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Seleção feminina americana traz discussão da premiação igualitária ao futebol

Sheila Vieira
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Sheila Vieira

Será que a conversa sobre premiação igual entre homens e mulheres no esporte vai finalmente sair das quadras de tênis? Se depender da seleção norte-americana feminina de futebol, sim, senhor(a).

Seleção feminina americana traz discussão da premiação igualitária ao futebol

Cinco líderes da USWNT (United States Women’s National Team) fizeram uma reclamação formal contra a Federação dos EUA por discriminação de salários. Hope Solo, Megan Rapinoe, Alex Morgan, Carli Llyod e Becky Sauerbrunn assinaram o documento questionando o fato de a seleção masculina receber compensação financeira maior por feitos menores.

A reinvindicação será analisada pela Comissão de Oportunidades Empregatícias Igualitárias, do governo federal norte-americano. O advogado da seleção feminina, Jeffrey Kesler, disse ao New York Times que as jogadoras recebem em média 40% do que os jogadores, mesmo com o sucesso consideravelmente maior das mulheres e a maior receita que elas comprovadamente trazem para a Federação.

Solo foi enfática ao defender seu ponto de vista: “Os números falam por si só. Somos as melhores do mundo, temos três Copas do Mundo e quatro medalhas de ouro olímpicas, enquanto a seleção masculina é paga só por participar o que somos pagas para vencer campeonatos de ponta”. Como sabemos, a seleção masculina dos EUA nunca disputou uma semifinal de Copa do Mundo.

No futebol, não há como usar argumentos típicos desta discussão no tênis, como “eles jogam melhor de cinco sets” (sempre esquecem de acrescentar “só nos Slams e na Copa Davis”) ou “os homens geram mais interesse”. É óbvio que a seleção feminina de futebol é muito mais conhecida mundialmente do que a masculina. Landon Donovan não chegou perto do reconhecimento de Hope Solo, mas certamente ele recebeu mais para trabalhar do que a goleira.

Até agora, quem está criticando a postura das jogadoras tem como principal argumento o fato de que a competição entre os homens é muito maior, ou seja, a seleção masculina precisa se esforçar mais. Partindo do princípio de que isso seja verdade, essas pessoas não querem levar em conta que mulheres sempre foram julgadas por escolherem praticar futebol e isso prejudicou e ainda retarda o desenvolvimento da modalidade.

Por mais que o investimento no futebol masculino seja esmagadoramente superior ao feminino (é provável que a menor diferença seja nos EUA, inclusive), o que vemos no geral é um cenário parecido: um grupo de elite e o resto tentando alcançá-lo. Se o futebol masculino fosse tão nivelado por cima assim, não veríamos a Copa do Mundo quase fazendo um revezamento eterno entre Brasil, Itália e Alemanha.

Provavelmente o esporte com a cultura mais machista de todas, o futebol certamente resistirá bastante a qualquer conversa do tipo. Porém, com a plataforma que conquistou mundialmente, através de títulos, a seleção feminina dos EUA pode deixar um legado ainda mais importante.

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