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Pare de bloquear as pessoas diferentes de você

Thiago Massari
há 9 meses21 visualizações

Estamos em tempos de desfazer amizades. A tecnologia e a alta conectividade possibilitaram que a gente construísse relações com pessoas do outro lado do mundo, mas também nos deram as ferramentas necessárias para superficialidade de todas as nossas outras relações.

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Muitas pessoas me questionam como em sendo líder de PR de uma plataforma social, posso ser tão crítico com as novas tecnologias e redes sociais em voga. A resposta é simples: são esses instrumentos quem devem nos servir e não o contrário. Além disso, parte do processo da inovação está em questionar ininterruptamente os sistemas e mecanismos que aí estão.

Pare de bloquear as pessoas diferentes de você

Hoje, estamos a cliques de fazer e desfazer relacionamentos - ou seriam apenas contatos? Fazer é simples e quase imperceptível. Muitas vezes aceita-se alguém que nem sequer sabemos ser em nossa rede de amigos. Desfazer amizades, por outro lado, tem despertado um prazer quase carnal em muita gente. Eu diria que existe toda uma nova classe de pessoas que verdadeiramente encontra sua plena realização em destruir esses frágeis laços que hoje nos unem.

Quem aqui pode dizer que não se sentiu aliviado, orgulhoso e, por que não, feliz, em deixar de ser amigo ou seguidor de alguém nas redes sociais? Quem não teve um momento genuinamente catártico ao descosturar essa fina linha de contato?

A série Black Mirror (Channel 4, 2011) trouxe esses questionamentos e os levou às últimas consequências. Num futuro alternativo, não muito distante, nano chips implantados em nossas retinas e cérebros permitirão que as pessoas efetivamente excluam as outras de sua existência. Com um simples clicar, você poderá bloquear em definitivo quem quer que seja. Uma vez bloqueada, essa pessoa não mais poderá ver ou ouvir você ou qualquer fato relacionado a você — a recíproca é verdadeira.

Pare de bloquear as pessoas diferentes de você

Isso que a mim parece assustador, deve soar deliciosamente profético a muitas pessoas. Vivemos na era da superficialidade em que o curtir — e agora o reagir — é por vezes mais valorizado do que o sentir e o interagir.

As relações descartáveis estão expostas nas prateleiras do nosso mundo virtual. Seja por divergências ideológicas, falta de apego ou por conta de uma relação afetiva mal sucedida, estamos aos poucos nos descartando. Não é preciso mais se esforçar para entender o outro e se fazer entender também. “Sou responsável por aquilo que falo e não pelo que você entende”; essa é a frase que vem sendo compartilhada por aí, cheinha de polegares apontando para cima.

Quando decidimos descartar pessoas, em vez de procurar entendê-las, estamos abrindo mão de elementos imprescindíveis ao convívio social e humano: a empatia e a argumentação. Muitos não investem tempo em tentar explicar e entender o outro. Se você não pensa como eu e temos divergências de visão de mundo, nos excluímos mutuamente. Parece tão mais simples do que convivermos — vivermos juntos.

Estamos aos poucos habitando essas ilhas imaginárias em que todos pensam, sentem e vêem o mundo exatamente como nós. Nossos feeds de notícias, então, magicamente começam a soar sensatos e razoáveis. Começamos a sentir que o mundo — até que enfim — começa a mudar para melhor. Mas é apenas uma miragem. Uma ilusão que criamos para nos auto-satisfazer. Temos visto essas bolhas explodindo na nossa cara o tempo todo. Foi assim com a eleição do Trump, com o nosso cenário político nacional e até com questões sociais como discutir o aborto e a legalização das drogas,

A gente saiu por aí desconstruindo laços e bloqueando relações… Mas as pessoas que excluímos continuam lá. Elas ainda existem, quer a gente aceite isso ou não. Elas ainda pensam igual e provavelmente continuarão assim, pois nenhum de nós se dispôs a mudar isso.

Nas palestras que tenho feito a estudantes de comunicação, falo sobre isso e peço que esses jovens parem de excluir e bloquear pessoas. A comunicação e, portanto as pessoas que escolheram viver dela, estão aqui para gerar diálogos e construir pontes sólidas que conectem pessoas e ideias. Não significa que todos devem pensar igual, mas que todos devem justamente aceitar e respeitar que exista a pluralidade de ideias.

Se nós, os comunicadores por formação e vocação, formos os primeiros a jogar a toalha, qual então será nosso papel no mundo? Evangelizar os convertidos? Me parece absurdamente enfadonho e desnecessário. Nós temos um propósito como pessoas que escolhemos a comunicação e se seguirmos a maré seremos apenas parte do problema. E como diz uma frase que vi outro dia grafitada num muro, “apenas os peixes mortos seguem a corrente”.

As mentiras que contamos sobre o amor

Thiago Massari
há um ano14 visualizações

“Acho que o amor acabou". Talvez essa tenha sido a frase que você ouviu de alguém. Ou a sentença que você tenha imposto para dar fim a uma história. Talvez você nem sequer tenha usado a palavra "acho" ao jogar a granada. O amor acabou: como um pote de margarina, um tubo de pasta de dentes ou uma garrafa de vinho.

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As mentiras que contamos sobre o amor

Acontece que, diferentemente do que se crê, o amor não é apenas um sentimento. Antes disso, ele é uma decisão. Um compromisso. E aqui me atrevo a dizer que isso se aplica não apenas a relações amorosas, mas a qualquer outra relação pessoal estabelecida e balizada por ele.

Você tem consciência disso? Antes mesmo de você chegar ao rompimento de uma relação, seja ela qual for, você trabalhou duro na desconstrução racional daquele relacionamento. Pode ter firmado o pensamento apenas nas brigas, decepções e no que não deu certo; fantasiado uma vida de tristeza e frustração ao lado da pessoa; criado âncoras mentais que te ajudassem a retirar a chutes e pontapés o outro de dentro de você. Antes de deixar de amar alguém, você DECIDIU fazer isso. Antes de alguém deixar de amar você, também.

As mentiras que contamos sobre o amor

Se isso é verdade para o desamor, também o é para a obstinação amorosa. A explicação concreta para a máxima romântica: o amor nunca morre. Quando não importa o que aconteça e a quanto sofrimento aquela relação seja exposta, ambos continuam firmes em sua convicção de amarem um ao outro no matter what.

Essas pessoas não foram agraciadas com o milagre do amor duradouro e inabalável. Não existe tal coisa. Trata-se de uma decisão puramente racional posta sobre três pilares absolutos: comprometimento com o projeto que se tem com a outra pessoa; foco na efemeridade das crises; auto-percepção de sua própria condição humana e falível. Amar, enfim, é uma decisão. Deixar de amar também.

As mentiras que contamos sobre o amor

Aqui, entenda, não faço uma defesa do amor incondicional. Há muitos momentos em que é importante PARAR de amar alguém. Não ame alguém que não ama você de volta ou que desistiu de fazê-lo. Não ame alguém que faz você ter menos amor próprio. Não ame alguém que abusa de você e não te respeita. Não ame alguém que quer que você seja outra pessoa. Você tem o poder — o direito — de decidir não amar mais quem não faz bem a você.

Agora, também não creia no amor como chama ardente que te guia a aventuras além mar e para terrenos fugazes. O Amor de verdade precisa estar alicerçado naqueles três pontos: comprometimento, crises passageiras e consciência da sua própria imperfeição.

Amar está longe de ser algo simples, mas precisamos todos despertar para a verdade de que somos nós quem estamos no controle dele e não o contrário. Por isso, lembre-se, o amor não acaba, ele apenas muda de foco. Em quem você está colocando o seu?

As mentiras que contamos sobre o amor
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thiago.massari
Escultor de pensamentos. Demolidor de ideias.