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Surpresa! (#not) Mulheres dirigiram só 9% dos filmes mais rentáveis nos EUA

Sheila Vieira
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Sheila Vieira
Surpresa! (#not) Mulheres dirigiram só 9% dos filmes mais rentáveis nos EUA

Mesmo após praticamente todas as pessoas de Hollywood terem respondido alguma pergunta sobre a presença pequena de mulheres na direção de filmes grandes, os números continuam risíveis. A Variety reportou nesta terça uma pesquisa nada animadora do Centro de Estudos de Mulheres em TV e Cinema da Universidade de San Diego.

Dos 250 filmes mais rentáveis nos EUA em 2015, apenas 9% foram dirigidos por mulheres. Vamos aumentar a amostra para ver se melhora? 500 filmes! 12%.

Pior: isso é um avanço de 2% em relação a 2014. Segundo a Variety, o Centro de Estudos tem realizado esta pesquisa há 17 anos e o ápice feminino aconteceu em 2000, quando 11% dos 250 longas mais populares tiveram diretoras. E durante todo esse tempo, não se vê uma tendência de aumento. Os 9% de 2015 são os mesmos de 1998, ano em “Titanic” ganhou o Oscar! A única outra coisa que provavelmente se manteve constante até hoje é a Kate Winslet sendo indicada.

Em outras funções do cinema, a participação feminina é maior, mas ainda longe do ideal. São 11% dos roteiristas, 20% dos produtores executivos, 26% dos produtores, 22% dos editores e 6% dos diretores de fotografia. O tipo de filme que as diretoras bem-sucedidas fazem geralmente não são os grandes dramas, que levam os prêmios mais prestigiados: elas se concentram na comédia (34% do total) e nos documentários (36%).

Ao olhar para o top 100, vemos que os filmes dirigidos exclusivamente por mulheres foram “A Escolha Perfeita 2” (comédia musical), “Cinquenta Tons de Cinza”, “Um Senhor Estagiário” e “Belas e Perseguidas”. Duas comédias que foram recebidas como feministas, como “Descompensada” e “A Espiã Que Sabia Demais”, tiveram homens na direção.

Outra curiosidade apontada pela pesquisa é que mulheres na direção costumam empregar uma equipe mais variada. Quando elas estão no comando, 53% destes filmes têm roteiristas mulheres e 32% possuem editoras. Já quando são homens dirigindo, os números caem para 10% (roteiristas) e 19% (editoras).

Obviamente sempre vai ter alguém para dizer que mulheres não estão lá porque não querem ou não gostam (como é conveniente a gente sempre *não gostar* de posições que dão mais poder e dinheiro, né?). A verdade é que um garoto que ama cinema sabe que um dia ele pode chegar lá, já que tem um bilhão de exemplos em que pode se espelhar, e uma menina quase sempre vai hesitar, achar que não está preparada o suficiente, porque seus modelos de inspiração são totalmente escassos. E se for determinada para ir atrás do seu sonho, ainda enfrentará maiores obstáculos e preconceitos.

Sheila, por que você colocou uma foto de “Que Horas Ela Volta?” nesta matéria?

Porque o melhor filme brasileiro de 2015, com folga, foi escrito e dirigido por Anna Muylaert.