CURIOSIDADES

Por que você deveria ter medo de Donald Trump virar presidente dos EUA

Sheila Vieira
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Sheila Vieira

Eu sei. O Brasil já tem problema suficiente para você se preocupar com eleições americanas. Você tem que arranjar um jeito de fazer mercado com esses preços absurdos, procurar emprego e ainda por cima decidir a opção menos pior para votar para a Prefeitura.

Por que você deveria ter medo de Donald Trump virar presidente dos EUA

Mas você devia se preocupar bastante com a possibilidade de Donald Trump virar presidente dos EUA.

É quase certo que Trump ganhará a nomeação republicana, especialmente após vencer nas primárias de Indiana, um daqueles estados que a gente só vê na TV em época de eleições. Do lado democrata, a disputa é mais acirrada entre Bernie Sanders e Hillary Clinton.

Trump pode parecer apenas mais desses personagens midiáticos americanos que vencem eleições às vezes, tipo Arnold Schwarzenegger. Mas o magnata representa ideais extremamente arcaicos e, com o apoio popular que tem recebido, sua administração poderia levar os EUA a um grande retrocesso, influenciando todo o mundo ocidental a fazer o mesmo.

A frase mais chocante de Trump sobre mexicanos foi dita no ano passado: “Quando o México manda gente para os EUA, eles não estão mandando os melhores... eles estão mandando pessoas que têm muitos problemas e estão trazendo esses problemas para nós. Eles estão trazendo drogas, estão trazendo crime, estão trazendo estupradores, e, alguns, presumo, são boas pessoas”.

Por que você deveria ter medo de Donald Trump virar presidente dos EUA

Brasileiros costumam não se importar com mexicanos, mas deveriam. Porque, para a maioria dos americanos, tudo que está abaixo de Tijuana é a mesma coisa. Uma política agressiva contra imigração pode dificultar a vida não só de quem pretende “fazer a vida lá”, mas também a de muitos estudantes que querem fazer cursos nos EUA, por exemplo.

Consequentemente, os xenófobos americanos podem se sentir mais à vontade para demonstrar seu preconceito contra latinos, sejam eles imigrantes ilegais ou não, ou até mesmo turistas. E Trump já disse publicamente que acredita que o Brasil "se aproveita" dos EUA.

Pior ainda é a situação de refugiados, que sofrem muito mais preconceito dentro dos EUA do que mexicanos. Trump defende que muçulmanos sejam fichados e possivelmente expulsos do país. E seus eleitores realmente acreditam na narrativa de que qualquer árabe pode explodir pessoas até que se prove o contrário.

Olhem só o que a ex-tenista Jennifer Capriati tuitou semana passada:

"Só porque esses países têm fronteiras e leis, não significa que eles não te querem ou são discriminatórios, eles só querem saber quem você é".

"quem você é": interprete como quiser

"O que há de ódio em querer se livrar de pessoas más que estão machucando nosso mundo?"

Pessoas más: interprete como quiser.

"Como diz aquele velho ditado: dê um dedo, eles tiram a mão. Dê a mão, eles tiram o braço. Quando daremos um basta? Pedir por respeito não é racismo".

"Eles". Aquela massa que a gente não conhece e bota tudo junto porque é mais fácil.

Vou ser otimista e imaginar que estamos evoluídos o suficiente para não cercarmos muçulmanos em guetos, prendê-los e matá-los. Mas muitos fãs de Trump secretamente não se importariam se isso acontecesse.

Como todo conservador extremo, Trump promove o machismo. Sempre disse coisas horríveis sobre mulheres e continuará fazendo isso:

Porém, os efeitos mais práticos dessa ideologia são direitos de reprodução serem cada vez mais restritos. Enquanto o feminismo no mundo subdesenvolvido consegue começar a conversar abertamente sobre legalização do aborto, os conservadores americanos querem proibir este direito.

Também não podemos esquecer que, quanto mais políticos como Trump têm sucesso, mais seus equivalentes brasileiros se sentem capazes de buscar a presidência. Temos o nosso, vocês sabem. Há algumas semanas, exaltou o torturador da presidente. 

É inegável que, mais de 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo está entrando novamente em um momento de extremismos perigosos. A economia segue sustentando as diferenças sociais e colocando pessoas desprivilegiadas umas contra as outras. O revanchismo doentio do terror mata civis e quem sofre as consequências são outros civis, de outras partes do mundo. Se Trump realmente vencer, pode ser um marco de uma guinada mundial em direção ao ódio absoluto.

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