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Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Sheila Vieira
há 2 anos13 visualizações

A velha discussão do “por que existem coisas de menino e coisas de menina?” chegou à moda, com duas marcas relevantes lançando campanhas de roupas sem gênero (também conhecido como unissex). A ideia é legal, mas a execução não está sendo das melhores.

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No caso da Zara, socorro. A linha sem gênero é composta por roupas como essa:

Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Sinceramente, acho que homens e mulheres não usariam este look. O vídeo da C&A lançando a campanha “Tudo lindo e misturado” é bom, mas as fotos de divulgação não mostram nada novo.

Mas, mas...

Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Desenhar roupas sem gênero não é física quântica. Não precisa sentar e pensar em um tipo de vestimenta que não é tão feminina ou masculina e fica em um meio-termo (feio). Pode deixar os desenhos como estão, mas, na hora de produzir a roupa, faça de tamanhos que caibam em homens e mulheres!

Se um cara quiser usar um vestido, ele terá dificuldades, já que os que estão nas vitrines femininas provavelmente serão pequenos para ele. É a mesma lógica do terno feminino! Mulheres que usam ternos compram os que têm caimento ideal para elas.

Para ilustrar melhor, entrei no site da Dafiti, uma loja de roupas virtual grande. E fui ironicamente recebida assim:

Roupas ‘sem gênero’ são fáceis de fazer: pegue uma roupa e faça duas modelagens!

Ao entrar na seção masculina, encontrei esta camisa:

Achei bonita e usaria, mas certamente não cairia bem em mim. Só fazer um ajuste para o corpo feminino (leia-se: espaço para peitos caberem) e pronto! Usável.

É bem difícil achar bermudas que vão até o joelho nas seções femininas. Que custa vender isso para a gente também? 

E calçados então? Parece que é mais segregado ainda! Nem sempre a mulher esportiva quer só usar tênis rosa ou branco (sério, todos os tênis femininos do mundo são rosas ou brancos). Eu até gosto dessas cores, mas sua sapateira acaba ficando meio monocromática! Se você chegar perto de um modelo masculino, o vendedor já grita É DE HOMEEEEEEM!!!!

Também sinto pelos homens que gostam de rosa ou estampas floridas. A seção masculina de qualquer loja parece um camarim de velório. Mas um dia chegamos lá.

#roupas #moda #fashion #genero #gender #zara #unissex

Quando a ficha caiu: mulheres se unem por experiências, não por características

Sheila Vieira
há 2 anos18 visualizações

Fui obrigada a refletir sobre a tal condição feminina desde muito pequena. Quando eu comecei a perceber que muitos dos meus gostos e costumes não eram os esperados. O álbum de figurinhas que vendia na escola, por exemplo: eu queria o dos meninos, mas como dizer isso para a vendedora sem passar vergonha? Inventei que tinha um irmão. Só gostei de uma boneca que eu tive: ela era grande o suficiente para eu escrever na cara dela.

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Quando a ficha caiu: mulheres se unem por experiências, não por características

Na adolescência, as coisas não melhoraram, com a pressão sutil para ser mais vaidosa. “Você tem que se cuidar, Sheila”. Quase sempre a única sem maquiagem, sem vestidos, sem luzes no cabelo, sem brincos, sem esmalte nas unhas. Já na contagem regressiva para os 30, sigo igual. Enquanto eu não sentir uma vontade genuína de mudar, nada muda. E por que eu deveria?

Mas garotas não-vaidosas como eu geralmente passam por uma fase complicada, logo depois da adolescência. A gente encara nosso estilo como uma autoafirmação. “Eu não sou como elas”. Você começa a gritar aos quatro cantos “HEY, EU GOSTO DE FUTEBOL, OK? OLHA SÓ MINHA MOCHILA DO CORINTHIANS” e começa a querer ser a melhor amiga dos meninos. Objetivo de vida: DIFERENTONA.

Alguns anos depois, você percebe (ou deveria perceber) que isso é uma cilada (Bino).

Você pode ser diferente da maioria das garotas que você conhece, mas elas compartilham algo extremamente fundamental com você: experiências. Porque a garotinha que vestia moletom e a que usava um vestido rosa com lacinhos ouviram as mesmas coisas nojentas de caras na rua. Foram seguidas voltando da escola do mesmo jeito. Têm as mesmas histórias doloridas para contar.

“Você parece louca falando assim”, “Calma, não precisa ficar brava”, “Não tinha nada a ver, você imaginou tudo isso”, “Por que você não gritou ou reagiu, sua boba? Se fosse eu, teria feito isso”. Essas frases não veem se o destinatário está usando salto, rímel, All Star ou uma camiseta velha de seriado. São universais, um privilégio (#ironia) de todas as mulheres. Sem esquecer que, para as negras, ainda é preciso lidar com o racismo.

Mas a ficha finalmente caiu: eu precisava aceitar como válidos e importantes os gostos pessoais de todas as garotas, não só os meus. Porque eram escolhas delas e só por isso mereciam respeito. Além disso, compartilhar experiências de coisas que só nós passamos e entendemos tem um poder terapêutico imensurável. Amizade feminina é imprescindível.

Se você ainda vê todas as mulheres ao seu redor como inimigas, tente repensar. Eu ainda me pego caindo em algumas armadilhas. Nós somos tão fortes juntas. TÃO. FUCKING. FORTES. Claro que este é um dia de luta, mas vamos celebrar um pouquinho o momento em que nos libertamos do machismo dentro da gente.

#IWD2016 #DiaInternacionaldaMulher #8demarço #women

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