Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
Isso é Brasil
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

A caminho do abismo

A caminho do abismo
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Por Roberto Lameirinhas

Caso dê a lógica e o governo não consiga resolver a crise econômica que se aprofunda aceleradamente no País, a estratégia da oposição para a campanha presidencial de 2018 estará bem definida no já no segundo semestre de 2017. A vantagem será dos que se colocarem em favor da reversão de todas as medidas apresentadas hoje pelo Planalto como tábua de salvação para a economia.

Por enquanto, Michel Temer e seus aliados de apelidos exóticos ainda conseguem algum resultado na tentativa de convencer a população de que o corte, na prática, de investimentos em serviços essenciais do Estado por 20 anos vai desaguar na oxigenação do ambiente macroeconômico e, consequentemente, na criação de empregos e ampliação da renda. Na visão de parcela significativa da população, a piora na situação de postos de saúde, hospitais, escolas e universidades públicas - que nunca foi lá grande coisa - é o preço a pagar por anos de governos perdulários e de escoamento de dinheiro público para a corrupção.

A questão é que este é um governo com uma missão: a de desconstruir, em nome de uma discutível liberalização da economia, décadas de regulamentações previdenciárias e trabalhistas. Ao mesmo tempo em que delações premiadas de executivos das grandes empreiteiras continuam a envolver cada vez mais nomes de aliados do Planalto em escândalos de suborno.

A proximidade de Temer com políticos envolvidos até o pescoço com irregularidades e os primeiros esboços de seu projeto de reforma da Previdência já causaram sensível queda no nível de aprovação do presidente. Segundo o Datafolha, sua rejeição chega a 49% dos entrevistados, superando numericamente até mesmo a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bombardeado há pelo menos dois anos por baterias de acusações em manchetes de jornais, revistas e noticiários de rádio e TV. O Ibope tem mostrado números parecidos em suas últimas sondagens.

A caminho do abismo

Não é surpreendente. Há uma diferença substancial entre propor à sociedade a redução de já precários serviços de educação e saúde - em nome da recomposição econômica - e convencê-la a aceitar o fato de que seus planos de aposentadoria terão de ser revistos. Ou de que direitos como o de férias de 30 dias, fundo de garantia ou remuneração mínima terão de ser suprimidos para estimular investimentos na geração de empregos.

Uma coisa é análise fria e ponderada da relação entre empregados e empresas, contribuintes e Estado, aposentados e governo. Outra é a identificação de quem vai pagar a conta.

Não é difícil prever que as reformas previdenciária e trabalhistas sofrerão mais resistência do que a proposta que estabeleceu o teto de gastos. E é alta a probabilidade de que, ainda que não seja derrubado, o governo se afunde cada vez mais nas investigações da Lava-Jato. Enfim, dificilmente haverá um quadro de estabilidade capaz de convencer os agentes econômicos a retomar investimentos.

A percepção, inevitavelmente, será a de um governo que reduziu drasticamente conquistas sociais em troca de muito pouco, quase nada, de recuperação da economia.

Apesar do capital político obtido com a estabilização pós-Plano Real, Fernando Henrique Cardoso sofreu com um quadro parecido entre 1998 e 2002. O resultado foi a visceral rejeição ao PSDB nas eleições que consagraram Lula presidente.

Um gabinete com a cara de Trump (1)

Por Roberto Lameirinhas

Sutileza nunca foi o forte de Donald Trump. Aliás, está longe de ser errado atribuir ao perfil de viés machista, elitista e xenofóbico a grande quantidade de votos que lhe permitiu conquistar a vitória no Colégio Eleitoral que define o presidente da República dos EUA - apesar de ter obtido uma votação nacional menor do que a da rival democrata, Hillary Clinton, em novembro.

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

A escolha do gabinete que toma posse em janeiro parece sepultar as previsões de que o estilo apresentado pelo bilionário se restringiria à campanha eleitoral - e a gravidade do cargo político mais importante do planeta acabaria por moderar gestos e discursos.

Um gabinete com a cara de Trump (1)

A mais polêmica das nomeações de Trump, para o Departamento de Estado - considerado o segundo cargo mais poderoso de Washington -, ocorreu no começo da semana. O CEO da ExxonMobil, Rex Tillerson, visto como um radical de direita até para líderes do grupo ultraconservador Tea Party, foi o escolhido.

Tillerson, como representante da companhia petrolífera, fechou contratos com valores na casa dos bilhões de dólares com o presidente russo, Vladimir Putin, e é tido como um dos americanos mais próximos do nada transparente setor energético de Moscou - marcado, desde o fim da União Soviética, pela influência da então emergente máfia russa, casos de espionagem, assassinatos e sequestros. A proximidade com Putin resultou na concessão ao americano da mais alta comenda que a Rússia pode conceder a um estrangeiro.

Importante lembrar que a indicação de Tillerson se deu em meio a uma onda de suspeitas investigadas por várias agências americanas da ação de hackers russos para influenciar - em favor de Trump - as eleições americanas.

Figura ascendente no Partido Republicano e rival de Trump nas primárias para as eleições de novembro, o senador Marco Rubio não poupou a escolha do presidente eleito. “Ser um ‘amigo de Vladimir (Putin)’ não é um atributo que eu esperava de um secretário de Estado”, postou em sua conta no Twitter.

Fontes próximas a Trump declararam a jornais americanos que a escolha se deu por recomendação da secretária de Estado do governo de George W. Bush, Condoleezza Rice, e do secretário de Defesa de Bush e de Barack Obama, Robert Gates. O problema é que tanto Condoleezza quanto Gates prestam consultoria à ExxonMobil. “Tillerson paga Rice e Gates por ‘consultoria’ e eles, em troca, recomendam-no a Trump. Bem-vindos ao terreno pantanoso, senhoras e senhores”, comentou, em seu site, a revista Mother Jones, especializada em denúncias sobre a influência de corporações sobre o governo americano.

A escolha de Tillerson por Trump ocorreu ainda no calor de protestos da China contra a decisão do presidente eleito de enviar sinais de que poderia reconhecer a independência de Taiwan - tema delicadíssimo na relação com a China, que considera a ilha uma província rebelde. Trump deu de ombros para a reação de Pequim, dando a entender que fará pouco para evitar o confronto diplomático entre as duas potências.

Caso siga à risca a linha traçada por Trump durante a campanha eleitoral, a política externa comandada por Tillerson deve ainda afastar-se da linha do multilateralismo seguida por Obama nos últimos oito anos. Além do polêmico muro que prometeu erguer na fronteira com o México para conter a imigração ilegal, a futura administração americana deve contestar tratados de comércio - como o Nafta, com México e Canadá, e o abrangente Tratado Trans-Pacífico.

Deve ainda adotar posições mais conservadoras em órgãos da ONU e da Otan. E, como pode deixar óbvia a escolha de um homem do petróleo para o comando de sua diplomacia, rever as metas do Acordo de Paris para a redução de emissão de carbono.

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
tudoexplicado
Política, direitos humanos, feminismo, economia, mundo