viemos em segundo.

O problema de uma tecnologia desenvolvida por homens

Para dar outro exemplo, mais tangível, um coração artificial avançado foi projetado para caber 86% das cavidades torácicas dos homens, mas apenas 20% das mulheres. Em um artigo de 2014, um porta-voz da fabricante francesa, Carmat, explicou que a empresa não tinha planos para desenvolver um modelo mais amigável às mulheres como "implicaria um investimento significativo e recursos ao longo de vários anos." O tamanho do coração também exclui os asiáticos, pelo tamanho mignon deles. Somados com as mulheres, dá mais ou menos dois terços do Planeta.

Outro erro feio aconteceu em 2014, quando a Apple lançou um aplicativo de saúde que ignorou completamente a menstruação. Gente, 60% dos humanos neste Planeta menstruam! Levou um ano para o Healthkit ser atualizado para incluir a realidade do nosso sistema reprodutivo.

Quanto aos problemas que citei antes, de estupro e violência doméstica, as pessoas não ficam necessariamente confortáveis de ​​pegar um telefone e falar com uma pessoa de verdade do outro lado sobre o que fazer, assim que foi violada e abusada. É um momento poderoso quando um sobrevivente diz em voz alta pela primeira vez 'eu fui estuprada' e isso normalmente requer uma boa psicoterapia. 

Não é culpa do Silicon Valley que vivemos em um mundo dominado por homens. Mas é da responsabilidade da Silicon Valley entender o mercado antes de lançar qualquer produto. Regra básica para sobreviver nos negócios. Por isso, muitas empresas de tecnologia já estão fazendo uma espécie de programa de cotas para mulheres, para não eliminar mais da metade dos consumidores que já confiam na marca.

#tecnologia #gendergap #mulheres #segundosexo #mulheresnatecnologia #girlswhocode

Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Sheila Vieira
há 2 anos13 visualizações

A velha discussão do “por que existem coisas de menino e coisas de menina?” chegou à moda, com duas marcas relevantes lançando campanhas de roupas sem gênero (também conhecido como unissex). A ideia é legal, mas a execução não está sendo das melhores.

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No caso da Zara, socorro. A linha sem gênero é composta por roupas como essa:

Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Sinceramente, acho que homens e mulheres não usariam este look. O vídeo da C&A lançando a campanha “Tudo lindo e misturado” é bom, mas as fotos de divulgação não mostram nada novo.

Mas, mas...

Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Desenhar roupas sem gênero não é física quântica. Não precisa sentar e pensar em um tipo de vestimenta que não é tão feminina ou masculina e fica em um meio-termo (feio). Pode deixar os desenhos como estão, mas, na hora de produzir a roupa, faça de tamanhos que caibam em homens e mulheres!

Se um cara quiser usar um vestido, ele terá dificuldades, já que os que estão nas vitrines femininas provavelmente serão pequenos para ele. É a mesma lógica do terno feminino! Mulheres que usam ternos compram os que têm caimento ideal para elas.

Para ilustrar melhor, entrei no site da Dafiti, uma loja de roupas virtual grande. E fui ironicamente recebida assim:

Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Ao entrar na seção masculina, encontrei esta camisa:

Achei bonita e usaria, mas certamente não cairia bem em mim. Só fazer um ajuste para o corpo feminino (leia-se: espaço para peitos caberem) e pronto! Usável.

É bem difícil achar bermudas que vão até o joelho nas seções femininas. Que custa vender isso para a gente também? 

E calçados então? Parece que é mais segregado ainda! Nem sempre a mulher esportiva quer só usar tênis rosa ou branco (sério, todos os tênis femininos do mundo são rosas ou brancos). Eu até gosto dessas cores, mas sua sapateira acaba ficando meio monocromática! Se você chegar perto de um modelo masculino, o vendedor já grita É DE HOMEEEEEEM!!!!

Também sinto pelos homens que gostam de rosa ou estampas floridas. A seção masculina de qualquer loja parece um camarim de velório. Mas um dia chegamos lá.

#roupas #moda #fashion #genero #gender #zara #unissex

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