ESPORTES

Quando você diz para as tenistas ajoelharem para homens, você perde o emprego

Sheila Vieira
Yazar
Sheila Vieira

E você é um babaca, claro.

Quando você diz para as tenistas ajoelharem para homens, você perde o emprego

Se Raymond Moore soubesse que teria que pedir demissão depois que ele desse uma entrevista para jornalistas no torneio de Indian Wells, ele teria cancelado o encontro. Porém, o mundo não saberia quão pré-histórico é o pensamento do CEO de um dos torneios conjuntos mais importantes do circuito.

O mundo ficou sabendo e, dois dias depois, ele perdeu seu emprego. O senhor soltou pérolas como "a WTA tem jogadoras muito atraentes, como Muguruza e Genie Bouchard" (depois falando que 'attractive' era sobre a aparência e a competitividade delas), que as tenistas aproveitam os louros do circuito masculino e que elas deveriam "ajoelhar à noite e agradecer por Nadal e Federer terem nascido, porque eles carregaram o esporte".

Sim, isso em março de 2016.

Obviamente, as declarações foram respondidas com indignação por Serena Williams e Victoria Azarenka, que disputaram a decisão na Califórnia (foi uma ótima final, inclusive), além de serem lamentadas por lendas da WTA, como Billie Jean King e Martina Navratilova.

Novak Djokovic, número 1 do mundo e campeão do torneio no mesmo dia, conseguiu levar o assunto para a imprensa mundial em sua entrevista coletiva. Quando questionado sobre o que Moore disse, o sérvio não quis condenar o diretor, mas sim colocar o EXTREMAMENTE CANSATIVO tema da premiação igual na roda, defendendo que os homens deveriam ganhar mais pela demanda de público do circuito da ATP. Ao mesmo tempo, Djokovic tentou garantir que não era machista com o pior argumento possível: elogiando mulheres por superarem seus "hormônios".

Quando você diz para as tenistas ajoelharem para homens, você perde o emprego

Não vou discutir novamente este assunto, mas é bom lembrar: premiação igual só acontece em Grand Slams e poucos torneios conjuntos (Indian Wells é um deles). Obviamente, os circuitos têm calendários diferentes e, no total, a ATP tem mais receita, inclusive com direitos de transmissão. Mas isso não é suficiente para os seres ~supremos~ deste planeta.

Você pode ouvir minha opinião (e também a do jornalista Alexandre Cossenza) no nosso podcast, o #Quadra18:

De resto, basta comemorar que Raymond Moore foi burro o suficiente para achar que falar essas coisas publicamente seria aceitável (e se ferrar por isso) e torcer para que Djokovic pelo menos entenda que mulheres superam coisas bem mais complicadas do que menstruação e hormônios. Como a sensação de que, não importa o que a gente faça, tudo que fazemos nunca será suficiente.

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