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Sharapova assume a culpa por doping, mas erro de sua equipe é lamentável

Sheila Vieira
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Sheila Vieira

É difícil acreditar que estamos em março de 2016 e a equipe de uma das tenistas mais importantes do mundo não percebeu que uma substância que ela tomava há 10 anos havia entrado em janeiro deste ano na lista de proibição da WADA (Agência Antidoping).

Mas aconteceu: Maria Sharapova foi notificada que testou positivo para meldonium no Australian Open.

Sharapova assume a culpa por doping, mas erro de sua equipe é lamentável

"Eu assumo toda a responsabilidade por isso", disse Sharapova. A russa explicou que o remédio que contém a substância foi receitado pela primeira vez em 2006 pelo médico pessoal dela, ressaltando que o meldonium não era proibido até janeiro deste ano. 

"Cometi um grande erro. Desapontei os meus fãs, desapontei o esporte. Jogo tênis desde os quatro anos de idade e amo muito este esporte", Sharapova acrescentou, deixando claro que não vê uma possível suspensão como o fim de sua carreira. "Se eu tivesse que anunciar minha aposentadoria, não seria em um hotel do centro de LA com este tapete consideravelmente feio".

Eu ri, confesso. É horrível mesmo.

Sharapova assume a culpa por doping, mas erro de sua equipe é lamentável

A Federação Internacional de Tênis divulgou que a amostra foi colhida em 26 de janeiro, dia em que Sharapova perdeu para Serena Williams nas quartas de final em Melbourne. A suspensão preventiva começa em 12 de março (próximo sábado). Porém, ainda estamos longe de saber quanto tempo a russa ficará efetivamente fora de competição.

Sharapova é a terceira tenista de grande expressão a ser pega no antidoping nos últimos anos, e os outros dois casos também foram casos de má "assessoria": Viktor Troicki não quis dar uma amostra de sangue em abril de 2013 porque estava passando mal. O sérvio alegou que a funcionária que recolheria a amostra disse a ele que não haveria problema. Ele acabou sendo suspenso por 18 meses e depois teve a "pena" reduzida para 12 meses.

O croata Marin Cilic ficou fora de competição por quatro meses também em 2013 após testar positivo para nicotinamida (a suspensão original era de nove meses, mas foi reduzida). A substância estava em um tablete de glicose que o campeão do US Open de 2014 ingeriu, diferente dos que ele costumava consumir.

Não há motivo para acreditar que Sharapova tomasse a substância para trapacear. E também não espero que os próprios atletas (principalmente os mais famosos e cheios de compromissos) fiquem checando as atualizações da WADA. Mas é inacreditável que alguém com um staff tão numeroso deixe passar que uma substância regularmente ingerida por sua atleta agora é proibida.

Agora, Sharapova pagará o preço sozinha.

Sharapova assume a culpa por doping, mas erro de sua equipe é lamentável

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